Paixão que dói

As emoções são poderosas

Ultimamente tenho escrito posts que servem para pessoas, independentemente se somos gays, heterossexuais ou variantes (das identidades de gênero ou sexual). E de começo levanto a questão: você já se apaixonou a ponto de doer? Atenção: não me refiro a dor negativa quando o outro não corresponde (ou achamos que não o faça), mas de uma dor intensa, contínua, que aperta o peito e dá um nó na garganta quando se gosta muito.

Note: o foco não é o outro, mas você.

Eu (sinceramente) desejo que todos os seres humanos pudessem sentir tal emoção pelo menos umas três vezes na vida. É um querer bem tão profundo e é uma vontade tão intensa de ver a pessoa prosperar; e é tão verdadeiro, tão incontrolável que fica difícil de elaborar e traduzir em palavras. É uma dor que, paradoxalmente, faz bem. Que parece aumentar a nossa carga de vitalidade, que cura e nos faz reconhecer o quão bom é estarmos vivos.

Tive o privilégio de viver tal paixão algumas poucas vezes e o fato de te-la vivido me faz perceber quando ela vem.

Gays ou héteros, não temos controle

Tal paixão assusta. Impressiona aquele que a sente e (normalmente) espanta aquele que a despertou. Tal sentimento é raro e impressiona aquele que a sente pois nos torna vulneráveis, nos tira qualquer ideia de controle e nos faz, quase que a todo momento, flutuar. O interessante é que essa emoção nos envolve tanto, nos nutre com tanta vitalidade, que quase que a correspondência em si não se faz necessária. Quase. A dádiva em si, por dentro, influenciando o sensorial, visão, tato, audição, paladar, toque (…), as vezes parece se bastar. Tal paixão nos coloca essa fantasia, esse sentindo de empoderamento e a energia é tão poderosa, e certamente estimulada pela existência de um outro que a despertou, que todos os sentidos se aguçam.

No meu caso, viagem ou não, me pareço mais conectado com o universo, como se as coisas ao meu redor, o ar, uma cadeira, um celular, uma cama e a água espichando pelo chuveiro se integrassem a mim. É sensorial. Aliás, tal emoção não é muito diferente de quando estamos meditando (para quem medita) e é possível sentir a transcendência, quando estamos nos banhando em uma cachoeira de efetiva água pura ou quando sonhamos daqueles sonhos mais incríveis em situações extraordinárias. Nosso Self 2 – o lado direito do cérebro – rompe com as barreiras, os julgamentos, os valores limitantes, a autocensura e determinados poderes lógicos do Self 1 (lado esquerdo), e descarrega cargas e cargas de energia do prazer pelo nosso corpo.

O sentido de tempo se modifica.

Tal paixão, se não bem colocada, espanta aquele que a despertou pois, o lado direito do cérebro do outro emite sinais dizendo assim: “olha o tamanho da responsabilidade!”. “Será que é isso mesmo que eu quero?”. “Tenho medo de não dar conta!”. “Meu Deus, criei um monstro!” (RISOS). O lado direito, diante do novo ou do desconhecido, censura.

Ah, se a lógica resolve nossos mais reais e legítimos problemas!

Foram poucas vezes que me senti um “Super Sayajin” assim. E a analogia apesar de infantil, é totalmente didática.

Eis os benefícios daqueles que se permitem à vulnerabilidade, daqueles que – as vezes – rompem com a censura (seja lá qual for o histórico de vida) e deixam se levar. Não é fácil, mesmo, pelos motivos acima. Mas me parece que os grandes saltos são dados mediante as dificuldades.

1 comentário Adicione o seu

  1. Troco Likes disse:

    mas é justamente isso, o que fazer quando se esta muito apaixonado ???????? medo de perder o outro :(

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