360 graus


Eu gay

Inicialmente, devo pedir certas desculpas pela baixa produtividade aqui no Blog Minha Vida Gay. O número de leituras e visitas continuam altas (mais de 1.000 por dia) e o MVG atingiu quase 1,5 milhões de visualizações. Mas por causa da minha empresa e do próprio projeto do Life Coach MVG, reduzi um pouco a produção de conteúdo por aqui. Certamente eu volto com um fluxo mais contínuo assim que puder.

Sigo com um compilado, perto do final do ano. Foram pequenos fatos e relatos que chegaram até a mim e que acho que merecem algum destaque:

Vida gay: porque lá as questões são outras

Havia me prometido (no íntimo, sem alarde) que na pior das hipóteses, conseguiria ir pelo menos uma vez por ano para NYC a fim de viver minhas férias anuais. Para cultura geral da minha classe, “gastar” dinheiro todos os anos e fazer turismo em um mesmo lugar é quase que uma ofensa. Mas cá entre nós: posso dizer que me tornei um habitué daquela cidade e nada como uma palavra “esnobe” para rebater a encheção que veio de alguns amigos, pelo fato de eu estar em Manhattan na primeira semana de dezembro, dias atrás. Um ex disse que no final é a pura expressão da inveja. Pode ser. Só sei que foi uma luta conseguir preservar esse hábito em 2016 e toda crítica depreciativa a essa viagem, em questão, me deixou bastante puto (rs). Sejam as faladas ou as (simplesmente) pensadas.

E o bacana é que conheci pessoalmente o “Charles”, brasileiro residente em uma cidade do interior de Nova Iorque. Ele é um dos seguidores que tenho no Smule Sing!, aplicativo de karaokê que é uma verdadeira terapia para quem entende do que estou falando. Ele veio até o apartamento em que estive hospedado e tivemos conversas ótimas por horas.

Charles é gay, tem 49 anos, é casado há 20 anos (ou quase isso) e, ambos, adotaram 3 filhas. É o que já comentei em outros posts: enquanto no Brasil as questões giram em torno de assunção e/ou ser ativo X passivo e infidelidade, em outros lugares estão discutindo o potencial preconceito que filhos de casais gays podem sofrer nas escolas.

Tem uma modalidade de adoção – interessantíssima – na qual os pais biológicos podem ter acessos periódicos aos filhos junto com os pais adotivos em todas as etapas. Quando a adoação não está somente envolta da dramaticidade de mães que rejeitam seus filhos por inúmeros fatores abusivos, agressivos ou depreciativos, existe esta opção de adoção consciente. Ao meu ver, não há forma melhor de um filho entender a adoção, positivando os pais biológicos conjuntamente aos pais de criação.

Life Coach MVG

O site do Life Coach MVG, que será uma interface importante entre eu e meus potenciais aprendizes/coachees, está 99% pronto. No início de 2017 darei início à divulgação deste meu novo projeto. Celebra uma nova e importante etapa da minha vida (gay?), na qual poderei agir de maneira mais abrangente (e profissional) de tal maneira que já se pincela por aqui.

Amigos do Minha Vida Gay

Faz um mês aproximadamente que revi os “amigos do Minha Vida Gay”. Não estavam todos reunidos, mas os que estavam, deixaram claro – a mim – o quanto consolidam hoje suas trajetórias como indivíduos, cuja homossexualidade outrora era a questão determinante a se resolver. No geral, como gays, estão todos desenvolvendo e desdobrando experiências sexuais e afetivas, o que não quer dizer “viver um mar de rosas” colorido e deslumbrante a todo momento. O fato é que, agora, nenhum deles deixa de fazer o que tem vontade por serem gays e isso, homossexualidade, era um nó que emperrava a fluência de suas vidas quando os conheci. Estar com eles é sempre um exercício silencioso: “não existe um jeito só para ser gay” e se por ventura algum deles sugere um “encaixotamento”, seja por alguma moral dogmática ou pela necessidade de autoafirmar algum “tipo” que é mais simpático, sabem que, de mim, não há uma positivação.

Uma das coisas mais “chatas”, mas fatalmente necessárias quando estamos formando nossa identidade gay é querer se assegurar que o “jeito” o qual mais nos afeiçoamos/simpatizamos é o jeito certo, ou melhor, ou coisa assim. Pode até parecer que sim, mas a tendência é tais necessidades perderem a força. Ou se duram, darão sobrevida aos esteretótipos e os próprios dogmas. E assim vem caminhando a humanidade!

Agora que sou eu

Eu mudei bastante e devo mudar mais ainda. Estou no meu terceiro namoro assumido em um mesmo ano e isso seria algo improvável até um ano atrás. Continuo construindo essa relação de amizade com ex-namorados, na medida do possível das partes, e um deles me disse algo assim recentemente: “nossa, Flávio… será que você vai virar daquelas bichas fúteis, materialistas e de relações superficiais?”.

Daí eu respondi, não propriamente bravo, mas ariano: “você tem medo disso, ou melhor, você tem medo de ter no seu ‘currículo’ um ex-namorado que virou isso? Me parece que esse é seu medo, porque, primeiro de tudo, se eu ‘virar’ uma ‘bicha fútil’ e me sentir bem e resolvido assim, que mal faz? E depois, se alguém entrar nesse julgamento pra cima de mim, tem como eu falar de um casamento de quase 3 anos, de namoros que passavam de um ano e meio e de um outro que durou quase 4 anos. No total, foi mais de uma década de relacionamentos duradouros. Concorda que eu posso viver uma década de ‘futilidade’ para eu aceitar essa classificação e passar a acreditar na ‘bicha fútil’ que me tornei? Será que não posso simplesmente estar numa outra vibe hoje que é diferente da sua, por exemplo?”.

Tapinha, bem dado, mas continuamos amigos. Posso ser escroto as vezes, mas não desonesto (rs).

Cordão umbilical que se rompe

Esse foi um ano para cortes de alguns cordões umbilicais. Quando somos expoentes, seja como “donos” de empresa, líderes ou aquele cara de gênio forte que se destaca pela presença ou sabe-se lá pelo que se forma no imaginário alheio, somos sujeitos a alguns holofotes, daqueles que realçam nossos melhores contornos, mas que também podem cegar a nós mesmos. De repente me vi ainda em 2016 como algum tipo de pilar emocional ou simbólico de algumas pessoas que já tiveram um contato mais íntimo comigo em um passado que não faz sentido hoje.

Resolvi cortar de um jeito bastante intenso. As palavras decepar ou ceifar caberiam melhor. Os caminhos hão de seguir mas que não reste nenhuma desculpa, ou melhor, que eu não seja nenhum tipo de desculpa, numa posição onde não quero estar.

O combinado não sai caro

O novo projeto do Life Coach MVG, de fato, é um próximo passo que me afasta ainda mais de alguns laços do passado remoto que, ao meu ver, não teriam motivo nenhum para continuar ou, se realmente continuassem, que fossem por elementos enriquecedores para as partes e não por promessas mal cumpridas que só estavam ralentando os desvínculos. Seguir em frente, a mim, subentende límpido, purificado e, consequentemente, sem pendências.

Em 2016 eu plantei muitas sementes novas, embora sem dar com a língua nos dentes como antigamente. Apesar de ser um (egóico) ariano, posso afirmar que foi um dos períodos que menos me expus nos últimos anos. Não fiz dos meus feitos, plantios e colheitas meu marketing pessoal como outrora faria de maneira entusiasmada.

É a chegada dos 40 anos e essa “calmaria”, na medida de um – repito – ariano, é a aceitação legítima do que se tem e que se pode hoje. E já é bastante coisa. Só não precisei propagar demais nem deixar usufruir aqueles que, de fato, nem tem mais conexão comigo e ainda se acham com algum direito.

“O combinado não sai caro. Seja quem for você”.

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