Gratidão


O lado cheio do copo

Não há como negar que o ano de 2016 foi de muito impacto. Principalmente em assuntos relacionados à zona de conforto, mudanças e mexidas nem sempre esperadas ou queridas. Vamos fechar o ano com o falecimento de grandes nomes, como Carrie Fisher e sua mãe Debbie Reynolds. Tivemos outras perdas como de Prince e David Bowie.

O confronto na Síria está a toda, fomentando milhares de mortos. Loucos ataques na França e na Itália e essa mesma doença humana, do homem que “devora” o homem pareceu muito presente este ano. A direita extremada, pintada em Donaldo Trump, comandará uma das maiores potências mundiais.

No contexto gay, tivemos um recente assassinato, do ambulante Luis Carlos que defendia um travesti no metrô em São Paulo. Segundo estatísticas, a cada 28h um homossexual é assassinado no Brasil.

Não menos “devastadora”, a crise econômica que aponta para 13 milhões de desempregados no país não parece querer cessar. Diante da mesma, vimos entradas e saídas de governantes, odiados ou aguados, uma sociedade repartida e um fosso moral que parece levar a grande maioria dos políticos para o templo da corrupção. Papa Francisco bem colocou: o Anticristo do novo século é a própria corrupção, pulverizada em mãos de alguns homens.

Por tudo isso e mais um pouco, nunca um banho de mar e orações a Iemanjá foram tão desejados. Até gente que não tem hábito de passar o Reveillon na praia parece que dessa vez está cedendo. E se depender de todos os fatos, contextos e ocorridos em 2016, a fumaça densa na alma dos brasileiros está instaurada.

Será mesmo?

Na vida, não existe um copo sequer que não seja meio cheio ou meio vazio e arrisco a dizer que nem na morte. Assim, qual parte se dá mais atenção? No vazio ou no cheio?

Tudo, de novo, vai depender da maneira que cada um acredita. Como já comentei algumas vezes, não existe nada mais poderoso do que as nossas crenças. Se você quer viver a bad, seguirá por ela com a justificativa que quiser dar. Se quiser enfatizar as mortes de ilustres, os surtos homofóbicos, a queda dos governantes populares e o caos, é com essa energia que você entrará em 2017. Assim, depende muito mais da escolha sua do que dos próprios fatos. Nessas horas, você é mais responsável do que gostaria e não sabe.

A real é que a vida não foi e não será só isso.

Vejo na timeline das redes sociais um baixo astral generalizado. Parece que uma grande maioria se sente assolada por todas ocorrências de um “ano maldito”, como se o mesmo fosse culpado.

Mas o fato é que, apesar de muitos buscarem por consolo ou por uma salvação exterior que nos tire de certos sofrimentos, 2016 foi um ano de – simplesmente – mudanças, daquelas que não se tem controle. Pode parecer estranho ou improvável tirar alguma lição positiva desses últimos 365 dias, mas entendo que maturidade, em alguma proporção, ressoa a todos. Eis um primeiro ganho.

Certo silêncio também é bom, num contexto em que tanto se falou, tanto se acusou e – de fato – pouco se alterou da maneira que se queria.

Como papai e mamãe sempre dizem e hoje, eu com quase 40 anos, tenho concordado cada vez mais, não há crescimento sem esforço. E não digo da meritocracia corporativa, conceito tão atualmente em discussão, mas uma consciência de esforço individual que, de repente, não tem funcionado bem nem dentro de casa, em uma simples relação entre pais e filhos.

Todo esse “Turbo Triturador 2016” aponta para o novo e até os velhos ícones estão deixando a Terra. Se é novidade, carrega um inevitável teor do incerto. E incerto, convenhamos, tende a retrair as pessoas.

Está preparado para enfrentar certos desafios?

Um estado de crise, de tempo nublado e incerteza sobre qual caminho seguir, é a pura expressão da oportunidade. Oportunidade que apontará para rotas novas, novos semblantes e representantes e nova postura do indivíduo para com o outro. Uma coisa é certa: ficar no mesmissímo lugar onde, nos últimos anos, funcionou (no sentido de trazer conforto e segurança), não me parece a coisa mais sensata a se fazer. São tempos de movimentos, de avaliar o próprio ambiente e mudar a maneira de agir ou reagir perante o mesmo.

São tempos, mais do que claros, para desapegos: largar daquilo que outrora gerava um padrão conhecido, uma rotina, para criar novos padrões e, assim, se estabelecer novas rotinas.

2017 será um ano de tirar a bunda da cadeira e por em prática parte das coisas que você, na intimidade, sabe que está procrastinando. Será um ano de explorar a criatividade, a mente e, depois, o corpo. Se você se movimentar, aberto para desviar um pouco do trajeto conhecido, não sei como não dar certo.

Conquiste um pouco mais de tua felicidade em 2017, mas para isso há um inevitável caminho a ser percorrido, trajeto (ligeiramente ou muito) diferente do que você sempre esteve acostumado.

Ressignificação é meu maior voto para o novo ano.

Gratidão a todos que me acompanharam em 2016! :)


coach-de-vida-gay

Sou Mentor e Coach para o público gay e relacionados: pais, irmãos, amigos, entre outros e desde 2011 matenho o Blog MVG como meio de referência, trocas e vivências. Gostaria de uma mentoria ou coaching? www.lifecoachmvg.com.br

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