O bem e o mal


O que você acredita faz a sua vida

Qual a diferença entre o gay enrustido, o gay assumido e o homossexual que não dá crédito à ideia de ser gay? Todos, em algum nível, possuem desejos por outro do mesmo sexo e poderia dizer que o gay enrustido é aquele que prefere não assumir e, talvez, nem realizar suas vontades com um outro do mesmo sexo. O gay assumido é aquele que em algum nível, afetivo, sexual e/ou social, pratica seus desejos afetivos, sexuais e/ou sociais como gay. E o homossexual que não se considera gay é aquele que, apesar de ter desejos por outro do mesmo sexo, identifica-se pouco ou nada com a ideia que cria sobre um indivíduo gay. Explicações resumidas e triviais, quase que reducionistas, mas que funcionam para contextualizar este post.

O fato é que a crença – não me refiro a nada religioso propriamente, mas sim, a tudo aquilo que uma pessoa acredita – determina, dá os contornos e configura o próprio indivíduo. O documentário “Quem Somos Nós” orienta o espectador a entender um pouco mais sobre o Poder das Crenças. Com base científica, mais precisamente sob os conceitos da física quântica, o ser humano determina suas certezas, segue por elas e, o mais audacioso de tudo, é capaz de tranformar, modificar e modelar suas verdades a cada encontro com a maior consciência.

Em uma das sessões de mentoria e coaching, meu aprendiz / coachee trouxe o tema da religião e o quanto o Cristianismo e o Espiritismo estão presentes em sua vida. Costumo dizer que uma sessão é sempre de ganho mútuo, para mentor e aprendiz, para coach e coachee. Tive alguns insights sobre aquele momento em que discursávamos sobre a existência de espíritos e o quanto poderiam nos influenciar e trago algumas reflexões por aqui sobre a força de nossas crenças.

Sob todos os conceitos, valores, significados, análises e constatações que formam o documentário, tive uma experiência há mais de uma década, quando por intermédio de um amigo – e junto com ele – fui receber uma espécie de passe de um tipo de “Mãe de Santo”. Sempre me chamou a atenção a diversidade religiosa existente no Brasil, dos símbolos e significados dos Orixás, à filosofia do Budismo. Ele já havia comentado sobre um tratamento que aquela senhora havia realizado, quando do peito do meu amigo, sem que a religiosa encostasse, brotou um coágulo de sangue, fluído que – segundo ela – se não fosse retirado da região de seu coração, traria problemas cardíacos no futuro.

Fiquei cheio de curiosidade sobre aquele “poder” e não hesitei quando o convite veio. Chegamos na casa da mulher e, ao entrar em sua sala, uma assistente me passou um copo com água, pediu para que eu segurasse durante a sessão e se retirou. A Mãe de Santo econtrava-se sentada em um tipo de altar simples encostado a uma das paredes, com diversos objetos e símbolos colados a sua volta. Nada que representasse uma única religião propriamente ou que realmente me recorde.

Apenas a cumprimentei e permaneci calado. Me posicionei ao centro da sala e ela veio até a mim. A uma distância de meio metro, ela ergueu sua palma da mão e ia de cima abaixo me circundando. Em determinado momento, ela me virou de costas, deu um leve toque na minha cabeça e – de repente – ouvi um estalo. Rapidamente, ela jogou uma vela vermelha, ainda com o pavio intacto, dentro do copo de água, aquele que eu segurava com as duas mãos na altura do meu peito.

Surpreendente. Em nosso entorno não havia absolutamente nada, sala vazia a exceção de seu altar há 3 metros de distância. Ela estava descalça e vestia apenas um vestido fino com tonalidade bege.

A senhora me virou novamente para frente do altar e sentou em sua poltrona.

– Filho, você tem muitos problemas com seu pai. E vejo que a energia dele não está boa, não. Ele é uma pessoa com pensamentos confusos, é uma pessoa de temperamento difícil, sofre muito… ele já foi muito ruim em outras vidas. Vou fazer umas coisinhas para mudar um pouco isso.

Àquela época, era notório as dificuldades e bloqueios emocionais que existiam entre eu e ele, algo bastante discorrido aqui no Minha Vida Gay.

Depois daquele incidente, da materialização da vela e da capacidade daquela senhora captar as rusgas que havia entre eu e papai, busquei entender um pouco mais de tudo aquilo, algo que o documentário citado neste post sugere de maneira simples e científica. O meu encontro com esse vídeo viria muitos anos depois do “passe” o qual eu havia tomado, mas lembro que – vendo os primeiros minutos do documenário – veio a minha lembrança aquela situação com a “Mãe de Santo”.

Em linhas gerais, o poder das crenças funciona da seguinte maneira, adaptado aos três exemplos da homossexualidade:

– Sou gay e enrustido porque eu acredito que o peso da rejeição, repulsa e decepção ao meu entorno será uma avalanche. Tenho medo por ser gay. E assim, segundo a física quântica, será;

– Sou gay e assumido porque eu acredito que me permitindo viver minha afetividade, sexualidade e socialização, em diversos níveis, serei mais feliz. E assim, segundo a física quântica, será;

– Sou homossexual e não consigo me “rotular” como gay porque não me identifico com nada do que é essa coisa de gay. E assim, segundo a física quântica, será.

No livro “O Poder do Hábito” de Charles Duhigg, a neurociência deixa seus contornos e explica que nossos hábitos – incluindo daquilo que pensamos – são gravados em uma parte do cérebro chamado gânglios basais e reforça, por intermédio de outros argumentos científicos, que somos totalmente capazes de transformar os mesmos. Os neurônios modificam suas conexões e posições a cada mudança de hábito.

Se o medo por aquelas energias ou espíritos que nos fazem mal é mais forte e presente do que a crença nas energias ou espíritos que nos fazem bem, segundo a física quântica, assim será. Para essa ciência, tudo é energia – prótons, elétrons, neutrons, neutrinos, etc. – e somos dotados da capacidade de modelar essas energias em nosso cérebro por intermédio do poder de nossas crenças. Capazes, inclusive, de transformar, moldar ou deformar cristais de água pela expressão de algum sentimento, raiva, rancor, amor, alegria, etc.

Antes de sair da sala do passe, questionei a senhora:

– O que representa essa vela vermelha?

– É inveja, filho.


coach-de-vida-gay

Flávio Yukio Motonaga
www.lifecoachmvg.com.br

3 comentários Adicione o seu

  1. lebeadle disse:

    Olá, MVG, tudo bem

    Há tempos não lia seus artigos e agora volto
    aqui e tudo está tão diferente, eu que sou antigo
    frequentador desse espaço me surpreendi positivamente.

    Pois é amigo, pretendo continuar passando, me
    informando e comentando o que for do meu interesse.

    Interessante essa coisa da inveja, pelo viés analítico, será
    que Freud explica

    Le Beadle

    1. minhavidagay disse:

      Ei, Lebeadle! Bem-vindo de volta é sempre.

      Como frequentador antigo, poderia me dizer o que percebeu de diferente? Sempre bom ter comentários!

      Traga suas novidades também!

      Abraço, Flávio

      1. lebeadle disse:

        Oi, estou pensando e precisando te escrever pois tenho algumas reflexões para compartilhar, algo que ainda preciso trabalhar um pouco e queria ver sua opinião.
        Abraço

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