Falando em casamento gay


“Casamento gay” foi o tema do primeiro post aqui no Blog MVG. Porém, tive a oportunidade e ir a uma primeira celebração desse tipo, na real, no sábado passado. Casaram meus amigos Tiago e Michel, logo após completarem dois anos de namoro.

Se tive alguma influência para que os dois chegassem até esse ritual, posso dizer que foi mínima. Tiago recorreu ao Minha Vida Gay, há três anos atrás, numa época em que estava com metade do corpo dentro do armário. Existia o autopreconceito por ser gay e oriental, o medo de assumir para a família e amigos próximos e um punhado de decepções sobre “homens gays” que abusaram de sua ingenuidade naquele tempo.

Após três anos e uma sequência de experiências, felizes e igualmente decepcionantes, nos reunimos todos os “amigos do MVG” para comemorarmos juntos o feito do casamento: familiares e amigos espalhados pelo salão, altar, fotógrafo, pais, madrinhas, cerimonialista, buffet, bebidas, pista de dança e tudo que configura um casamento nos moldes clássicos.

Uma simbologia importante se estabeleceu, pautado no discurso de maneira sutil (ou nem tanto), da necessidade autoafirmativa de que “ser gay é normal”. Definitivamente, as sensações que reverberaram do casamento do Tiago e do Michel foram de ampla normalidade, daquilo que qualquer pessoa que já foi a um ritual desse tipo compreenderia os significados e as etapas sem surpresas.

Após meses, pude reencontrar o Japinha, meu ex-namorado. Das horas em que o grupo – os “amigos do MVG” – passaram juntos, reservamos alguns minutos para nos questionar sobre nossas famílias, assunto que era bastante comum na época do namoro. Quase que em uma obviedade, quem puxou assunto fui eu, pela natural vontade de saber se estava tudo bem e pela vontade de quebrar um certo gelo e desconforto que se estabeleceu entre alguns dos demais amigos que não sabiam direito em como agir em nossa presença (rs). Sei que o Japinha também correspondeu com essas duas intenções, sensível e perceptível aos nossos amigos que se pegavam sem jeito. Quis perguntar a ele como andava seu relacionamento, ciente pelo próprio Tiago que o Japa estava “namorandinho”. Mas resolvi não fazer, imaginando que ele não se sentiria confortável em eu entrar em sua intimidade.

O fato de eu “ser aberto” é um das minhas virtudes e defeitos. Defeito, que culminou inclusive no afastamento do meu ex-Japa, depois que terminamos e de eu ter exposto demais meus feitos ou desfeitos pós-término. Virtude, em ter tomado a iniciativa de puxar uma singela conversa para quebrar o gelo que, talvez ele o fizesse em algum momento, mas que no registro do encontro foi estabelecido por mim. Sem méritos, sem deméritos, apenas relativizando o “bem ou mal” de ser assim ou assado.

Na roda entre os amigos do MVG, que inclui o Tiago, ficou novamente claro como os caminhos de cada um tomaram forma, se consolidaram e, possivelmente, não criaram muitas intersecções. Natural. No final, saber que tenho um pouco deles, no sentido de que o meu espírito conversa com cada um, individualmente, fica como um dos legados que é toda essa história de MVG. Autoafirma o que é o próprio MVG.

O que os unia de uma maneira geral era o armário e, enquanto a sombra do mesmo estava próximo, a conexão era legítima. Agora, cada um está (definitivamente) vivendo suas vidas, construindo suas identidades, pautadas fortemente em seus respectivos relacionamentos, idealizações, expectativas e formatos.

Tiago veio me perguntar, ao final, na despedida, o que eu tinha achado. “Simples, leve e gostoso”, foram as minhas sensações. De tudo que foi o casamento, faltou apenas o buquê. E essa falta, talvez, não tenha feito falta nenhuma.

 

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