Aplicativos para gays

Estou curtindo reescrever sobre temas postados a quase 5 anos atrás com o olhar, agora, de quem está mais perto dos 40 do que dos 30 anos. Algumas percepções mudaram, outras nem tanto, mas trazer à tona assuntos de interesse do público do Minha Vida Gay tem me deixado satisfeito. Assim, dos posts mais clicados, assuntos sobre aplicativos do tipo Hornet, Grindr, Scruff (e etc.) é uma das pedidas.

Talvez eu tenha uma percepção bastante particular e libertária sobre aplicativos para gays com o intuito de relacionamento (ou pegação). Sei que muitas pessoas, principalmente aqueles acima dos 35 anos, tem certa resistência ou preguiça, tecendo diversos “elogios” a esses recursos, tais como: “nos aplicativos só tem gente que pensa em sexo” ou “acho uma idiotice essa coisa de conhecer gente por aplicativo” ou, simplesmente, “odeio quem usa aplicativo”. Bem ou mal, a mim, Scruff, Hornet e Grindr não deixam de ser, hoje, os meios online e interativos mais populares do mercado. Aquilo que se iniciou por meio das famosas “Salas de Bate-Papo do UOL” e que depois virou sites como Manhunt, Gaydar e Disponível, oferece hoje diferenciais de proximidade (e privacidade) que seus antecessores não disponibilizavam. Assim, para mim, são meios com alguma eficiência.

Meios, como uma rede social do tipo Facebook, ou um Blog como o MVG, assumem suas propriedades de acordo com o interesse do usuário. Ao mesmo tempo que tem gente criando comunidades no Face para discutir sobre games e RPG, outros utilizam o mesmíssimo meio para mobilizar pessoas a uma passeata contra os 30 centavos de aumento do transporte público na capital, São Paulo. Assim como alguns leitores do MVG usam o meio para um “classificado de namoro”, do tipo “sou loiro, alto, bonito e gostoso e procuro por um namorado”, outros se apropriam desse mesmo meio para debater os temas que aqui são postados.

A mim, que trabalho com marketing e comunicação na web, os aplicativos gays para pegação tem a mesma propriedade: é apenas um meio cujos recursos são iguais para todos os usuários. Ao mesmo tempo que um indivíduo se apropria do recurso para publicar partes íntimas e atrair outros caras apenas para sexo, outros estão lá para buscar um relacionamento que vá além do sexo.

Uma ideia que eu acho bastante equivocada é a definição: “quem usa aplicativo não merece confiança. É tudo safado”. Expressões semelhantes a essa caracterizam, a mim, um teor reativo e reacionário pois, até onde eu sei, meus amigos solteiros (e até mesmo aqueles que namoram mas optaram por um relacionamento aberto) estão todos nos aplicativos. Assim, parece óbvio afirmar, mas as pessoas que estão nos apps também estão nas ruas e na “vida real”.

Voltando a ideia de meio, os apps são facilitadores de contato e, não só sugerem que os usuários utilizem fotos com um mínimo de qualidade e variação, como também pedem para que as pessoas saibam escrever o nosso tão mal tratado português. Estão aí os primeiros filtros.

Depois, assim como nas salas de bate-papo, acontece a mesma trivialidade de sempre: “curte o quê?”, “quantos anos?”. E claro que um talento ou uma habilidade de expressar ideias pela escrita, além desse básico, podem ser definitivos para o sucesso do flerte.

O meio virtual, que inclui Hornet, Grindr e Scruff, confere uma impessoalidade. Por trás da tela do celular, estamos muito mais protegidos e resguardados do que no cara-a-cara na rua, no bar ou na balada. Com os recursos atuais, podemos fazer algum tratamento nas fotos, mexer nas cores, no brilho e no contraste e, tal habilidade, não exige mais muita especialização. Ainda sobre esse aspecto, podemos passar meia hora tirando 200 delas, com caras, bocas e poses das mais diferentes, numa tentativa interessante e até cômica de apresentar o melhor ângulo de nós mesmos. Assim, tal meio não deixa de alimentar um pouco o Narciso que há dentro de cada um de nós.

Eu acho que todos nós deveríamos levar essa coisa de app com mais leveza. Como qualquer brincadeira ou jogo, existem certas regras e, as vezes, somos muito críticos e contundentes em condenar esse meio. O resultado da utilização dos aplicativos são diversos:

1 – do sexo pelo sexo e de preferência que a pessoa da foto seja a mesma na hora do encontro;

2 – de conversas que podem virar amizade ou até mesmo um ficar sem compromissos;

3 – de algo sem compromisso, que vira beijo e sexo e, no final, pode dar namoro (pelo menos, a maioria de meus amigos mais chegados que estão em algum tipo de relacionamento, conheceram seus respectivos parceiros nos aplicativos).

Tais meios não deixam de ser espelhos reais e definitivos do julgamento. Sim, eu sinceramente acho que muitos daqueles que não curtem os aplicativos – no fundo – morrem de medo de serem julgados e não serem correspondidos. Sabe aquele “oi, tudo bem?” que você lança para alguém de seu interesse e nunca mais na vida é respondido? Pois bem, o bode não é do app, mas dessas situações.

Eu sei que aqueles que estão na fase de deixar aberta uma fresta na porta do armário ou que se consideram heterossexuais mas que curtem transar com outros homens, sentem um baita nervoso, desconforto e aflição em usar tais meios. Tudo isso tem a ver com a exposição e, depois, a correspondência ou não.

Mas se a gente parar para pensar, a vida real é assim, fora ou dentro da tela. Fazer o quê, meus queridos leitores?


coach-de-vida-gay

Sou Mentor e Coach para o público gay e relacionados: pais, irmãos, amigos, entre outros e desde 2011 matenho o Blog MVG como meio de referência, trocas e vivências. Gostaria de uma mentoria ou coaching? www.lifecoachmvg.com.br

1 comentário Adicione o seu

  1. Leandro disse:

    Acabei de comentar no post de 2013 sem saber kkkkkkkkkkkkkkkkk. Mas então, vou complementar neste comentário o que eu falei no outro post. Eu confesso: DETESTO apps de paquera com todas as minhas forças. Não gosto mesmo! E olhe que eu já tentei várias vezes, mas os resultados são sempre frustrantes. Minha última tentativa foi com o Tinder, que é considerado pela maioria gays como “app pra arranjar namorado”. Escrevi no meu perfil que estava procurando apenas amizades e contatos, mas que também estava aberto a outras possibilidades. Até aí, nada de mais. Dei like em alguns caras, mas pouquíssimos curtiam de volta e mesmo quando dava match, eu ia conversar e levava vácuo. Qual o sentido disso? Se o indivíduo dá match, o mínimo que se espera é que ele tenha se interessado, não é mesmo? Mas não, nem isso parece ser regra nesses apps. Eu quebro minha cabeça de tanto pensar, mas parece que nunca vou conseguir entender certas atitudes comuns nesses apps. Não sei se o problema está em mim (que tenho pouca paciência) ou se nos outros (que são estranhos mesmo). Enfim, essa foi minha última tentativa. Não pretendo tão cedo entrar em outros apps. E mais: torço pra que essa modinha de pegação pela internet acabe logo, pq eu acho insuportável. #prontofalei

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