Gays: quando gostam, se apaixonam ou amam


No final, a questão é: o que te supre e satisfaz?

Gostar, apaixonar-se ou amar. Existem diferenças entre esses três tipos de sentimento que são feitos (também) para se ter por outra pessoa e, mais uma vez, parto da premissa de que a reflexão começa a partir do momento em que o indivíduo (gay ou heterossexual) age como um ser inteiro e não mais como um indivíduo a procura de uma outra metade.

Somos seres inteiros em busca de outros inteiros que optem por compartilhar etapas e momentos da vida juntos.

Li recentemente em um site de conteúdo de autoajuda, espiritualidade e astrologia, que o sentimento de gostar, se apaixonar e amar caracterizam etapas diferentes em uma relação, quase que numa escala de (1) gostar, (2) se apaixonar e (3) amar e, a medida que deixamos o sentimento de gostar e mais amamos, mais perdemos o sentido de individualidade, assumindo um único ser inteiro pela soma de duas metades.

Bem, sejamos inteiros ou metades, tentamos elaborar e dar significados a questões subjetivas e de desejo público, jurando que essas “dicas” nos tornarão pessoas mais aptas para nos relacionar ou, quiçá, fazer um relacionamento prosperar e perdurar por anos! De certa forma, tais textos motivacionais estão aí para fortalecer nossa ideia/fantasia de relações vindouras, algo que anda tão mais difícil de se conceber em tempos modernos.

Assim, em um movimento lúdico em direção a tal tema, falarei de gostar, se apaixonar e amar, do ponto de vista de quem se coloca como um ser inteiro. Se você acredita na tampa da panela ou na metade da laranja, parta daqui! (rs)

Gostar

O ser inteiro que gosta dispõe de um tempo para fazer coisas com a pessoa, mas não vai abrir mão de aspectos importantes de sua individualidade. Por exemplo, responsabilidades de trabalho são prioridades. Passar um tempo com a família é também relevante (para alguns) e, amigos, terão preferência, dependendo do que já estava combinado. Quando o indivíduo está gostando, não sente a necessidade de abrir mão de atividades pessoais importantes e rotineiras, como ir a academia, correr ou frequentar um curso para estar a frente daquele que se está conhecendo. Aliás, a fase do gostar, normalmente, coincide com a fase do conhecer. Quando estamos conhecendo, o ideal é não ter pressa, embora muita gente “meta os pés pelas mãos” nessa fase inicial e acabe, sem querer, deixando transparecer carências, inseguranças ou idealizações. Quando se está conhecendo (ou gostando), já se aprovou do toque e do sexo, mas ainda é difícil dizer que há intimidade.

No mundo atual, fazer sexo é conhecer e não significa (necessariamente) ter intimidade.

Quando estamos gostando, o sentido da pessoa em sua vida ainda é “fraco”. Estar com ela ou viver situações com ela é apenas mais uma atividade dentre diversas outras que nos dão (ou não) prazer. Enquanto estamos conhecendo é bastante importante estarmos “apenas” gostando pois, assim, conseguimos conhecer o outro livre de idealizações e fantasias. Gostar, sim, dá um tom de seneridade e tranquilidade para o processo mesmo que – ao mesmo tempo – pareça as vezes falta de compromisso ou “brincadeira”. Há quem enxergue apenas a “falta de compromisso” e há quem enxergue a leveza, muitas vezes importante para o momento de conhecer.

Se Apaixonar

Se apaixonar, para o indivíduo inteiro, é algo bastante raro, pontual e momentâneo. É a oportunidade que existe para lidar com uma parte “criança” que todos nós temos. Criança porque sonha, cria fantasias e acredita em histórias (boas e ruins) da própria cabeça. Paixão não é algo que se escolhe. Acontece. Normalmente, se apaixonar tem algo de idealização, de fantasia e – as vezes – da projeção de alguns aspectos que a gente não é (ou não tem hoje) e que percebe no outro. É muito comum no estado de paixão a gente lançar a ideia “quando eu crescer, quero ser como você”.

Quando estamos apaixonados, o sentido da pessoa na sua vida é “louco”. É de uma intensidade desproporcional ao tempo que ambos se conhecem. É de um controle ou ciúme normalmente criados na cabeça daquele que está apaixonado. É tão intenso que, se você percebe que o outro está “menos” apaixonado, você se sente debilitado. Vulnerável. Pode ser dramático, explosivo, descontrolado. Pode ser implosivo!

Amar

O ser inteiro que ama oferece de um tempo para fazer coisas com a pessoa, mas não vai abrir mão – a todo momento – de aspectos importantes de sua individualidade. Sabe fazer concessões porque já reconhece no outro seus valores e senso moral.

Por exemplo, responsabilidades de trabalho são prioridades, mas dependendo do contexto, pode se priorizar o outro. Passar um tempo com a família é também relevante (para alguns) e, amigos, terão preferência (ou não), dependendo do que já estava combinado. Com o tempo, a medida que um casal constrói o amor, é natural que exista a prioridade entre os combinados entre o par, o que não quer dizer que amigos – as vezes – não tenham prioridade. Quando o indivíduo está amando, não sente a necessidade de abrir mão de atividades pessoais importantes e rotineiras, como ir a academia, correr ou frequentar um curso para estar a frente daquele que se está conhecendo, a não ser em ocasiões especiais, combinadas entre o casal. Aliás, amar, normalmente, coincide com a fase do redescobrir. Quando estamos redescobrindo, o ideal é não ter preguiça, embora muita gente não queira sair da zona de conforto, do lugar comum, e acabe, sem querer, deixando transparecer desinteresse. Quando se está amando, já se provou do toque e do sexo inúmeras vezes e já se descobriu detalhes íntimos na hora de cama que só o casal poderia identificar.

No mundo atual, fazer sexo e amar é raro, mas não é impossível.

Quando estamos amando, o sentido da pessoa em sua vida é “forte”. Estar com ela ou viver situações com ela é apenas mais uma atividade dentre diversas outras que nos dão (ou não) prazer, mas, curiosamente, nos sentimos seguros e confortáveis de realizar com quem amamos. É terreno conhecido. Confere paz. Gera prazer em silêncio. Nos eleva a um tipo de fluidez e conexão que é indescritível – não porque é intenso ou inesquecível – mas porque normalmente é imperceptível.

Por fim e não menos importante, ao contrário do que sugeriu o texto o qual me inspirei para este post, como se gostar, se apaixonar e amar fossem parte de uma escala de graduação, entendo que estes três sentimentos podem transitar em momentos diferentes e em tempos diferentes em uma única relação. Não necessariamente são apenas etapas sucessórias, mas sentidos que podem ir e vir, sem uma cadência lógica, sem sugerir uma linha reta. Recomendo ao leitor que se entregue a estes sentimentos, ao mesmo tempo e sem um desejo de querer alcançar ou classificar, ou delinear, determinar ou delimitar. Sem querer medir no outro ou dar nome. Porque a permissão de gostar, se apaixonar e amar – a prática – é muito mais relevante do que qualquer artigo como este.


coach-de-vida-gay

Flávio Yukio Motonaga
www.lifecoachmvg.com.br

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s