Nascimento das estrelas


Viés lúdico

Mais uma para meu diário aberto e adolescente no MVG e começa assim: há um pouco mais de um mês, não imaginava que estaria gostando – do jeito que estou gostando – de uma pessoa. Tive um intento de namorar, igualmente há um pouco mais de um mês e de repente surgiu a possibilidade.

Nos tornamos contraditórios quando o envolvimento emocional começa a se instalar por dentro: por mais que eu saiba que tudo ou quase tudo tenha começo, meio e fim (razão falando), não entro numa relação pensando no final (emoção definindo). Não é contraditório? Eu acho bastante e, agora que me vejo nessa sintonia novamente, eu posso concluir algo: estou envolvido.

Qual o tamanho do gostar eu não sei. Mas sei que é suficiente para querer revê-lo assim que possível.

Claro que existem algumas proporções aqui: tenho 39 anos, vivi muitos altos e baixos, tapas, mesmices e afagos e até bem pouco tempo atrás, não imaginava que poderia curtir tanto, de novo. E tem sido daquele jeito que tenho descrito aqui, pelo menos sob a minha ótica: o prefácio foi igualmente intenso, sem ruídos, sombras ou questões mal resolvidas. Minhas emoções estavam acertadas com o Rafa (meu ex) e, de certa forma, andava com algum tédio das minhas investidas solteiras.

Eu e o Beto topamos dele dormir em casa no primeiro encontro, antes mesmo de termos nos visto pessoalmente. Era um risco, claro, mas eu estava com uma intuição, a mesma que a dele. É essa desenvoltura, essa predisposição da gente se jogar um ao outro para ver “qual é” que me parece um tanto raro nos tempos modernos, quando todo mundo anda puxando o freio para aguardar o outro gostar um pouco mais. Ego, esperto e burro! Igualmente contraditório.

De lá pra cá, reservamos a maior parte dos nossos tempos livres para estarmos juntos. De lá pra cá, agora que os dois mundos colidiram e não parece existir nenhuma grande refração da primeira impressão, estamos nos permitindo ir devagar. Estamos nos permitindo ir devagar porque entendemos que há uma suficiente entrega (no prefácio) de um para o outro. É a hora em que as duas conchas que somos (todos nós somos, justamente para proteção de nosso ego) estão se abrindo aos poucos, cada qual a sua maneira. Assim, chegamos às primeiras linhas do “Capítulo 1: Vivendo e sentindo. Sentindo e se permitindo”.

Reli meu mapa astral natal recentemente e aconselho que todos que já curtam o assunto, façam a releitura. Cada pincelada, de tempos em tempos, de ano em ano, nos faz compreender partes de quem somos. Na leitura atual, vi desafios que superei e que ficaram para o passado. Alguns deles, bem recentes! Vi que algumas das informações ainda não fazem sentido (e talvez nunca façam) e, por fim, notei nuances que vivo exatamente hoje, como o fato de entender (subentenda-se ter a consciência) que (1) a minha busca fervorosa pelo autoconhecimento está escrito no mapa! É por isso que eu reforço tanto dessa prática por aqui, é por isso que faço terapia, que leio mapa, jogo tarot, frequento a minha “cigana”, escrevo no MVG e não tinha me dado conta disso antes. E (2) grande parte do meu processo de autoconhecimento caminha junto com as minhas experiências de relacionamentos afetivos. Ou seja, eu – particularmente – cresço me relacionando, no sentido de relações afetivas. Taí uma explicação lúdica para a minha abertura a namoro.

Ambas características são bastante pessoais, dependendo de conjunções específicas de determinados planetas. Assim, de maneira igualmente lúdica – desprendido de obsessões – vou entendendo porque meus relacionamentos foram tão influentes na minha vida, ou melhor, porque reafirmo os mesmos como determinantes para a pessoa que me tornei hoje. Se a matemática está correta (e a astrologia é pura matemática), quanto mais me relaciono, “maior” eu me torno. Gostei de ter encontrado isso no mapa. Já tinha lido o mesmo umas 10 vezes e tais informações não saltaram aos olhos até então.

Posso afirmar que o grande ganho neste período de 39 voltas do planeta Terra em torno do Sol é que eu aprendi – a duríssimas penas as vezes, de maneira neutra em outras e levemente em terceiras oportunidades – a reconhecer e enxergar o outro, suas nuances e diferenças, com respeito e maior descolamento. Eu, ariano com ascendente em áries, confesso que passei um longo tempo da vida achando que as pessoas funcionavam da maneira que eu acreditava ou queria. Defasagem típica de indivíduos com muitos pontos de fogo como eu. Somos egocêntricos que – veja bem – é diferente de ser egoísta. Pelo contrário, pessoas com predominância em pontos de fogo no mapa e que são de signos de áries, leão ou sagitário tendem a ser egocêntricos, porém, altruístas. Trocando em miúdos: “se acham, mas se doam sem cobrar muito em troca” – rs.

Antigamente, eu queria que as pessoas funcionassem e fizessem a maneira que eu (centro do meu ego) achava que fosse bom, seja porque realmente faria mais sentido ou para que eu contornasse alguma insegurança intrínseca. Não é à toa que o Flávio de antes era um dono de empresa centralizador. Ajudava (e ajudo) as pessoas que estão comigo a crescerem. Sempre foi assim. Mas antes, criava uma dependência tremenda sobre mim. Até que um dia eu cansei e, entre idas e vindas, ajustes aqui e ali, mudei.

Meus ex-namorados certamente “sofreram” com isso também. Eu era “nazista”, como percebi algo assim no Rafinha. Até a hora que eu cansei (dessa parte de mim) e me botei a trilhar por um jeito totalmente novo. Lembro das sessões de terapia, quando me abria sobre isso e de como me sentia inseguro e desprotegido por ter que trilhar por uma nova maneira de ser que eu nem sabia direito qual era. Cômodo e confortável seria continuar em meu “modus operandi” com meus relacionamentos. Quer dizer, em termos, já que eu estava com uma preguiça (enorme) de ser igual de novo.

Curiosíssimo eu perceber a minha capacidade de traduzir a mim, do que fui e do que sou, justamente agora que estou me envolvendo de novo. Taí, eu me conhecendo mais e mais, a partir dos estímulos com o Beto.

Relacionamento, a mim, é espelho. E espero que seja a você também. Mas não há absolutismo nenhum no discurso.

“Os planetas, na iminência da morte, passam por tempestades, terremotos, contrações e choques para que, depois, cedam energia para novas estrelas”.

 

 

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