Resumo da semana


Um gay namorando, um gay solteiro

O post de hoje é melhor ser evitado por aqueles que acreditam que é impossível namorar um cara que, enquanto solteiro, faça diversas “safadezas” e quando está namorando saiba cumprir bem a função de companheiro e etc. Por aqueles que acreditam que esse tipo de pessoa não existe. Falo do meu caso, sem falsa modéstia, e sei que muitos gays (principalmente os mais jovens) tem essa impressão: “pessoas sérias não fazem putarias”. Eu entendo essa ideia como um equívoco pela falta de experiência ou excesso de idealização.

Depois de mais de um mês quieto, recolhido e curtindo o fim do meu último namoro, resolvi assumir a vida de solteiro. Assumir, basicamente, no sentido de começar a me socializar de novo, depois de ter respeitado meu tempo recolhido. E como um “bom veterano” conhecedor dos meios, estou longe de ter aqueles julgamentos depreciativos pelos próprios.

O MVG tem um fluxo interessante e já percebi isso algumas vezes: toda vez que começo a namorar (foram 3 namoros nesses anos de Blog), meus textos acabam mais orientados pelo olhar de quem está vivendo uma relação. Os assuntos, provavelmente, circundam vontades, desejos e expectativas daqueles que visam estar ou estão em par. Um número crescente de seguidores do Blog e da audiência aumenta, de um perfil de gay que idealiza um relacionamento mais normativo. Mas quando assumo a solteirice, sou “abandonado” por esse perfil de público gay, alguns se indignam em comentários, a audiência cai e os seguidores param de seguir e, depois de um tempo, aumenta um número de gente que curte uma certa “libertinagem” – rs.

É por essa e outras que eu não posso vincular o MVG a ganhos. Se eu fizesse, teria que entrar num esforço para aumentar cada vez mais audência (e não perde-la). Mas isso iria, ao mesmo tempo, banalizar o meio. O que é legal aqui é a veracidade sem cair no vulgar.

Dentre tantas dualidades e maniqueísmos que o mundo tem vivido hoje, até nesse tipo de coisa se manifesta: os gays pudicos VS. gays putos. Por isso já digo para quem só acredita e sente prazer apenas pelas fantasias do mundo “cor-de-rosa”: eu, Flávio, estou solteiro e passo a narrar a partir de agora a vivência de um gay solteiro em São Paulo – rs. Pode botar no pacote aquelas “safadezas”, que muita gente faz ou deseja, mas tornar público gera algum incômodo. É (enraizadamente) um pecado. Ficamos muito presos aos modelos e o escritor que vos fala – para quem lê o Minha Vida Gay há algum tempo já sabe – transita de cá e lá com muita facilidade. Existe um equilíbrio entre meus anjos e demônios.

Confesso que nos últimos anos o frenesi pela diversão ficou mais baixo pela pura natureza da idade. Mas não há como me desvincular de minha personalidade e de todas as experiências que vivi, principalmente, entre os 31 aos 33 anos. Ganhei muita segurança nesse tempo. Então, queridos leitores que se sentirem assustados (por serem mais conservadores), eu os entendo. Só evitem seus chiliques nos comentários, pois, a maneira que vocês entendem o mundo não é absoluta.

Depois de relutar bastante, pensar e repensar, resolvi reinstalar os aplicativos. Para a minha não-supresa (rs), sabia que o Rafa estaria por lá. Como eu pago o Hornet, consigo ver as pessoas que clicam no meu perfil. Por coincidência, ele tinha visto o meu há alguns dias antes.

Conviver com o ex no mesmo espaço de pegação?! “Não há de ser um problema!”. Estamos solteiros e qualquer ruído a essa afirmação seria manifestação de apego ou controle.

Em uma semana me dispus a uma curtição com dois caras, o que reinaugurou o “Motelnaga” – junção de motel com parte do meu sobrenome (rs). Apesar desse impulso logo de começo, da mesma forma que estou sossegado por dentro, não estou entrando em empolgações extremas pelas pessoas que vem puxar conversa. É claro que – como homens – o desejo pela estética via aplicativo costuma ser a estaca zero para que se realize algo de maneira mais rápida e sem compromisso. Tem gente que não consegue tratar o outro como um mero “pedaço de carne”, por pudores ou até mesmo personalidade. Mas tem gente que consegue, e tal feito não deveria ser uma bronca para aqueles que não se dispõem a isso. Absurdo, também, dizer que isso “é coisa de gay”: basta olhar para o “mundo hétero” hoje para ver como eles se comportam pelos aplicativos.

Eu me entendo assim: consigo aproveitar o melhor dos mundos. Pode parecer arrogante, mas deixa de ser quando me envolvo em relacionamentos afetivos no momento em que assumo os mesmos e sei viver bem o jogo da curtição quando há espaço para isso. Isso incomoda muita gente, aquela que só acredita no azul ou só no vermelho. Meus propósitos são de me encontrar na mistura. Faz um tempo.

Antecipadamente, me despeço daqueles que largarão o MVG por temer (porque é medo na maioria das vezes) esse lado profano e aproveito para dar as boas vindas para aqueles que entendem do que estou falando.

No domingo vou me reencontrar com um ex-peguete (que virou amigo) e que, por sinal, conheci no Grindr. Mestiço. Se eu estou solteiro, que eu aproveite bem sem viver de moralismos-cristãos-encubados.

Os deuses pagãos eram muito mais divertidos.

9 comentários Adicione o seu

  1. obsrElton disse:

    Sou exatamente assim, quando me envolvo com alguém sei viver o respeito, a fidelidade e dar amor. Mas se estamos solteiros, qual o problema de curtir a vida adoidado. Nós estamos vivos, e é exatamente se relacionando com pessoas que acabamos nos esbarrando com alguém novamente. Opinião pessoal, mas o contrário é falso moralismo.

  2. Leo disse:

    Concordo com o Elton, no sentido de estarmos vivos e a oportunidade de encontrar com alguém. E com você no ponto em que fala da falta de experiência, maturidade, e o excesso de idealismo. Com mais de 30 acho que ninguém é mais criança certo? Se alguém quer algo sério, acontece algo. Caso não, viver não é nenhum crime.

  3. Pedro disse:

    Serei absolutamente impertinente e inconveniente agora, e vou meter a colher onde não deveria…

    Vamos lá…

    Particularmente aprecio mais o que você fala quando está namorando, parece estar mais bem resolvido consigo e isso se reflete no que você escreve, acho que essa “entre-safra”, ou seja, curtir o luto mesmo que se enchendo com a presença de outras pessoas é sofrida demais, caso vc seja do tipo que curta estar num relacionamento. É saber aproveitar a “beleza” de cada momento da vida…

    Que pena, espero que encontre logo um namorado, pois aprecio muito o que vc escreve nesta fase “ideal” (que vc mesmo revelou), tudo mesmo ou quase tudo. Rsrsrs.

    No fundo sei que gostei do que vi vc dizer que terminou o namoro, por razões pessoais mesmo, um desejo recalcado de namorar alguém como você demonstra ser pelo que diz ser, um desejo de ter alguém assim ao meu lado. Assim, como você é, ou parece ser.

    Sim, isto é uma cantada, despretensiosa sim também, e sem a menor intenção de se realizar (até porque realizar estraga tudo em alguns casos). Porque como o Lacan fala, o desejo por si só já é uma realização, uma resolução da libido.

    Boa sorte! Sobre o antigo namorado, bem, como diziam os antigos Gregos, pagãos como você nesta “fase”, Orai por ele! rsrsrsrsrs.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Pedro, tudo bem?

      Não te achei impertinente não. Como disse, sei bem de como funciona o MVG para leitores que se envolvem mais com os textos. Está tudo bem! :)

      Como você deixou a entender, talvez você tenha se envolvido um pouco pela ideia do autor (no caso eu) que você mesmo formou a você. E está tudo bem de novo. Isso é normal acontecer também.

      Te agradeço porque você até que pegou leve com os julgamentos. Da última vez que terminei (com o Japinha) vieram umas pessoas pegando beeem pesado, diante a frustração com a minha “mudança” de postura.

      Não sei se você vai continuar a seguir o blog a partir de agora, já que retomarei assuntos de um gay solteiro e das vivências que esse estado pode me oferecer.

      Mas se continuar, vai ver como até essa sua impressão “ou azul ou vermelho” passará.

      Obrigado! Você foi gentil no final.

  4. Pedro disse:

    Só mais uma coisa que eu gostaria de falar…

    Desculpe se pareço intrometido novamente. E agora eu te aviso de novo, serei ainda mais inconveniente e impertinente.

    Eu aprendi uma coisa, que a vida tem me ensinado e eu relutei em aprender durante muito tempo.

    Você não é bipolar, Flávio, afetivo-sexualmente falando, você é normal cara, acima de tudo, você é um ser desejante como qualquer outro, mas a verdade é que vc parece saber o que quer da vida, e se sacrifica pelos teus objetivos, mas sabe que não pode ser assim o tempo inteiro.

    Acho que no teu caso, se você encontrar alguém com quem vc consiga viver um relacionamento aberto, eu acho que o teu relacionamento irá durar bastante tempo, quem sabe, pela vida inteira, veja bem, basta que você se permita experienciar isto, mas se permitir não é uma questão de querer se permitir conscientemente, é uma questão dos teus valores inconscientes te permitirem fazer esta escolha.

    Eu não consigo falar isso pra mim mesmo, porque eu não sei realmente muito sobre e para mim dentro de um relacionamento com outro cara, porque não tenho uma experiência minha disso, entende, eu não me conheço o suficiente, como você se conhece na dinâmica de um relacionamento para saber o que eu quero ainda nesse tipo de coisa. E tem outra coisa, não curto experimentar assim, experimento de outro jeito, incomum, sim, mas experimento. Aliás, não existe ninguém que não experimente, por trás de todo santinho, tem uma puta reveladora querendo sair, mas ele não deixa (Recalque) rsrsrs.

    Você parece já saber, quer dizer, eu diria peremptoriamente que você já sabe cara, eu sinto em você isso, veja, eu sinto que você necessita dessa estabilidade emocional ao lado de alguém, você parece buscar neste alguém este porto-seguro, digamos assim, mas nós somos humanos Flávio, e você também é, e por isso precisa desse tempo. Tempo pra deixar de ser gente, e virar bicho, ou bicha, como vc preferir. Sem qualquer significado pejorativo. Porque todos somos assim.

    Na verdade você já sabe o que quer, vc prefere viver assim, quer dizer, fazendo e refazendo relacionamentos, quer dizer, você tem saco pra isso, e quando eles acabam você se permite ser gente (ou melhor bicho), e viver o outro lado da Lua, entende o lado da Lua que não enxergamos. O lado “obscuro” da Lua.

    Você parece ser como a Lua, funciona como ela, ou pelo menos diz que funciona, Flávio, você parece ter fases, posso estar enganado, mas parece que vc quer que seja assim, pq é assim que as coisas se resolvem pra vc.

    Não acho estranho que vc mude de comportamento, quando está solteiro ou namorando, veja bem, isso é a forma como vc experiencia isso de se relacionar com as pessoas, porque vc tem essa auto-disciplina.

    Mas não precisa ser assim, se você não quiser que seja, pode ser diferente, será que agora não é a oportunidade de vc procurar este alguém que te permita experimentar de VERDADE este outro jeito? Só pra ver se você se sente melhor, e deixa de se comportar como Lua, e seja o que todos nós somos Flávio integralmente, estrelas, corpos celestes com luz própria, assim como o Sol é.

    Mas pode ser que vc não queira, ou não goste de ser assim, e prefira ser Lua mesmo. Mesmo que vc realmente não seja.

    Desculpe falar assim, não sei se você gosta desse tipo de abordagem mesmo, mas eu estou sendo real contigo, ou seja, este é o meu verdadeiro self se manifestando,

    Não queria que fosse assim, mas realmente não sei se vc leria algo, ou se daria ouvidos se mandasse algum e-mail privado. Aqui pelo menos, você pode me xingar se quiser, mas sei que você vai ler, e talvez me responder.

    Quero lembrar, que sim, posso estar enganado em tudo a seu respeito, e mais uma vez, perdoe-me por isto, sou humano, infelizmente rsrsrs. O nosso modelo cristão não permite isso, mas no modelo grego até os Deuses erram.

    Enfim, reflexões e mais reflexões. Não quero falar mais nada, e nem devo. Já falei demais o que devia e o que não devia.

    Receba isto, peço-te humildemente, mesmo que seja imperfeito (ou errado rsrsrs), como um presente, talvez o único que possa oferecer, como aquele que, analogamente falando, Maquiavel deu a Lourenço de Médici. Mesmo sabendo que não sou um astuto observador como ele foi, e sendo apenas um aprendiz, um eterno aprendiz na escola/academia em que você já é mestre.

  5. minhavidagay disse:

    Oi Pedro! Está tudo certo – rs. Não me ofendeu com suas palavras. Aceito de bom grado. Sigamos em frente! :)

  6. Róger disse:

    Oi Flávio, boa tarde
    Visualizo seu blog ao menos uma vez na semana e para mim, acredito que a sua mudança de “atitude” não irá interferir.
    O bacana dos seus relatos é a identificação como ser humano que somos, e isso inclui os “causos” das relações; sejam elas afetivas, profissionais, etc.
    Acredito que qualquer situação pode ser transformada em romance, se os corações se dispõem a isso, além do mais, acredito que existe uma lei da atração em tudo, semelhante à lei da gravidade, que nos empurra emocionalmente na direção de quem toca os nossos sentimentos.
    Acredito ainda que o único cuidado que precisamos ter conosco, é o de não cometer os mesmos erros, não “andar para trás” e voltar no vazio.
    Os tempos são de coisas transitórias, mas, estranhamente, todo mundo parece estar procurando alguma coisa, né?
    Abraços!

    1. minhavidagay disse:

      Adorei seu raciocínio, Róger!

      E voltar para trás, as vezes, para dar três passos para frente! Mas não é o caso. :)

      Abraço!

  7. anonimo brow disse:

    Muito bacana o blog, sempre que posso faço uma visita!
    aproveito para deixar meu email – josedelfinodasilveira@gmail.com
    abraços.

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