Parece loucura, mas não é


Mais sobre relacionamentos entre gays: quando sentimentos “negativos” também fazem parte da vida de um casal.

Há quem prefira lançar de viés, outros preferem ser objetivos e diretos e, no final, a vida acaba orientando para que – independentemente de nossas personalidades e formas – expressemos nossos sentimentos quando o assunto é relacionamento.

Mais um post que funciona para gays e que vai servir de curiosidade para heterossexuais; nuances das nuances nos relacionamentos entre gays.

É possível estar envolvido emocionalmente, estar gostando e ter certa inveja da pessoa?

Totalmente possível. As vezes é difícil entender essa ideia com clareza ou mais ainda difícil dividir com a pessoa envolvida, mas – pelo menos nas relações afetivas entre dois homens gays – é muito comum o sentimento de inveja de um pelo outro, principalmente nos quesitos de experiência/vivências, conquistas ou bens materiais, ou beleza física. Há um certo incômodo ou irritação pelo que o outro tem ou é “a mais”. Aspas com bastante convicção pois a ideia do “a mais” normalmente é uma projeção fantasiosa da mente de quem inveja.

As vezes podemos achar um absurdo residir no mesmo lugar do envolvimento, da admiração e do afeto tal tipo de sentimento da inveja. Mas é absolutamente humano, comum e digno de atenção, principalmente quando a parte que ressente é capaz de expressar essa verdade. Expressar é a possibilidade ou a intenção de mudar. De qualquer forma, exige confiança, maturidade da parte que é invejada e intimidade.

Algo que eu insisto aqui no Minha Vida Gay é que o espírito competitivo entre dois homens é um fato que as vezes se diferencia em relação aos pares heterossexuais. Tal fato pode ser biológico ou cultural, não importa no momento.

O que importa é que em relações gays ou relações homossexuais há este tipo de nuance. Quando uma das partes é capaz de pronunciar e dividir o sentimento de inveja e a outra parte recebe com naturalidade, talvez, algo maior tenha se estabelecido neste encontro. Mas este “tamanho”, “formato”, “cor” e “sabor” apenas os envolvidos são capazes de valorar, se derem conta disso. Claro que a presença deste sentimento, se não superado, não contribui para a durabilidade da relação.

É possível ter posturas frias/indiferentes, até ofensivas e ao mesmo tempo estar gostando muito da pessoa?

O espírito de competitividade, orgulho (e quando não carência) em alguns homens enruste muita coisa. Não são todos gays (nem todos homens heterossexuais), mas alguns deles camuflam um trauma de um coração partido (do passado) em uma postura fria, individualista e ofensiva no presente e – sem querer – vivem tentando provocar situações em que o preterido fique correndo atrás, com demonstrações de atenção, afeto e carinho. Precisam ter certa sensação fantasiosa (pois na realidade não é possível medir) de que o outro gosta mais do que eles mesmos. Assim, se sustentam em uma ficção de que não vão se machucar ou vão se machucar menos.

Será mesmo?

O fato é que, as vezes, corações partidos assim precisam levar choques de realidade de pessoas que confiam hoje. Porque é como se projetassem no presente a culpa ou a frustração do que sofreram no passado e, ao mesmo tempo em que agem com pouco caso com o outro que está se envolvendo – sem querer (mas querendo) -, estão se autossabotando. Ao contrário das mulheres – emocionalmente fortes como elas são no geral – homens de coração partido, muitas vezes, “morrem” e tornam-se meio que zumbis afeitos a suas “prisões emocionais”, ao individualismo. Custam a ceder o espaço do amor para que uma outra pessoa ocupe.

Ser frio é uma forma de se proteger.

Neste caso, o presente não tem culpa nem responsabilidade nenhuma sobre o passado. As vezes, é importante largar o peso do trauma e seguir em frente, leve de novo, concedendo a si a oportunidade de ser inteiro. Largando um pouco das provações e desafios criados na própria mente, que foram iniciados no passado e que precisam ser aparentemente concluídos para que o trauma se resolva. Talvez só se resolva quando desacelerar e, quase que óbvio mas não tão óbvio, perdoar aquilo ou aqueles que ficaram pendentes.

Parece loucura, mas não é… as vezes, nós gays somos assim. E está tudo bem.

Pode afrouxar um pouco o nó agora. Aqui é um espaço seguro. Você não é mau por ser humano.


coach-de-vida-gay

Flávio Yukio Motonaga
www.lifecoachmvg.com.br

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