Como perceber os vampiros


O post de hoje poderia ser dedicado a gays e heterossexuais. De certo, os temas abaixo são, mas o conteúdo será mais dirigido ao público gay dessa vez. Tem como base conceitos de psicologia e coaching.

Taí aquela “mãozinha” para começar o ano em revisão das próprias posturas e pensamentos. Os toques funcionam muito bem para quem está aberto à mudança, esta que – inclusive – é um dos 10 pontos:

Recado aos gays: os 10 vampiros que te afastam da felicidade

1 – Crenças limitantes

Já citei este conceito, “crenças limitantes”, algumas vezes no Minha Vida Gay. Trata-se basicamente daquelas “verdades” em que a gente acredita, particularmente, e que de alguma maneira nos limita. São os pensamentos que, em algum nível, nos restringirão em ter uma vida mais plena e segura e, consequentemente, mais feliz.

No universo gay há diversas crenças limitantes que pude compilar nesses anos de MVG. Cito algumas elas: “todos gays são promíscuos e não entram em relações sérias”, “gays mais altos são ativos e mais baixos são passivos”, “gays mais masculinos são sempre ativos e gays femininos são passivos”, “em aplicativos como Grindr e Hornet os caras só querem putaria”, “se eu assumir para minha família meu mundo vai cair”, “se um cara é a fim de dar uns beijos em outro cara é – invariavelmente – gay”, “ser gay e ser infiel são sinônimos”, “no mundo gay rola muita droga”, “na balada gay só tem putaria”, “gays são determinados pela valorização da estética”, “só a monogamia dá certo” e “não me sinto um gay nos padrões esperados”.

Se você acredita em um ou mais dessas afirmações, veja bem: teu vampiro é atuante.

2 – Viver no passado

Viver de lembranças, do passado e de situações que já foram vividas (e não voltam mais) – de certo – segue trilha oposta a felicidade.

Gays, muitas vezes, “adoram” viver de recalque. Foi o “chifre” que tomou e não se quer superar/perdoar, fazendo da infidelidade uma entidade potente e suprema. Ou relações mal resolvidas que acabaram mas que se sustentam em migalhas, em “finos cordões umbilicais” que não vira nem amizade, nem luto e permanece num tipo de expectativa que – na real – é fantasia da Disney. Sofrer por algo que se fez, como traição, e na pior das hipóteses por aquilo que deixou de se fazer, como chegar aos 55 anos e se arrepender por não ter assumido aos pais que, hoje, são falecidos.

“O melhor lugar do mundo é o aqui e agora”, como diria Gilberto Gil. Sabe aquele ditado que diz “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje” e – acrescento – não procrastine com o que você pode realizar agora? Pois bem…

3 – Preocupação com o futuro

Gil novamente presente: “o melhor lugar do mundo é o aqui e agora”. A sociedade moderna, no geral, sofre pela ansiedade advinda da antecipação. Acontece o mesmo para os gays.

Diferente de planejar o futuro com discernimento é a letargia ou o sofrimento diretamente relacionados a essa “entidade” que assola a sociedade. Nem rival, nem monstro, o futuro há de ser nosso amigo.

Tememos envelhecer solitários e nunca realizarmos um namoro, tememos a impossibilidade de assumir nossa homossexualidade ou, se assumir, fantasiar o maior desastre de todos os tempos. Tememos um fora. Tememos nosso futuro profissional, sem saber se fizemos a escolha certa ou se o projeto que temos em mãos dará certo. Tantos medos nos tiram o chão do presente, local onde – normalmente – se encontra a felicidade. Vivemos de expectativas, estas, que residem no futuro.

4 – Autofala negativa

Sabe aquela voz interior (que as vezes os outros nem conhecem, mas está dentro da gente) e que percebe as coisas de maneira negativa e ruim? A autofala negativa, definitivamente, vai sugar sua felicidade. É você “vampirizando” a si mesmo sem perceber.

“Minha vida é um saco por estar dentro da armário. Mas se eu sair, talvez seja pior ainda”, “TODOS gays do Grindr só querem putaria”, “TODOS gays são superficiais e não querem nada sério”, “Traição é imperdoável”, “Não encontro uma pessoa legal para namorar”, “Meus pais jamais aceitarão o fato de eu ser gay”, “Eu não sei sobreviver sem fulano ou cicrano”, “Se eu pudesse mudar, seria heterossexual”, “Como tal pessoa é pesada”, “Eu não sou bonito suficiente”, “Morro de medo de não conseguir tal emprego”, “A inveja daquela pessoa está acabando comigo”, “Também pudera, beltrano é rico, por isso se dá bem” (…).

O teu vampiro anda poderoso com estes pensamentos!

5 – A necessidade de impressionar os outros

Doa a quem doer, selfies – hoje – são a expressão mais escrachada da necessidade de impressionar os outros para, basicamente, acumular alguns cliques de “curtidas”. Não satisfeitos, apelamos (no sentido de apelar) aos nudes, conceito que esteve em alta o ano passado. E o problema, claro, está no excesso. Se não nos fazemos de interessantes para as outras pessoas, parece que nunca teremos a aceitação, o sentido inclusivo, de pertencimento, a vontade excessiva das pessoas gostarem da gente e da gente ter aprovação.

Já se perguntou hoje por que você necessita tanto que o outro te aprove? Não existe selfie ou nude que, nas entrelinhas, não seja orientado para a aprovação.

6 – Reclamar

Taí o tópico mais abrangente de todos. Não existe ser humano nessa terra que não reclame de algo. O bebê já nasce expressando exatamente isso pelo choro. Durante sua semana, quanto tempo você fica resmungando, reclamando ou fazendo a linha vítima/sofredora? O vampiro que você é a si te controla?

7 – A necessidade de sempre estar certo

Não é muito diferente do tema 5, “A necessidade de impressionar os outros”. Querer sempre estar certo é tentar arrancar aprovação das pessoas. É claro que vampiriza o outro, que precisa aceitar suas “verdades” a todo momento, mas tenha certeza que o mais prejudicado é você e te afasta de sua própria felicidade.

8 – Resistência à mudança

Quando assumimos a homossexualidade, ou iniciamos um relacionamento ou terminamos, quando trocamos de emprego ou perdemos pessoas próximas, seja por causa de uma briga com um amigo ou morte, a mudança é fator determinante.

A grande maioria das pessoas tem o eixo de segurança na rotina, seja qual for ela. Rotina, por consequência, tem alto potencial para acomodar pessoas. Inevitavelmente o comodismo vira inimigo direto da mudança.

Mas vou dizer que essas mudanças, em detrimento a um ou mais indivíduos são mais “fáceis” de lidar, embora para alguns seja um(a) sofrimento/resitência sem fim. O grande desafio da mudança é quando vem – obrigatoriamente ou por vontade – de valores, posturas e comportamentos, tais quais nossas crenças limitantes citadas no item 1.

Mudar o que se acredita é um dos maiores desafios individuais, mas também nos recompensa com a felicidade em novas margens.

9 – Culpar os outros

Em 2016, “petralhas VS. coxinhas” apedrejaram-se na timeline, excluiram-se uns aos outros, no momento em que ambos os lados estavam – de fato – radicalizando. Definiram com clareza o sentido de “culpar os outros”. Um era vítima e o outro era vilão e vice-versa e, assim, se fizeram idênticos.

O vitimismo, pautado na reação de buscar culpados para as coisas, é uma síndrome bastante recorrente em nossa cultura nacional. Se temos “bandidos” carregando culpas, automaticamente buscaremos por “heróis” para representarem a salvação.

A mania de buscar culpados, além de ser uma postura reativa e cômoda, nos priva de uma emancipação emocional, já que precisamos depender de alguém ou algo fora da gente que justifique nossos problemas.

Eis um vampiro difícil de arrancar de dentro, mas certamente tem jeito para aqueles que honestamente querem mudar.

10 – Necessidade de aprovação dos outros

A real é essa: tememos por lidar com a solidão, de não sermos aceitos e de pensar que estamos sozinhos. Passamos a maior parte da vida numa função – de diversas formas, curtidas, cores, sefies, nudes, seminudes e tipos – para maquiar a carência e a própria solidão.

A solidão é culturalmente tida como algo ruim, excludente e depreciativa. Talvez, em tempos primitivos, a necessidade de agrupamento fosse determinante para sobrevivência de nossos ancestrais. Mas hoje não mais.

É interessante aprender e transformar a inevitável solidão em solitude, a começar pela mudança por dentro, amenizando essa mania de querer cuidar da vida do outro ou culpar alguém pelas suas agonias. Olhe para si mais vezes e, se notar um possível vazio, aprenda com isso.

“O amor não é o contrário da solidão, e sim a solidão compartilhada”. Os piores vampiros, na real, estão dentro da gente.


coach-de-vida-gay

Sou Mentor e Coach para o público gay e relacionados: pais, irmãos, amigos, entre outros e desde 2011 matenho o Blog MVG como meio de referência, trocas e vivências. Gostaria de uma mentoria ou coaching? www.lifecoachmvg.com.br

2 comentários Adicione o seu

  1. F. disse:

    Site maravilhoso!!!!

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