Por que pessoas ciumentas e controladoras traem?


Gays, héteros ou derivados: existem os ciumentos que traem

Parece contraditório dizer isso, mas não é raro vivenciar experiências de pessoas ciumentas e controladoras que traem. O lidar com a possessividade / ciúme das pessoas não é algo restrito ao gay ou qualquer outro “tipo”. Então, o post no Minha Vida Gay será dedicado a reflexões sobre o sentimento de ciúme e controle, independentemente se é um gay que fará esta leitura.

Um ex-namorado não me traiu propriamente (até onde eu sei – rs), mas sempre foi muito ciumento. Pelo menos, essa era a minha referência na relação que tivemos e que pude notar da parte dele sobre outras pessoas que (realmente) gostou. Soube, anos depois, de casos cabulosos de traição para com seus parceiros (rs). No plural. Muitas traições.

O mesmo poderia dizer de um outro ex, que chegava a fantasiar eu me relacionando com outras pessoas por um fio de cabelo qualquer que – de repente – ele havia encontrado em casa. Detalhe: de mulher. Mas foi ele que certa vez, dizendo a mim que estudaria madrugada a dentro com as amigas, tinha na verdade ido na Lôca com as mesmas (rs). Soube meses depois do nosso término e não faria sentido algum tomar uma satisfação.

Ciúme, possessividade e controle em excesso costumam ser sintomas de insegurança. Uma sensação consciente (ou não) de não ser suficiente para a outra pessoa. Ciumentos e possessivos costumam idealizar demais o outro, colocando-o em um altar e, em contraponto, se projetando abaixo do mesmo; se sentindo mais “limitados”. Assim, não é à toa que é comum vir de pessoas assim um discurso de “bandido” e “mocinho”, “quem está certo” e “quem está errado” quando há uma discussão; o vitimismo típico do maniqueísmo. Nunca ou quase nunca, o objeto de ciúme e possessividade faz propositadamente a pessoa ciumenta se sentir por baixo. É a natureza do sentimento de quem tem ciúme que faz assim e, quando há essa sensação de desnivelamento (gerado somente na cabeça do controlador), o maniqueísmo se manifesta.

“Por baixo”, o indivíduo ciumento vive a função de controlar a pessoa, num constante risco do outro encontrar “alguém mais interessante”. Notem que, quem classifica e julga pessoas mais ou menos interessantes, é quem se nutre de ciúmes. Em outras palavras, tal padrão mental acontece dentro do ciumento e não é propriamente uma realidade já que, em sã consciência, “uma pessoa interessante” é algo subjetivo e não um modelo pré-definido. Em sã consciência, não dá para “brigar” com tais subjetividades.

Não é raro uma pessoa rendida a tais sentimentos trair. Tais sensações nos leva a uma constante competição, cuja impressão é de que se está sempre, sempre, perdendo. Para se ganhar e, as vezes, medir o quanto o outro realmente gosta da gente (como numa provação), o indivíduo trai (para balancear uma constante sensação de estar “atrás”) e, se assume, espera inconscientemente que o outro perdoe, numa provação a si de que o outro realmente goste. Ciumentos precisam, constantemente, da autoafirmação do gostar.

É neste ponto da competição que, quando são dois gays, existe uma possibilidade de ser mais intenso. Culturalmente (ou geneticamente) homens são mais competitivos. No geral.

A traição é um tipo de depositório para que o ciumento se sinta “no páreo” diante o próprio sentimento de inferioridade. É uma compensação.

O ciúme, o controle e a possessividade são manifestações humanas. Em doses moderadas não deixam de ser representações do gostar. Em doses excessivas, coloca o indivíduo ciumento, controlador ou possessivo na função desses próprios sentimentos. Limita a relação, cega e reduz a história (que poderia ser ampla, diversa e respeitosa) as próprias condições destes sentimentos.

Sejamos gays, heterossexuais, bissexuais, transgêneros, transexuais e derivações, temos dentro da gente tais emoções em algum nível. Conheço gente que assume ser assim e ponto: não quer mudar tal jeito porque – em certa medida – não deixa de ser um tipo de mecanismo de proteção. Se enchem daquele discurso de “é melhor ser assim do que se passar por idiota”, como se a iminente traição fosse uma máxima irremediável. Afrouxar é escancarar o sentido de “estar sendo passado para trás” (sentimento que já é intenso no ciumento). De qualquer forma, mesmo que “protegido”, o indivíduo ciumento mais sofre do que aproveita ao se relacionar. Santa contradição.

Apesar dos pesares, bem ou mal, há pessoas que vivem relacionamentos em função de tais sentimentos. Mas há quem goste. Existem pessoas que, para forrar o ego e em contraponto aos ciumentos, precisam se sentir objetivos de desejo por intermédio do ciúme. A posse, para alguns, é a melhor manifestação de querer. Sabe-se lá por quanto tempo.

Bom final de semana. :)

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s