Sou gay e quero fazer meu namoro dar certo


Mais um dos temas Top 5 do Blog Minha Vida Gay nesses quase 5 anos de vida. “Como fazer para um namoro dar certo?”. Taí uma das principais questões do público gay e achei legal trazer novas reflexões sobre esse tema, agora que estou perto dos meus 40 anos.

Já disse, anteriormente, que fórmulas mágicas não existem. Mas comentei sobre alguns pontos que podem definir a qualidade de um namoro gay ou reflexões pertinentes para fazer uma história virar. Está aqui um dos posts mais acessados para quem quiser ver ou rever.

Acho interessante abordar hoje o assunto “namoro gay” sobre outro aspecto: a maneira que cada indivíduo define um namoro. Os tempos são líquidos, meus queridos leitores, e a convenção para se namorar já não segue mais um padrão normativo: flertar por um tempo, beijar somente num terceiro ou quarto encontro, fazer sexo apenas depois de um mês, namorar, conter influências cristãs na relação e ter a certeza de sua durabilidade, são águas passadas. Esse jeitão de ser, pode até se manifestar para uma minoria (das minorias), mas é um padrão que se dissolveu a partir dos anos 80 e, nem assim, garantiu um “amor para todo sempre”. Querer uma relação desse jeito, nem heterossexual quer mais, para falar uma boa verdade, embora aqueles que ainda perpetuam o modelo mais tradicional tem (também) a total legitimidade.

Nossa sociedade, sob os aspectos de cultura, valores e hábitos, tem se fragmentado cada vez mais. Assim, não há mais como afirmar que o sentido de namoro é um padrão convencionado. Há casais de namorados gays que lidam muito bem com a ideia de frequentar baladas aos finais de semana. Outros, preferem fechar bastante a relação, mantendo longe qualquer tipo de “influência” que possa gerar desconfiança e insegurança. Alguns mais, pensam que introduzir a relação num contexto familiar e com parentes por perto é muito saudável, mas tem aqueles que não veem sentido em ter a família próxima. Tem outros que entendem que abrir a relação colabora com o próprio casal, ao passo que terceiros se fixam à monogamia. Nesse mix de percepções e definições, a grande questão, antes de se namorar é: (1) você sabe o que você quer num namoro? (2) Isso é algo real, factível ou é uma idealização pouco alcançável? Será que, para você, namorar significa mandar Whatsapp para seu companheiro de hora em hora ou ter algum contato somente pelas manhãs e no final do dia? Nos finais de semana, você gosta de ficar largado no sofá com o namorado ou prefere bater perna em lugares diferentes? Essas perguntas e outras mais devem ser questionadas porque, acima de tudo, somos pessoas muito diferentes. Sendo diferentes, uma pessoa que seja igualzinha a você e que tenha todos os mesmos hábitos, ou que vá suprir suas demandas a todo momento, é uma tremenda ilusão.

O que se inclui ou não em uma relação deve ser pensado e, de fato, se relacionar é um exercício que muitas vezes é ofuscado pela carência, pela baixo autoestima e por um desejo louco de se formar par às cegas. As vezes esse desejo é tão intenso que não nos permite elaborar com serenidade a nossa própria concepção de namoro e, para piorar, não nos permite enxergar o outro de uma maneira humana, não idealizada.

Outro ponto que acho importante frisar é sobre a gente saber não alimentar o gênio ruim alheio. Quando assumimos um namoro, principalmente para quem é gay, um sentido de posse se estabelece. Por carência, medo de rejeição e outras coisas mais – que costumam permear a realidade de um gay em um contexto heteronormativo e brasileiro – estamos cheios de medos que se intensificam. Mas não tem que ser desculpa. Nesse sentido, digo que um relacionamento não deve ser um poço de sofrimento, medo, ansiedade e insegurança. Se a sua relação estiver gerando esses sentimentos, posso praticamente afirmar: tem algo bastante errado e, provavelmente, quem está se equivocando é você. De uma maneira mais esclarecida possível, seja gay ou heterossexual, nascemos como indivíduos, livres e independentes. Construir uma relação que vise a dependência é uma fantasia que tende a levar ao fracasso.

Por fim e não menos importante, exercitar a concessão é algo definitivo, mas tem que ser algo mútuo.

Se relacionar, além de paixão e de amor, dá um trabalho de qualquer forma. Então, se você quer fazer um namoro virar, respire bem fundo e esteja preparado para lidar com o que é difícil. Paciência, tranquilidade e serenidade. O outro raramente vem pronto e você está pronto somente para aquilo que acha certo. Não existe relacionamento fácil, de verdades óbvias e de um mar-de-rosas. E se aparentemente existe, é porque o casal convencionou não expor as discordâncias, crises e desentendimentos perante os outros. O que é super válido quando se entende como algo válido. Sabe quando um casal termina e é um susto e uma supresa as vistas dos outros? Pois bem…

Romantismo ideal funciona bem dentro do armário e na sua cabeça. Apenas. Bancar a real de um relacionamento exige certas habilidades. Que tal exercer as suas com paz e tranquilidade?

5 comentários Adicione o seu

  1. Wanderson Dias disse:

    Concordo e complemento dizendo que isso se aplica a qualquer tipo de relacionamento!!!! É sempre difícil as pessoas não são robôs e não sabem o que se passa na nossa cabeça!!! Seu trabalho é belíssimo!!!!

  2. Conviver já é difícil, ainda mais quando se estabelece critérios em um relacionamento convencional para um público que destoante. Acredito não ter nenhuma dica para namoros duradouros, pois saí sozinho de três deles de quase três anos cada. Saber o que se quer é um passo importante como citado acima, e além disto saber dialogar e negociar entre o que foi idealizado e o que construído com seu parceiro também é essencial.

  3. Lucas disse:

    Namoro é algo muito complexo, difícil, mas não impossível de se manter. Tenho um relacionamento de 2 anos e meio, contando desde que nos conhecemos. Não houve uma formalização, um pedido, não temos uma data certa para comemorar. Ficamos inicialmente sem compromisso e ao poucos fomos percebendo o bem que um fazia ao outro. Hoje moramos juntos numa relação bastante estável. Porém existem os conflitos, passamos alguns dias se estranhando e depois tudo volta ao normal. Em muitos momentos não consigo compreender determinadas atitudes dele, mas logo penso que jamais encontrarei alguém que compreenda 100%, cada um tem seus “enigmas”. E as atitudes de certa forma não são tão reprováveis assim. Enfim, acho que nós brigamos e ao mesmo tempo já sabemos que vamos nos reconciliar 2 ou 3 dias depois. É aí que percebo a compatibilidade em nós e os conflitos servem como uma forma de aceitação do defeito do outro. Não há fórmulas, acredito que se os conflitos ajudam a amadurecer o casal o relacionamento é válido, caso contrário o desgaste é inevitável.

    1. Daniel disse:

      Concordo com você Lucas. Minha história de namoro é parecida com a sua. Também ficamos sem compromisso no início e fomos percebendo como um fazia bem ao outro, hoje também moramos juntos. Falando nos conflitos, na minha visão acho válido, pois eles são os responsáveis pelo amadurecimento do casal, claro que existem certos assuntos que são mais complicados e que exige que exista amor de verdade envolvido para que o amadurecimento aconteça, na prática é muito difícil, mas se existe sentimento vale a pena caminhar junto e encarar os conflitos até que a morte nos separe!

  4. Daniel disse:

    Lucas, concordo com tudo que você postou, até porque minha história de namoro é bem parecida com a sua. Os conflitos sempre irão existir, na minha visão servem para fortalecer o casal, conseguindo superar cada conflito o relacionamento amadurece fazendo com que o casal perceba que um completa o outro e que não consegue viver sem a outra metade.

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