Os mais “gays” em 2016


Os 4 posts mais lidos no Minha Vida Gay em 2016

Todos os anos é de cultura (geral) para quem é gay ou simpatizante, alguns temas tais como “os famosos que assumiram a homossexualidade”, “os casos de bullying ou de homofobia que marcaram”, “as cenas e situações em novelas que envolveram a temática gay” e “os feitos políticos que de alguma maneira são passos para a nossa emancipação”.

De maneira generalizada, o radar popular gosta de sintonizar nesses assuntos.

O Blog Minha Vida Gay também teve seus temas mais buscados no ano, fora aqueles que todos os anos são sempre os mais lidos.

Em 2016 muita gente encontrou (ou procurou) o MVG para esclarecimentos entre ser homossexual e ter desejos homossexuais. Outros vieram atrás de assuntos sobre os famosos e populares aplicativos para relacionamento entre gays. Mais alguns revisitaram a recorrente relação muitas vezes dúbia de “gays e amigos heterossexuais” e, por fim, mas não menos relevante, o tema sobre a culpa que se leva por ser gay foi bastante lido.

No mesmo formato do post anterior, farei uma breve compilação dos 4 posts mais vistos no Minha Vida Gay em 2016:

A diferença entre ser homossexual e ter experiências homossexuais

Por mais que alguns gays não aceitem essa ideia, no sentido de que se tem desejo ou se praticou algum ato sexual com outro do mesmo sexo é gay, a definição HSHhomens que fazem sexo com homens – abarca dezenas (ou centenas?) de variações de homens que, em algum nível, praticam a homossexualidade.

O fato é que existe uma diferença entre ser homossexual (popularmente conhecido como gay) e ter experiências homossexuais. Ou seja, nem todos os homens que exercem alguma prática homossexual são gays!

Assim, abrangemos outras nomenclaturas (também muitas vezes repudiadas pelos gays) como os bissexuais e g0ys. Enquanto muitos de nós gays, pela pura “osmose de hábito” criticamos e debochamos das variantes, a medicina e a sociologia nos dão um chapéu e nos mostram que a sexualidade é muito mais diversa que a nossa (egóica) vontade.

Eis o tema mais lido em 2016, o que me leva a crer que muita gente (homens e meninos, no caso) estão buscando se entender melhor. O bacana, ao contrário das ruas, é que o juízo taxativo e preconceituoso – seja do gay ou do heterossexual (“líderes” de uma bipolaridade) – não se manifesta no Minha Vida Gay.

Aplicativos para gays

Como tudo que abrange sexualidade ou contato com interesse sexual, os aplicativos destinados ao público gay, tais quais o Hornet, Grindr e Scruff (até mesmo o Tinder), estão envoltos de tabus, mitos e, claro, preconceito.

Há aqueles indivíduos que vão acreditar até a última encarnação (rs) que tais apps são destinados exclusivamente para sexo e que, nesses meios, só existem pessoas superficiais interessadas neste exclusivo assunto.

O viés é real, mas não é único. Dos meus amigos gays próximos, inclusive eu, todos vivem hoje relacionamentos “sérios”, frutos de contato por meio de aplicativos. Ao meu ver, os apps para relacionamento mais ajudam do que atrapalham. Abrem espaço para que não somente gays (assumidos) possam dar vazão a desejos sexuais ou afetivos, mas também para mais entendimento sobre a própria sexualidade. A moralidade, claro, é proeminente para alguns, principalmente para aqueles que entendem o “sexo pelo sexo” como se fosse algo proibitivo, muitas vezes carregando um discurso cristão ou “romântico” nas entrelinhas. Mas é fato: nunca antes foi tão fácil e prático se relacionar. Obviamente que a qualidade dessa relação vai depender, exclusivamente, de você e da pessoa que está do outro lado da tela. O meio, em si, não tem nada a ver com essa classificação.

Gays e amigos heterossexuais

Paira hoje – e acredito que por muitos anos – a dubiedade nessa relação entre homens gays e amigos heterossexuais. Pelo menos durante uma certa fase da vida, muitos jovens homossexuais criarão algum tipo de fantasia sobre colegas ou amigos heterossexuais. É até normal e comum (depois de mais de 5 anos de Blog Minha Vida Gay) o fato de alguns gays idealizarem seus amigos no seguinte sentido: se os amigos são gentis, sensíveis, educados e atenciosos, vamos teimar em achar alguma brecha que seja para poder afimar: “Aha! Sabia que a minha desconfiança tinha fundamento!” em uma tentativa idealizada de encontrar certezas que deflagrem a homossexualidade do amigo. Não só deflagrem como, para tornar a ideia fantástica, o amigo – de fato – esteja envolvido por nós! =P

Mas raros são os casos em que, diante o platonismo, existe a conversa aberta e franca para acabar com o mito e aflorar as verdades. As vezes é mais prazeroso viver justamente esse jogo, no qual busca-se indícios que denunciem “algo que entendemos como gay” ao invés de trazer a situação para o real, quando se abre o jogo e se descobre o que se passa de fato.

Eis a essência do platonismo, da escola romântica.

Ao mesmo tempo que idealizamos nossos amigos heterossexuais por projetar cavalheirismo, um sentido do que entendemos por masculinidade e fantasias românticas, jovens heterossexuais – hoje – são naturalmente mais simpáticos e receptivos ao homossexual (ao contrário de outros tempos).

Quando eu sei que sou gay

Em mais de 5 anos de Blog Minha Vida Gay aprendi que existe a autoaceitação em ser gay. Desde a positivação e normatização da palavra “gay” que para alguns ainda soa ofensivo e depreciativo, até a formação de uma identidade gay em meio ao contexto social.

Ser homossexual ou praticar atos homossexuais estão totalmente relacionados à sexualidade, enquanto ser gay vai abranger ainda, além do sexo, a maneira que nos apresentamos ao mundo, a maneira que nos relacionamos e a maneira que trocamos afetividade.

Além disso, ser gay não é apenas um tipo, principalmente aquele que nos afeiçoamos e nos identificamos. Por esses dias ouvi de um amigo algo assim sobre um gay: “fulano de tal é tão hétero… mas veja bem, isso não é uma crítica”. Pois bem, é uma crítica no sentido de que, se “fulano de tal” não tem comportamentos e expressões “x” ou “y”, ele não é gay e, sim, hétero!

Tais erros na semântica podem subentender, simplesmente, limitações advindas do preconeito. Assim, a maneira que nos apresentamos ao mundo (que está intimamente relacionado a gênero) não define a nossa sexualidade. Um indivíduo pode ser portar de maneira mais feminina ou masculina e ser gay. Ou hétero.

Já expressei isso algumas vezes, mas cabe novamente aqui: tenho dois amigos heterossexuais que são bastante femininos. Pode-se dizer que são minoria? Supõe-se que sim, mas como comentei acima, a maneira que as pessoas se apresentam ao mundo não classifica a sexualidade.

Assim, ser gay, é uma soma particular de elementos e características reunidos que – a partir da atração sexual por outro do mesmo sexo – nos fazem satisfeitos e formam a nossa identidade perante nosso ambiente.

Não existe um jeito só de ser gay.


coach-de-vida-gay

Sou Mentor e Coach para o público gay e relacionados: pais, irmãos, amigos, entre outros e desde 2011 matenho o Blog MVG como meio de referência, trocas e vivências. Gostaria de uma mentoria ou coaching? www.lifecoachmvg.com.br

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