Como fazer para namorar?

Gays e a relação com namoro

Quando é que formalizamos um namoro? Está no ato do pedido e do aceite? Ou, hoje, as pessoas vão deixando rolar naturalmente até que, igualmente natural, elas se percebem em um namoro?

O que subentende hoje um namoro? É o voto de compromisso e de fidelidade? É o sentimento? É o estar junto nas horas livres, longe das responsabilidades individuais?

O valor hoje de um namoro é bastante amplo e vou dizer que o divisor de águas se deu nos anos 80, quando as pessoas começaram a “ficar”. Pensem que “ficar” não era uma prática normativa e comum entre jovens e adultos. Existia todo um flerte, inúmeras conversas e diversos encontros, o pedido do namoro e – quando aceito pelas partes – o primeiro beijo. Era assim o padrão comportamental (tirando as inevitáveis exceções) até bem pouco tempo atrás. Isso não queria dizer “mais romântico” necessariamente, mas normativo. Ninguém ficava se não houvesse um real interesse em namorar.

A sociedade mudou, os comportamentos estão constantemente se transformando e – todo aquele fluxo mais livre e descolado dos movimentos dos anos 70 – formaram os hábitos e maneiras que nos relacionamos hoje. Se alguém sonha com certo “romantismo”, reclame para essa turma de hippies!

A medida que os jovens, nos tempos atuais, não se agrupam mais em guetos bem definidos – como foram os próprios hippies, os roqueiros, os nerds, os punks, etc. –  nos fracionamos em nichos cada vez menores. Os valores sobre a maneira de nos relacionar também se fragmentaram. Por um lado, temos uma ampla liberdade para capturar do meio as diversas tendências e construir nosso perfil de maneira bastante particular. Por exemplo: podemos ser geek, gostar de Reggae, não fumar maconha, ser gay e gostar de surfar. Tudo junto e misturado. Por outro lado, tal mistura – as vezes – dificulta nossa identificação com o outro.

De qualquer forma, essa realidade tem dominado o mundo e, no meu ponto de vista, ainda não chegamos no limite.

O entendimento sobre relacionamentos e sexo também entrou nessa liquidez, o que assusta muita gente ou nos deixa perdidos. Daí que eu penso que, mediante essa realidade, o consenso é algo que toma proporções relevantes no ato de se relacionar. Consenso não quer dizer que há uma garantia de que as coisas darão certo sempre. Mas define que há uma abertura para se tratar das questões de um relacionamento de maneira abrangente, há diálogo, sem nos fixarmos em valores individuais de maneira rígida. Fragmentados como estamos, tem coisa que abrimos mão e tem coisa que não. Para ilustrar: se um casal começa uma história e um não quer abrir mão da balada e o outro não quer abrir mão da vida caseira, não existe mais o referencial definitivo de que ficar em casa é o correto para um namoro. Tudo depende do que cada um entende, daquilo que cabe dentro (ou não) de um relacionamento.

Na maioria das vezes, principalmente jovens ou imaturos, acabamos por impor modelos ideais (próprios) do valor que temos sobre namoro e tratamos como se fosse a referência correta, mesmo que agindo de maneira inconsciente. E se não funciona do jeito que a gente quer, o ego não aguenta na maioria das vezes. Vem ciúme, insegurança e apego. Vem um monte de coisa ruim e – namoro que deveria ser bom e leve – vira a principal questão na vida.

Se está fácil conhecer e ficar – lá fora ou pelos aplicativos – com outros, mas sem compromissos, a gente evita certas complicações. No final, hoje em dia, parece que namorar requer muita vontade e habilidade!

Os tempos são outros realmente. Até a década de 80 as regras eram mais claras, embora para alguns, era um processo chato e cansativo (rs). Ficou muito mais fácil nos despir na frente do outro e rolar sexo. Mas ficou mais difícil construir intimidade. E todo esse entendimento abarca a realidade gay mas heterossexual também.

 

7 comentários Adicione o seu

  1. Ro Fers disse:

    O meu namoro foi acontecendo naturalmente, mas eu meio que exigi uma formalização, por mais que sub- entende algo.

  2. donizeti a. paulino disse:

    adorei esse comentário,pois hj é assim msm tudo acontesse cm tanta facilidade, mais tbm tudo acaba cm mais rapides, parece que não se tem mais um respeito pelo sentimetos do outro ficou tudo descatavel no mu ponto de vista.isso não é bom…

  3. isaiaspdf disse:

    Realmente hoje se tornou e é mas difícil ter uma confiança,afinidade no outro.Minha opinião.

  4. Frederico disse:

    Lendo seu post comecei a analisar os relacionamentos heterossexuais. Minha irmã por exemplo, apesar de viver um relacionamento há bastante tempo, passa pelos mesmos conflitos, praticamente os mesmos que casais gays vivem. Realmente, tudo depende de como se encara a relação.

  5. Sempre acreditei que as coisas deviam ir acontecendo naturalmente, mas o outro (por três vezes) me pediu em namoro, talvez para formalizar a coisa toda, nunca tinha refletido sobre isto. O último no entanto foi o que mais me deixou confuso, terminou sem dar motivos, sem conversar, sem por as cartas na mesa. Com as mesma facilidade que começou terminou o nosso relacionamento, acredito eu por ter o ego ferido em diversas situações onde o diálogo cutucava sua liberdade. Esta em um relacionamento nos requer comportamentos diferentes de estar solteiro e cabe a cada um saber até onde é capaz de ir acompanhado e/ou sozinho.

  6. João disse:

    Sempre defendi o modo convencional da coisa, essa questão de ficar não foi exatamente feita pra mim. Mas, por vezes, já pensei na possibilidade, já que as chances de ser trouxa são bem menores. Gostei da forma como os diálogos são construídos aqui, parabéns!

  7. obsr disse:

    Namoro não é fácil, independentemente se ele acontece de forma natural ou uma das partes exige formalização. Términos não são fáceis, experiência própria. Realmente as vezes encontramos pessoas que não se importam com os sentimentos alheios. A outra parte torna-se totalmente descartável. Não, ninguém é obrigado a ficar com alguém, não é isso. A questão é o respeito. E as vezes o egocentrismo e o egoísmo são tão fortes que tudo acaba e só o que fica é um: Que se dane.
    Mas namoro é isso. Ninguém nasce sabendo. São com os namoros da vida e relacionamentos que temos que amadurecemos na maneira de lidar e ver as coisas.
    Eu vivi um namoro em que eu idealizei tudo, tentei acreditar em algo que já tinha desmoronado.
    E assim eu aprendi muita coisa.
    Isso acontece com todos. Faz parte da linha finita da vida humana.

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