Lealdade ou fidelidade


Reflexões sobre a monogamia entre dois homens

O post anterior gerou assuntos e comentários interessantes sobre a monogamia entre gays, no caso, um casal. Tal tema, para quem acompanha o MVG faz um tempo, sempre é revisitado e depois de um acúmulo de relacionamentos, eu tenho algumas percepções que definem a maneira que me relaciono hoje. “Maneira que eu me relaciono hoje” e, inclusive, entendo o tema monogamia.

Antes de mais nada, posso afirmar com todas as letras, gestos e sinais (rs), que o encontro que se deu entre eu e o Beto tem sido incrível. Ele, certamente, tem mostrado parte de mim – aquela de ter uma personalidade bem definida, uma identidade, sem a necessidade de imitação ou autoafirmação – que muito me chama atenção e aponta para novas afinidades que eu não conseguia perceber até então. Não existe propriamente uma formalização do namoro. Mas de desejo e vontade e da realização dos mesmos, é disso (namoro) que temos nos proporcionado desde o nosso primeiro encontro.

Contextualizado rapidamente o leitor, volto ao tema: monogamia.

O que posso afirmar com todas as letras do meu abecedário, nesses mais de 15 anos vivendo namoros, é que a monogamia não nos atesta garantia nenhuma. Tampouco imagino que um relacionamento aberto tenha essa função.

As vezes, temos uma percepção equivocada de que a monogamia, pautada na fidelidade, nos trará um segurança e um conforto por toda relação. Certos disso, colocamos a fidelidade como um eixo referencial que conduzirá toda a história, crentes que assim garantiremos a nossa paz. Mas, sem nos darmos conta, passamos muito tempo a mercê de uma iminente traição. Entendo duas verdades: (1) onde há a cobrança intensa pela fidelidade, há sempre a “sombra” da traição, mesmo que fantasiosa. Quantas relações gays não acabam devido a pressão e o sufocamento pela fantasia e não da traição (real)? Quantas relações gays, diante de tanta pressão e cobrança, não exaure o outro que é cobrado e que acaba (justamente) traindo ou abandonando? Em outras palavras, nos tornamos meio que reféns desse modelo, o que a mim passou e foi muito desgastante; (2) fixos ao altar da fidelidade, desumanizamos a nós e ao outro que, sim, vejam só: são falíveis! O segundo ponto é indiscutível. Eu afirmo hoje, com bastante clareza, que quanto mais exigimos a fidelidade, mais reduzimos o espectro de abrangência de um relacionamento. Seja moral, geográfico, emocional, da amizade e etc.

Por outro lado, quando duas pessoas se conhecem e surge uma sintonia (a medidade dessa sintonia é muito particular e não há termômetro para qualificá-la), eu acho extraordinário a existência da monogamia. É o momento que duas pessoas se permitem a se conhecer na intimidade. A construir importâncias como casal, o sentido de companheirismo, a crucial amizade, as nuances na cama e tudo que essa conexão nos estimula a fazer. O tempo que isso leva pode durar dois ou três anos, não sei. Varia muito de casal para casal. A ciência diz que a química da paixão, em média, borbulha dentro da gente por dois anos. De qualquer forma é algo consensual desde o princípio, quando o sentido de lealdade abarca o de fidelidade. Quando entendemos que, por mais que se esteja convencionado a fidelidade na monogamia, não se coloca como uma cobrança periódica. Fica subentendido e entregue a dois dos sentidos da lealdade, que é a confiança e o respeito. Confiança e respeito são valores que se exerce pelo outro, mas não tem como cobrar. Se a gente cobra, já desconfia e, sim, desrespeita. A conta não fecha.

A fidelidade nem sempre enxerga o companheiro como amigo. Já a amizade é parte integrante da lealdade.

Normalmente nos equivocamos com estes dois conceitos: lealdade e fidelidade. Em conversas com a minha mãe que é/foi professora de português, está bem claro que lealdade abarca a fidelidade. No momento em que a fidelidade é restritiva e traduz a não traição, a lealdade é aquela que permite situações do tipo: “alguma coisa mudou entre a gente, não é? Vamos ver o que fazer com isso antes que a gente se machuque?” – eis um gesto de lealdade e não de fidelidade. A lealdade permite a falibilidade. A fidelidade é pétrea.

Eu sei, eu sei e eu sei que tais conceitos são muitos difíceis de se compreender mediante os valores culturais herdados em nossos lares heteronormativos. Eu sou um dos primeiros a lembrar, neste contexto, que somos todos (ou uma maioria sem tamanho aqui no Brasil) filhos da heteronormatividade. A nossa heteronormatividade nacional está repleta de (1) machismo (que no contexto me parece refletir no “orgulho do macho que não pode ser traído”) e (2) Cristianismo, que na prática, nada mais, nada menos, é uma das maiores bandeiras da monogamia . Eu arrisco a dizer que se um gay é (demasiadamente) apegado à fidelidade, carrega muito da cultura machista e religiosa. Mas veja bem, não quero fazer disso uma ofensa. Vale a pena pensar.

No mais, o fato é que nenhuma destas certezas pagam a satisfação do “aqui e agora”. Deixar de viver relações por se carregar fixamente determinados valores, talvez justifique um dos motivos de um indivíduo não conseguir se relacionar. É fundamental soltar as travas (e no fundo, cada um sabe quais são elas ou se não sabe há de aprender levando umas “porradas” da vida) e se entregar a certas raridades do encontro. Nos meus mais de 15 anos de relacionamentos, entre paradas curtindo a minha solteirice, todas as minhas experiências acumuladas me levam a crer que não existe nada que nos garanta a perpetuação de um relacionamento. Nem filhos, nem fidelidade, nem mandinga, nem dotes. Nada. Eis aí, talvez, o nosso maior exercício de desapego, o que, ironicamente, garantirá as melhores relações.

O que sei é que (estatisticamente falando) é que todos amigos ou conhecidos que levam um relacionamento gay para mais de quatro anos, abrem a relação de vez em quando ou tratam a abertura consensual como algo normativo sem “sofrências”. Eu, particularmente, ainda não atingi essa estatística, mas boto fé.

O que não quer dizer que eles não tenham problemas. Como disse, é ilusório achar que algum modelo de relação nos garanta a perfeição.

No mais, não deixemos que o nosso apego demasiado a valores sejam barreiras “míopes” às oportunidades de hoje. “Lá pra frente a gente vê juntos” – como dissemos eu e o Beto e vice-versa.

 

9 comentários Adicione o seu

  1. Igor disse:

    Nunca tive nenhum relacionamento ainda, mas considero o amor um sentimento exclusivista. Se há amor, haverá monogamia, apenas como consequência natural. De fato, a monogamia não deve ser buscada a todo custo, como se fosse a garantia da felicidade. Concordo com você. Também acho que simplesmente agir de acordo com os desejos não é o mais correto, caso contrário você se tornará escravo de seus vícios. A verdadeira liberdade requer responsabilidade.
    Exemplifico: vamos pegar um casal hétero tradicional, e considerar duas situações distintas: o homem trai a esposa ocasionalmente, com uma mulher aleatória; o homem sustenta uma amante de longos anos às escondidas, tratando-a com o maior carinho. Qual das duas situações vocês acham a “pior”? Aparentemente, muitas pessoas consideram a segunda, e dizem que a primeira não é grandes problemas, pois trata-se de algo feito só uma vez ou outra na vida. Mas na verdade é o contrário! Se o homem queria apenas sexo casual, e tinha que trair a esposa para isso, significa que se tratava de algo que ele poderia controlar! Apenas uma “coceira” que ele poderia deixar de lado se usasse algo que os seres humanos possuem chamado “autocontrole” e que, diga-se de passagem, é bastante saudável. Mas na segunda situação, o amor que ele sente pela amante torna a situação mais perdoável. Quando há amor desse jeito, há alguma espécie de nobreza.
    Enfim, eu queria chegar num nível de relacionamento em que pudesse dizer a meu parceiro, e ele dizer a mim, “Senti muita vontade de fazer sexo com fulano e tal, mas… Não sinto nada de especial por ele. Não quero trair você! Ajude-me a esquecê-lo.” E caso eu ou ele nos apaixonássemos por alguém, gostaria também que se chegasse a um nível em que essa informação fosse exposta e trabalhada, a fim de chegar a uma conclusão a respeito de se o relacionamento deveria mesmo terminar, porque a nova paixão é mais intensa do que o amor antigo…
    Ao final: não concluí nada, mas deixei algumas coisas a se pensar também. Rsrsrs

    1. minhavidagay disse:

      Basicamente, Igor, você idealiza uma relação leal rs

  2. Pedro disse:

    Discordo um pouco dos teus conceitos de Fidelidade e Lealdade. Lealdade e Fidelidade não implicam necessariamente a existência de um afeto entre os envolvidos de uma determinada relação, independente de sua natureza, seja ela amizade, amor romântico, dentre outras enfim.

    Pra mim acho que fica claro quando falamos dos contrários destas palavras: Infiel e Desleal. O infiel é aquele que não cumpre com os acordos, que não segue as regras pré-estabelecidas que ele concordou em seguir, dentro de um acordo em específico. O desleal é o que age de forma desrespeitosa, injusta com outro, não diz respeito apenas a um acordo determinado ali, mas de uma conduta mais generalizada, abrangente, que segue pressupostos mais gerais, mais amplos. Ou seja, pra mim a fidelidade seria uma espécie de ‘lealdade’ a um certo acordo, a um certo projeto. Enquanto a lealdade refere-se a uma coisa mais geral.

    Fidelidade dentro de um relacionamento não se refere apenas à parte sexual. Inclusive existe a infidelidade amorosa que talvez seja muito mais dolorosa que a sexual, só que por vezes passa por despercebida, ou até mesmo é pouco valorizada. Porque é bem verdade que sexo é poder, o amor não é assim, e por ser ‘abstrato’ ele passa até por despercebido.

    E as vezes existem pessoas que são infiéis amorosos que não tem nem ciência de estão traindo, isso é até uma das coisas que se tornou comum nos dias de hoje, existem pesquisadores que falam sobre isso. E assim como existe a infidelidade amorosa, existe infidelidade em outros campos da vida, dentro e fora de um relacionamento amoroso.

    A fidelidade e a lealdade são conceitos muito relativos. Por exemplo, a pessoa que traiu o acordo de um relacionamento transando com outra pessoa, foi infiel ao seu parceiro, porque descumpriu o acordo. Mas ironicamente foi fiel a si mesmo, aos seus impulsos, aos seus desejos, o que também é importante, aliás, de suma importância. Não há nada de egoísta nisso, egoísta é querer controlar a vida, e até a libido do outro, sendo que isso ninguém é capaz de controlar, é como ir ao banheiro, a gente pode até conseguir segurar, mas uma hora aquilo acontece e não tem jeito.

    Tudo tem dois lados ou até mais (rs) , a fidelidade também passa por essas coisas. Não precisa ser abolida ou substituída pelo conceito de lealdade, são diferentes e não duas faces de uma mesma coisa. E sim, uma engloba a outra.

    Em relacionamentos abertos a dinâmica se dá de maneira diferenciada, faz parte do acordo, por exemplo, poder transar com outras pessoas. Portanto, neste caso a fidelidade é preservada sim, afinal, o acordo foi cumprido. Não existe traição neste caso, pois fazia parte do pleno entendimento realizado pelos membros do casal anteriormente.

    A verdade é que cada casal que tem um relacionamento aberto pode fazer um arranjo específico, de acordo com as prioridades de cada um. Não há regras.

    Sobre a monogamia. Ser monógamo no mundo de hoje não é nada fácil, principalmente quando você não tem nenhuma propensão a isso. Mas isso não implica necessariamente que não seja possível que algumas pessoas possam manter uma relação de monogamia com alguém por vários anos. Existem pessoas monógamas por natureza, e existem aqueles optam pela monogamia como um estilo de vida. Ambas as situações são amplamente legítimas. E eu não tenho certeza, mas acho que o próprio relacionamento aberto, é um dos tipos de arranjos monogâmicos que existem.

    Modelo perfeito, realmente não existe nada perfeito que seja feito por seres humanos, aliás nada que exista nesse mundo o é. A real medida das coisas não é quão bonitas ou perfeitas elas são, mas sim até que ponto funcionam com uma certa eficiência, sem causar danos graves, porque os danos também fazem parte do processo. Afinal, não se faz um bolo sem se quebrar alguns ovos.

  3. Jorge disse:

    Mais reflexões sobre monogamia

    Discutir nossos valores, nossas crenças é para mim um dos melhores modos de crescer e evoluir; e evoluindo aprendemos a ser pessoas melhores e melhores parceiros. E dito isso posso me atrever a falar um pouco mais sobre esse assunto tão interessante que é a relação entre dois serres humanos e o papel, útil ou não, da monogamia.

    Creio que a monogamia foi inventada em um contexto totalmente diverso do nosso, um momento em que a sobrevivência era muito mais difícil que agora. Hoje é perfeitamente possível para um adulto mediano viver e se cuidar sozinho, inclusive se entretendo com companhia virtual, real ou sem nenhuma companhia. Portanto, nesta época maravilhosa há espaço para que surjam pessoas completamente autônomas e relacionamentos entre essas pessoas tendem a ser de certa maneira mais voláteis.

    Neste contexto para que serve a monogamia então? O Flávio disse, e eu concordo com ele, “…a monogamia não nos atesta garantia nenhuma.”. Não mesmo! Porque nessa vida nada é garantido, a saúde, o dinheiro, a lucidez… tudo que prezamos pode acabar. Porque não nossos relacionamentos.

    Fazemos a nossa parte: cuidamos da saúde, nos alimentamos direito, fazemos exercícios, compramos seguros para a casa, para o carro, chegamos no horário e esperamos que tudo dê certo… torcemos para que tudo dê certo. Mas ainda assim… pode dar errado. E geralmente dá, a sorte é que, normalmente, nem tudo dá errado ao mesmo tempo. Ufa! Pensei que o texto ia sair deprê…

    Por isso existe a fé, palavrinha pequena e bonitinha, mas tão perigosa quando o contexto está errado.

    A fé pode significar que avançamos mesmo sem certezas e damos o nosso melhor ou que acreditamos sem provas e fazemos qualquer coisa por uma ideia que geralmente não é nossa. Para efeito na nossa discussão vou usar o primeiro sentindo.

    E assim chegamos a nossa conclusão: monogamia é um ato de fé.

    Acreditamos que o nosso parceiro está conosco por respeito e admiração e empenhamos à ele nosso respeito e admiração. Sabemos que não somos perfeitos tampouco ele é, perdoamos as falhas (mesmos as de fidelidade) desde que a lealdade permaneça e esperamos que ele faça o mesmo por nós. Sabemos que envelhecemos, que a beleza se vai e contamos que ele veja além de nossas peles e se lembre porque nos escolheu e gratos olharemos de volta da mesma forma.

    Sou mesmo um romântico!….

    1. Gustavo disse:

      Achei ótimo teu comentário, sem falar na forma de escrita. Parabéns.

      1. Jorge disse:

        Obrigado Gustavo. Você é muito gentil!

  4. Gustavo disse:

    Fidelidade e traições, tema polêmico. Mas nada como uma polêmica para nos fazer repensar a vida.
    Olha, tive dois relacionamentos logos até então: um de sete anos e outro de três. No momento, solteiro e de boas com isso.
    No meu último relacionamento, o qual terminou há um ano, enfrentávamos as dificuldades da vida e falávamos em casamento. Eramos uma dupla inseparável e, na minha concepção, feliz. Quando terminamos, vieram as notícias das traições – as quais aconteciam nos últimos meses da relação e a consequente tentativa dele de retorno.
    Sabe, tínhamos um relacionamento aberto para conversar tudo, falarmos de nossos desejos, afetos, vontades, necessidades e, inclusive, havia uma combinação de revermos o que nos mantinha juntos ou mesmo a vontade de ficar um pouco longe (que é mais do que saudável!).
    Minha decepção foi a deslealdade contida na traição. A mentira. A “passada pra trás”. A diferença de entrega. Eu construí planos – e modifiquei vários tantos – baseado numa relação que eu achava que tinha. Baseado num cara no qual eu confiava e com o qual transava sem camisinha.
    Penso que a infidelidade (ou deslealdade, aqui, entendida, por mim, como sinônimos) é uma coisa dolorosa e mesmo que buscasse um relacionamento heteronormativo, ela estaria incluída. Mas não é/foi o caso.
    Eu construía uma relação baseada no que via e sentia, sem ficar perdendo noites sobre o que eu não via – até porque nunca me casaria com alguém em detrimento da minha paz de espírito.
    Quando li o texto senti a necessidade de alguém que buscou se adequar ao mundo em que vive, tentando acalmar o que sente lá no fundo. Como disse, foi apenas um sentimento.
    Concordo que não sei o que pensar exatamente sobre esses conceitos hoje em dia, mas sei que a honestidade é base para qualquer relação saudável, justa e respeitosa.

  5. André Luz disse:

    Olá Flávio! Tudo bem? Não é a primeira vez que você diferencia os termos do leal e fiel e as pessoas ainda os confundem, ou por se sentirem confortáveis em suas crenças, não se fazem entender. De qualquer forma, são concepções bem interessantes. Continue escrevendo mais sobre o assunto. E sobre comentário do nosso colega de que monogamia é um ato de fé: estou ferrado! Ateu como sou não serei fiel nunca partindo dessa lógica judaica-cristã, hahaha. Mas sabe que faz sentido? Ainda mais se levarmos em conta que essas monogamias surgiam da necessidade das tribos de manterem os patrimônios entre suas familias e o divórcio não era visto como opção. Um abraço!

    1. Jorge disse:

      Oi André! Quando usei a palavra “FÉ” não foi no sentido religioso. Também não sou um “crente”. Eu fiz uma distinção: “A fé pode significar, (1) que avançamos mesmo sem certezas e damos o nosso melhor … OU … (2) que acreditamos sem provas e fazemos qualquer coisa por uma ideia que geralmente não é nossa. Para efeito na nossa discussão vou usar o PRIMEIRO sentindo. “. E o melhor, em um relacionamento, é acreditar que o parceiro é uma pessoa legal e confiável; afinal, o parceiro é alguém que escolhemos para estar ao nosso lado. Porque escolheríamos alguém em quem não acreditamos? Fidelidade é que nem um beijo, só é legal se nos oferecem espontaneamente, beijo roubado não vale e fidelidade exigida também não.

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