A vida que segue


A afetividade entre gays: novas reflexões

Ufa! Semanas corridas, muito produtivas e pouco tempo para destinar ao Minha Vida Gay, o Blog. Temas estão borbulhando na cabeça, mas tenho focado meu tempo para o Life Coach MVG. Desculpem meus queridos leitores!

Um destes temas resolvi não deixar passar desse mês. E diz respeito (para variar) sobre paixão. Vamos lá:

Nunca é fácil terminar apaixonado ou gostando muito. E como me disse um amigo recentemente, até a consciência das coisas tem seu ônus.

Quando a gente termina apaixonado – e as vezes a vida nos coloca um punhado de motivos íntimos, instransferíveis e legítimos para isso – talvez se desprender do idealizado da pessoa seja uma tarefa mais árdua e incerta. E faz sentido essa afirmação pois, quando um casal – seja gay ou heterossexual – termina por uma sequência de desgastes e incompatilibidades, paira uma razão sobre os atos, por mais que seja dolorido a quebra de rotina e a ausência após o término. Quando se termina apaixonado, um dos grandes pesos é saber que emocionalmente se gosta muito, se idealiza, e sabe-se lá quando surgirão fatos, motivos, situações ou experiências para que a conexão com o idealizado se desfaça com a naturalidade que cabe.

Terminar por desgastes e incompatibilidades, como citei acima, naturalmente nos coloca em um processo de superação, mas é uma fase voltada ao acostumar-se com outras rotinas a partir da ausência da pessoa. Terminar gostando muito é, além disso, não saber quando será possível encontrar uma outra pessoa capaz de nos apaixonar!

Um horror! Principalmente para um ariano como eu (rs).

Se apaixonar de novo sugere superação. Nem sempre, mas muitas vezes.

Mas o fato é que a vida segue e apesar do clichê envolto nesse termo, é o mais real dos fatos. E junto a ele, vem outro clichê que é o inegável poder do tempo. Esse sim, como já classifiquei por aqui, é como se fosse um Deus de força imbatível. O tempo pode sugerir semanas, meses e – as vezes – como em casos que conheci (ou até mesmo vivi), anos. Por experiência própria, já fiquei preso a um idealizado por mais de um ano. Um horror – segunda parte! (rs).

E a coragem para se apaixonar de novo quando, vivendo de um idealizado por muito tempo, descobre-se a inenarrável sensação de “libertação de espírito” quando se supera? Alguns vão – fatalmente – associar a ideia de paixão com prisão. E pode até ser mesmo, se assim quisermos acreditar.

(Muita gente acredita).

Mas é possível acreditar em outros pontos de vista também pois tal assunto não diz respeito propriamente à maturidade, experiência ou nível de intelecto. Não é e nunca será uma certeza estanque. Tal assunto diz respeito à sabedoria. E a sabedoria traduz, nada mais nada menos que a nossa habilidade de transformar vontades, ideias, pensamentos e conhecimentos em prática. A prática, mesmo que pela repetição (e iniciar uma relação, se apaixonar, viver e terminar, é o exercício da prática pela repetição) nos mostra que a conexão entre duas pessoas é única, exclusiva e instransferível. E vai da péssima a incrível.

Mas só vai se a gente se permitir.

A conexão entre duas pessoas é resultado único e inigualável às exatas duas pessoas que se permitem conectar. Quando é que se permitem pois, munidos de dezenas de inseguranças, cultura e/ou vivências “estranhas” no passado, a tendência é de se colocar a frente as mais diversas espessuras e alturas de muralhas e defesas.

Mas supondo que estejamos livres disso…

…não me refiro ao sexo. Isso é café com leite. Esse sim, se a gente quiser, pode realizar mecanicamente ou com algum nível de erotismo com muita facilidade hoje em dia. Tempos modernos: basta estar disposto, acionar o app com essa finalidade e/ou pagar para entrar em determinados lugares.

Todo esse “trololó” é para chegar no centro do assunto: conexões de energia.

Por exemplo: em um mês, num intento de conhecer uma “pessoa legal que seja compatível”, você pode conhecer cinco pretendentes. Os meios facilitadores para isso, hoje, existem aos montes e com a simplicidade de alguns cliques. Basta largar a mania de “sou feio, ninguém me quer ou não tenho atrativo nenhum”. Basta deixar de fazer a linha cinderela. E basta acreditar que – entre as 5 – uma delas não será neurótica, maníaca ou compulsiva! (rs). O excessos sempre atrapalham e atrapalharão os contatos. Não tem fórmula mágica.

E se você quer as 5 ou pelo menos 4, você é uma gulosa! E não quer viver paixão nenhuma. Quer só autoafimar ao seu ego certo “poder”. Assuma (rs).

Cada indivíduo que estiver a sua frente, diante o interesse mútuo do encontro, formará uma conexão exclusiva, você e ele, no caso – nós – gays. Perante alguns, teremos aquela vontade absurda de sair correndo! Por alguma incongruência entre a foto do aplicativo e a fisionomia real, pela falta de assunto, por pausas de silêncio intermináveis ou pela simples falta da conexão subjetiva. Nem beleza, nem assunto, nem nada… algo que não se explica e não se encanta. Acontece nas melhores famílias.

Outras pessoas até que serão divertidas e engraçadas. Trarão assuntos de interesse (e vice-versa), despertarão certo desejo, alguns hábitos “fofos” em comum, mas na hora do beijo ou do sexo, vai rolar algo esquisito.

Mais algumas trarão experiências incríveis na cama. Mas somente isso porque, “de resto”, não sobrará nada (rs).

E nessas tentativas e erros, que nada mais são que autopermissões, de vez em quando acontecem conexões energéticas. Livres de carências ou fantasias. Simplesmente, conexões. Aquele papo, o tipo de humor, os gostos, o olhar, as concordâncias e discordâncias sobre assuntos e, de repente, 5 horas passam em 30 minutos. Entramos em flow com a pessoa e, flow, é um estado de conexão que eu poderia dizer de “intimidade de alma”. Uma natureza segura entre ambas. Um sentido maior de confiança. Algo mais raro, mas (totalmente) possível quando se tira a “bunda da cadeira”, se larga o vestido da cinderela e se acredita que o outro não confundirá excessos com franqueza!

As vezes isso acontece, mas só acontece quando se é concendida uma autopermissão e vale o pleonasmo: de você para com você mesmo. Um desprendimento do próprio sentido de julgamento, este danado, o principal componente de nossas muralhas e defesas.

Daí sim é possível se apaixonar de novo, de sentir que a liberdade – de fato – está na permissão em se deixar levar por um novo romance. De que paixão, pasmem, é um dos maiores estímulos da entrega. E que a entrega é uma das maiores manifestações da liberdade. Da liberdade de poder gostar de uma pessoa. E que o medo de “quebrar a cara”, o mesmo que rolou por causa da experiência passada, nem existiu.

No mais, vamos combinar, tende a ser in-se-gu-ran-ça.

Tento voltar por aqui ainda este mês! <3

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s