Andando em círculos


Nem todo mundo sabe lidar com as emoções

Taí mais um post que cabe ao gay, ao heterossexual, ao ser humano. Confesso que nessa última semana vivenciei fortes emoções! E confesso também estar lidando muito bem com as mesmas, ou melhor, estou sabendo lidar muito mais do que antes. E normalmente o saber lidar é compreender o outro e a si; afinal, na maioria das vezes as nossas emoções afloram sempre conjugadas a uma ou mais pessoas.

Nada melhor do que a prática. Nada melhor do que a chance de não se negligenciar ao outro, nem se negligenciar a si. Nada melhor, talvez, do que subir alguns degraus da percepção sobre nós, humanos, e traduzir em palavras as emoções que nos parecem difíceis ou confusas. Outrora eu achava que pessoas que não conseguiam traduzir em palavras os sentimentos eram simplesmente emotivas, emocionais. Que virtude! Inclusive, me fizeram acreditar que era assim e até confiei no título/julgamento de “pessoa racional” por ter alguma habilidade de elaborar as emoções. Mas um dos grandes insights desse final de semana, dentre outros para a minha empresa e para o novo projeto do Minha Vida Gay (final de semana altamente produtivo!), é que pessoas que não sabem traduzir sentimentos em palavras ou alguma outra forma de expressão compreensível – de fato – não sabem o que estão sentindo, ou tem medo do sentimento, ou sentem estranheza por sentir algo que, até então, não emanava de si. Confusão.

Quem consegue por para fora, de alguma forma, não é simplesmente racional e como eu estava equivocado em ter essa definição como verdadeira! O fato é que quem consegue por para fora, de alguma maneira, sabe o que está sentindo e se sente confiante por isso. Assume, vive. O por para fora é a confirmação das certezas das próprias emoções. Do contrário, de novo, é confusão. Incerteza. Bloqueio. Quiçá, viver parcialmente.

Daí que fiz um filme mental de algumas situações e pessoas que já passaram pela minha vida, amigos, parentes, relacionamentos e me deparei com uma realidade: muita gente tem dificuldade de lidar com as emoções. Homens, mulheres, gays e heterossexuais. Essa coisa de que gays e mulheres são mais habilidosos com tais temas é verdade até a página três. Quatro, talvez, de um livro de 200 páginas. Tal afirmação acaba por completar o livro inteiro dos estereótipos. Apenas. O livro dos estereótipos me parece cabível na pré-escola da vida. Sabe os primeiros anos escolares do Harry Potter? Pois bem…

Lidar com as emoções não é fácil

Mamãe já havia sugerido recentemente. Mamãe, mulher, acima dos 70 anos: “lidar com as emoções não é fácil”. Poutz! Definiu tudo, mama!

E realmente, não é. Por isso entendo que esse tema não deve cair na minha caixinha dos “méritos VS. deméritos”. Simplesmente é ser humano. E nessas, de sermos humanos, existem apenas fatos que – de novo – não cabe a mim julgar a moral, se melhor ou pior. Mas os fatos me levam a questionar: “quantas oportunidades na vida a gente deixa ou deixou de viver pela emoções que a própria oportunidade nos traz e não sabemos lidar? Pelo medo de dar vazão a tal sentimento? Pelo medo da exposição ao outro que nos faz sentir? Pelo medo da vulnerabilidade? Por não se sentir suficiente?”.

Por simplesmente ter medo? Quantas?

Muitos medos, não é? E, a mim, é uma vida muito curta para ser direcionada, mexida, desviada e contida pelos medos. No nível de coragem que tenho hoje, humildemente, consigo olhar para trás, pensar no meu próprio passado e dizer que, quanto mais existiu o medo de viver certas emoções, aquelas que me impulsionariam para a novidade, para a entrega, para o incerto, mais assumi o andar em círculos; o caminhar de um ponto ao outro e não sair do lugar. Isso é bom ou ruim? Não cabe a mim julgar, de novo. Mas a percepção individual, de cada leitor que está se prestando a ler este conteúdo, me sugere outra pergunta:

“Você está feliz ou convenientemente acomodado? Está bom viver nessa zona de conforto?”.

Mais do que pensar sobre essa pergunta, sugiro que sinta.

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