Meu perfil dos 40 anos


Agora sim: os 40 anos de um gay

“Com 40 anos, a gente sabe o que quer, sabe o que não quer e sabe o que tanto faz para a vida” – e essa frase ressoou da conversa com um amigo, gay, há 3 anos atrás, quando eu tinha ainda 37 anos, mas a minha sensação já era de que eu tinha 40.

É engraçado porque normalmente a gente não tem expectativas por ficar mais “velho”. Mas confesso que eu aguardei, com certa expectativa, a chegada dos meus 40. É possível elucubrar diversos motivos para isso e uma das certezas é que agora existe uma congruência entre como entendo a minha mentalidade e a idade (númerica).

Fisicamente, e isso tem seus ônus e bônus, a aparência ainda não é dos 40, é menos, o que tem seu lado positivo. Positivo, também, ao me relacionar com pessoas mais novas e elas me perceberem sem muita distinção pela aparência. Mas as vezes seria bom, principalmente nas relações de trabalho, as pessoas me perceberem como alguém mais velho, o que não acontece sempre.

Me apropriando da Roda da Vida, que é uma interessante ferramenta de Coaching, deixarei por aqui o resgitro da minha autoanálise (ou autocoaching que também é uma prática comum da área), para que os leitores – das mais diversas idades – se referenciem:

PESSOAL

  • Saúde e Disposição: a energia vital hoje é focada. Uso muito menos da minha saúde para bebidas alcoólicas ou drogas. Pratico exercícios físicos regularmente e sigo a risca minha reeducação alimentar, hoje, menos por estética e mais por qualidade de vida. Empresário, coach, blogueiro, (logo menos YouTuber) e gay, a vida com a cabeça-pensante, exige bastante da disposição! Aos 35 anos pintaram alguns “probleminhas”, herdados pela herança genética, que me condicionariam a tomar remédio todos os dias. Não gostei da ideia da dependência e passei a regularizar a prática, o que me afastou do remédio. Sim, preciso parar de fumar!;
  • Desenvolvimento Intelectual: existe uma diferença entre inteligência e sabedoria. A tradução destes conceitos estão espalhados por aí, no MVG e em outros sites com uma “pegada” mais filosófica. Eu descobri recentemente que inteligência, que era algo que achava que me faltava, está no lugar. A parte da sabedoria não deixa que a natureza esnobe da inteligência sobrepuje a própria sabedoria. Então, com 40 anos, sabedoria é o sentido maior, para mim, quando o assunto é intelectualidade;
  • Equilíbrio Emocional: inteligência emocional para um ariano com ascendente em áries poderia apontar para assuntos contraditórios. Por mais que eu não negue posturas firmes e incisivas, principalmente quando o assunto é trabalho, o descontrole emocional é algo que se afastou de mim nos últimos 5 anos. O ego sempre tem uma parte que dana, que quer atenção, que faz tipo, que cria uma imagem para o outro, que constrói fantasias e conta apenas meias verdades. Meu equilíbrio emocional se dá na proporção em que eu dependo cada vez menos da aprovação e, principalmente, da negação ou rejeição do outro. Estou em processo!;

PROFISSIONAL

  • Realização e Propósito: sempre os tive, propósitos, desde pequeno quando o sentido de “querer” se configurou nos primeiros anos da minha vida. “Eu quis, eu quero e vou querer”. Parte das realizações não vieram da maneira que eu gostaria e custei um tempo para entender que não temos controle de quase nada. Existe uma fluência natural que não nos cabe mexer. Troquei e tenho trocado minhas crenças limitantes por novas crenças emancipatórias e, por enquanto, vai tudo bem assim. Quem sofre, as vezes, são aqueles que não aceitam – de mim – certos cortes de “cordões umbilicais”. Mas o que eu faço diante disso? Aceito. E sou grato porque honro (palavra pouco empregada em nossa cultura e muito utilizada na cultura japonesa) as minhas intenções e atitudes. Vivo um pouco de honra todos os dias e não sei se isso é bom ou ruim até hoje. Um ex publicou na minha timeline uma foto linda de um filhote de elefante, fazendo menção de que ele (o ex) me vê como aquele bicho: “tiny giant”. Vi algum sentido;
  • Recursos Financeiros: sempre pode-se produzir mais quando se quer. Basta querer, seguindo a mesma base de realização e propósito;
  • Contribuição Social: perante ex-sócios, profissionais que trabalharam comigo, amigos e pessoas que direta ou indiretamente chegaram a mim por meio do MVG, entendo que o “tanque” deste quesito está de bom tamanho há décadas. Talvez a forma nem sempre tenha sido a mais empática, mas quem disse que educação/conhecimento se transfere apenas com afagos ou permissividade?;

RELACIONAMENTOS

  • Família: equilíbrio e harmonia é o que há. Não preciso brigar ou fazer parte de crises para autoafirmar, depois, o amor. É bom sair desse vício comportamental, o que não quer dizer um mar-de-rosas, mas diferente;
  • Desenvolvimento Amoroso: é na medida de nossa humanidade. A palavra “amoroso” vem de amor e amor, para mim, tem muito de prática, permissão de viver e conhecer o outro. Tem muito de não condicionar esse sentimento a grupos ou pessoas que necessariamente me aceitem ou me admirem ou acreditem nas mesmas coisas que eu. A mim, é nas diferenças que existem os maiores aprendizados. Podemos ser inteligentes (e esnobes por isso), mas não seremos sábios se não formos além disso. Na polarização não existe amor, mas máscaras;
  • Vida Social: one-to-one, da intimidade para a intimidade. Muita gente junta me dá preguiça! (rs);

QUALIDADE DE VIDA

  • Criatividade, Hobbies e Diversão: tenho os meus. Cachorro, twister e o hobbie de sair para comer. Não posso descartar a própria academia que tem relação direta com “Saúde e Disposição”. Mantenho certo vínculo com a música também por meio do aplicativo Smule Sing!. É no mínimo terapêutico e já trouxe até conhecidos internacionais!;
  • Plenitude e Felicidade: 2015 e 2016 foram anos de “crises existenciais”. Muitas pessoas entraram e saíram da minha vida, no aspecto pessoal e profissional. Fui ressignificando a maneira de me relacionar e é certo que tais modos não caíram bem para algumas delas que, de algum modo, resistem ou resistiram a tais mudanças. Assim, a vida é um moinho e depois da tempestade vem a bonança. Posso dizer que, depois dos conflitos internos os quais vivi nestes dois últimos anos, compreendi um pouco mais que o sentido de “tempestade ou bonança” é uma construção interior. A partir daí, nos posicionamos no mundo de acordo com as nossas próprias crenças. Por mais que exista a influência exterior a todo momento, quando exercitamos nossa mente e nos propomos (simplesmente) a mudar, existe um sentido de empoderamento. A jornada é solitária e, de certo, subentende algum sofrimento. Percebo hoje que elogios, aproximações e afetividade são importantes pela positividade da própria energia que emanam, mas não a ponto de gerar dependência. Crises, confrontamentos e conflitos podem sugerir um rebaixamento do astral pela negatividade da própria energia, mas não são suficientes para tirar do eixo. Não sei dizer se isso é plenitude, mas sei que nada pode abalar meu estado de espírito porque a questão é cada vez menos o outro e, sim, eu;
  • Espiritualidade: meu “anjo” veio conversar comigo em sonho duas vezes, um deles no pico de uma crise emocional no ano passado e outra antecedendo, recentemente, uns dois dias antes de receber uma notícia não muito agradável. Ele veio de formas diferentes, mas curiosamente, sei que foi ele. Posso dizer que a minha fé, intenções, honra e moral “trocam figurinhas” a todo tempo. Respeitando todas as crenças religiosas, incluindo Evangélicos e o Ateismo, acredito em Deus, aquele que não determina uma religião da verdade, mas que é uma energia maior que paira sobre todos nós e oferece sinais a todo tempo.

Assim, com 40 anos, estou mais preparado para a própria vida do que quando tinha 20 ou 30 anos. E é na hora que um problema surge a minha frente, que um desafio é colocado, que aflora as intenções de tudo.

A dica que eu dou a cada leitor, até mesmo a aquele que vê com viés ou julgamento contrário as minhas palavras, é exatamente essa: “não tenha medo. Tudo vai dar certo”.

Gratidão. E ninguém, nenhum gesto ou nada é capaz de tirar esse sentimento de todas as situações e pessoas que passaram pela minha vida nestes 40 anos. Claro que frustrações, decepções, entre outros sentimentos negativos pairam de vez em quando para, quiçá, algum aprendizado. Mas não são maiores nem demolidores capazes de me tirar do peito a positividade das coisas e a crença, sim, nas pessoas.

Tiny Giant.


coach-de-vida-gay

Flávio Yukio Motonaga
www.lifecoachmvg.com.br

6 comentários Adicione o seu

  1. Parabéns Flávio, pela sua data querida. Adorei o post.

    1. minhavidagay disse:

      Muito obrigado, Danilo! E espero que com essas referências e com o coaching que estamos realizando, você esteja começando a vislumbrar novos caminhos para a sua vida!

      A mim, sem demagogia, este é o melhor presente. :)

      1. Sinta-se já presenteado, pois estou sim já vislumbrando esses caminhos. Ainda tem muito a que percorrer, mas os primeiros passos já foram dados.

  2. André disse:

    Parabéns amigão!!Muitas felicidades, alegrias, paz e luz em mais uma primavera!…
    O aniversário é seu, mas quero e muito agradecer seus posts que tanto tem me ajudado (conheci o blog há 1 semana) a tentar me reerguer das dores, decepções, solidão… Muito obrigado. E mais uma vez parabéns!!!

    1. minhavidagay disse:

      Muito obrigado, André!

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