Será que sou interessante?


Um post dedicado aos “xóvens” gays e não tão jovens assim

Um dos temas mais lidos no Blog Minha Vida Gay é sobre relacionamentos afetivos. Ao contrário do que a ideia da “modernidade líquida” sugere, tem muita gente buscando a “tampa para sua panela”, a “metade da laranja” e o que comprova são os números: desde 2011, quando iniciei o MVG, o post “Onde eu acho um namorado” está entre os três mais lidos – todos os anos – e acumula aproximadamente 90 mil views. É uma soma maior do que qualquer pesquisa de rua.

Suponho que a maioria que clica neste conteúdo seja formada por jovens gays de 2o e poucos anos para baixo. O “baixo”, hoje em dia, fica difícil de precisar já que notei comentários de usuários que dizem ter 11 anos, a procura de um relacionamento homoafetivo. Novos tempos…

Ao mesmo tempo, imagino que há aquela parcela dos 20 e poucos para cima que também se interessem por assuntos relacionais e afetivos. A tecla de afetividade é uma das mais batidas da humanidade, nos filmes, conversas de bar e afins.

Como empresário, me relacionando com centenas de pessoas nestes mais de 15 anos como tal, posso afirmar que o trato com clientes, parceiros e profissionais da minha equipe é o ponto mais desafiador. Relacionamento puro e é o que vive “dando certo e errado”.

Modestamente, tentarei fazer um apanhado geral sobre o tema neste post para trazer luzes aos leitores do MVG. Não esperem dicas superficiais de uma Capricho (rs).

Relacionamentos, mesmo entre gays, não se resolvem em fórmulas mágicas. Mas tem como passar um pouco de experiência:

Permita-se experimentar

A base de um relacionamento afetivo é a troca. Claro que o desejo mútuo e a química na cama fará diferença. E é nesse aspecto sexual que já abro um grande parênteses que pode provocar alguns passantes: entendo que exista uma pré-disposição para alguns indivíduos se sentirem mais a vontade em serem ativos e outros para serem passivos. Mas afirmo que isso é uma construção cultural que restringe nossas opções.

Fisiologicamente, todos os homens são capazes de sentir algum tipo de prazer ao serem penetrados, gays ou heterossexuais. Sabia que os gays norteamericanos, por exemplo, não entram nessas questões quando estão se conhecendo e que, se restringir a encontrar um pretendente por causa deste tema é um limitante? Não colocar esse fator como decisor, é a oportunidade que você se dá para dobrar as possibilidades de encontrar alguém.

Como um amigo brasileiro que mora fora há algumas décadas diz: “ai, esses latinos… são os únicos que tem que trazer assuntos de ativos e passivos!”. Assim, abra a mente, abra o orifício e aumente sua oportunidade de ser feliz!

Pemita-se treinar e experimentar (neste aspecto e em outros) ao invés de determinar como parte da sua identidade, para todo sempre, ser ativo ou ser passivo. Qualquer determinação para nossa vida pode dar segurança por um lado, mas é um limitante por outro.

Atenção ao ego excessivo

Com o advento das redes sociais, liberamos algumas forças que, quando excessivas, fazem mal de todo jeito – apesar de um aparente prazer – e afungenta qualquer relacionamento para uma maior profundidade. Somos hoje hábeis julgadores, egocêntricos e viciados em curtidas daqueles que – hipoteticamente – gostam da gente. Nunca a necessidade de pertencimento e aceitação se fez tão presente, de maneira tão viciada e notem: normalmente excluindo ou rejeitando algo ou alguém em detrimento a aqueles que consideramos hoje. Não conseguimos passar um dia sem postar ou fuçar o Facebook para julgar ou exibir algo. Vivemos uma fase absurdal de ostentação, tal qual selfies, nudes ou vídeos dentro do carro mirando o teto solar aberto para sugerir sabe-se lá o quê com isso. Só um exemplo.

Por que será que precisamos expor e divulgar tanto nosso estado de espírito “elevado”? Alguma coisa, de fato, não está tão elevado assim.

Clamamos por curtidas daquelas pessoas que fazem parte do “grupo que pensa como eu”. Queremos elogios, aplausos e seguimos com um sentido fantasioso de empoderamento que as redes sociais nos conferem. Tais clamores, as vezes, são até necessários se vem com propósitos. Mas, se constante, deforma a personalidade e traduz a necessidade de exibição, a todo momento. Todos os dias.

Todo excesso subentende a falta de alguma coisa. É muito difícil evoluir em uma relação afetiva com alguém que, de fato, é tão necessitado de atenção.

Seja primeiramente feliz consigo

De nada adianta exercitar a solitude se, entre um momento e outro de solidão, se posta algo nas redes, até mesmo para autoafirmar a própria solidão. Aliás, de nada adianta ficar sozinho, quieto no seu canto mas acessar o WhatsApp para muitas interações. As redes, novamente, são esses pequenos “demônios” que nos possibilitam autoafirmar constantemente para buscar aprovação de algo que nos falta. Se você trocou o convívio pessoal pelo convívio virtual, você não é necessariamente feliz sozinho. Mas, talvez, preguiçoso.

Claro, relacionamento, tete-a-tete e constante, dá trabalho.

O exercício de uma completude, por incrível que pareça, não precisa de vitrine, nem de curtidas, nem de comentários que nos incentivem pois, pela natureza do exercício, é solitário. Se você abriu sua janela para dizer “oi, sou feliz sozinho”, a incongruência te denuncia. Pelo menos aos olhares mais sensíveis que, talvez, te conferissem outros parâmetros de relacionamentos afetivos.

Difícil, não? É bastante. Mas o fato é que somente quando se estabelece uma paz na solidão (solitude) é que somos capazes de entender e aceitar mais o outro. Quanto mais nos aceitamos e estamos felizes consigo, mais tolerante nos tornamos e entendemos, inclusive, as imperfeições do outro e aquelas características que, se para nós é uma virtude, para o outro é um defeito. Enquanto isso, de fato, esperamos que o outro supra nossas carências, demandas e necessidades. Queremos que o outro preste atenção em nossas “virtudes” por bem ou por mal.

Somos parciais quando buscamos apenas aquela parcela que nos compreenda. Respeito à diversidade e tolerância, de fato, é maior.

Assim, estamos exercitando uma necessidade de atenção a todo momento. E, numa relação, tal necessidade vira competição ou cansa. O nosso “pequeno mundo” construído de iguais pode até enaltecer a nossa prodigiosidade. Mas numa relação afetiva, colocar alguém no pilar ou forçar para estar lá é, no mínimo, desgastante.

Entendimento do amor

Eu sei que tal prática, do exercício da solitude para a completude, é um fardo quase que improvável para quem tem 20 e poucos anos. Com 20 e poucos anos, gays ou heterossexuais, homens ou mulheres, estão justamente na fase de “gritar” o que são, o que se ama, o que se odeia e o que, tudo, forma nosso pequeno mundo, justamente para atrair aqueles semelhantes que nos idolatram ou, apenas, estejam em convergência com o que acreditamos. É um amor seletivo que visa (compulsivamente ou não) a necessidade de gritar: “eu importo para algo ou alguém, viu? Eu funciono! Eu dou certo!”.

Ninguém está dizendo para ser diferente disso. Mas isso, esse jeito de ser que é meio geral, entre os jovens hoje em dia, tem seus bônus (ao ego, aos amigos óbvios que pensam como a gente, a transitoriedade das relações, a prazeres constantes) e o ônus: a dificuldade de se aprofundar em um relacionamento afetivo. Ou, a dificuldade de criar vínculos com alguém que gera prazer mas diferenças também. Porque em um relacionamento afetivo não entra apenas aquelas partes que as pessoas curtem, comentam ou “aplaudem” nas redes sociais. Entra também no pacote a sua irritação, o ciúme, a preguiça, a contrariedade de ideias, entre outros mais. Em suma, seus defeitos.

Sabe a ideia de “dar e receber” intimamente? Se abusamos para falar coisas bonitas e que fazem sentido ao outro que é essa necessidade de viver em função de redes sociais, na realidade, estamos interessados em receber. O dar fica para outro dia.

Se estamos em par, fica difícil ter o clamor e as curtidas dos outros para as nossas razões diante os altos e baixos do casal. A não ser que você queira fazer do seu relacionamento um espetáculo exposto o que, no mínimo, não te faz merecedor de estar em par.

Perceba que a maioria das pessoas que estão felizes em relacionamentos amorosos, expõe assuntos genéricos e pouca coisa relacionado à própria vida. Ou até mesmo quando bem resolvidas consigo e sozinhas. Sabe por quê? Elas não precisam autoafirmar para o mundo “gostem de mim”! Elas de alguma maneira já se bastam.

O amor com base na carência e na necessidade de aceitação vai te oferecer relacionamentos deste mesmo nível. E na vida é assim, uma escala de aprendizados. Há quem fique neste mesmo capítulo por longos anos.

O que tem para hoje? Já pensou que depende mais de você do que do outro?

Saia do mesmo discurso

Vejo jovens, gays ou heterossexuais, sempre no mesmo discurso. Ou de uma solteirice convicta ou de uma birra com os meios ou, também comum, uma insatisfação perante todas as oportunidades que aparecem pela frente. E todos estão a procura de alguém.

Todas essas maneiras, igualmente aos pontos anteriores, é fruto de um ego exacerbado. Não precisa ser leonino ou ariano para ter ego (rs). Como disse, todo excesso subentende uma falta e, no caso, talvez seja a falta de uma alta autoestima. Será mesmo que as pessoas estão solteiras e convictas ou vivendo de migalhas aqui e ali na busca exclusiva de prazer? Será mesmo que os meios são um problema ou você não sabe lidar com a maneira que o outro te trata? Será que as pessoas que aparecem pela frente são tão “abaixo” de suas expectativas assim ou você está aguardando alguém perfeito… como você?!

Talvez Zigmunt tenha razão: a sociedade da qual você participa anda muito líquida. Talvez você seja o exemplo mais evidente disso. Talvez quem tenha que mexer aqui e ali seja você mesmo e não o outro que você acusa, julga e determina.

Talvez…


coach-de-vida-gay

Flávio Yukio Motonaga

Sou Mentor e Coach para o público gay e relacionados: pais, irmãos, amigos, entre outros e desde 2011 matenho o Blog MVG como meio de referência, trocas e vivências. Gostaria de uma mentoria ou coaching? www.lifecoachmvg.com.br

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