Ei, Mister Spock!


 

Minha Vida Gay: na dimensão dos opostos

Com 40 anos o que eu posso dizer é que a vida – seja ela sob o olhar das vivências gays ou não – nos trará sempre novidades, por mais que assumamos uma postura mais acomodada ou passiva. A vida vai empurrar, cedo ou tarde.

Os leitores mais assíduos sabem que o tema relacionamento sempre foi algo em evidência aqui no Minha Vida Gay, seja com a ênfase de um olhar de Coach ou como pessoa-blogueiro-afeito-a-relações. O segundo está mais em destaque ultimamente, detalhe para quem passa por aqui ocasionalmente.

Seja na amizade, família (agora também com uma sobrinha e mais dois gêmeos idênticos a caminho que certamente darão conteúdo ao MVG), ex-namoros, ex-casamento, entre outras relações, minha percepção sobre a ideia de relacionamentos é de um entusiasta. Poderia ser um universo repertorial exaurido. Mas não: se existem dois temas na vida que nos darão subsíduos para fazer valer o próprio sentido de viver são “autoconhecimento” e “relacionamento”. Se essas vivências são garantias para uma vida longa, eu querendo ou não, talvez passe dos 100 anos. Cigarro, continuo sem, outro detalhe que joga a favor de, pelo menos, um espírito longevo.

***

Eu ando em um momento bastante peculiar nestes dois últimos anos. O namoro com o Rafa, embora tenha terminado, despertou em mim “pontinhos interiores” de querer entrar numa relação, algo que se assemelha ao namoro com o ex-Beto nos quesitos comprometimento, frequência, intimidade, amizade e companheirismo (além de desejo e afeto, óbvios). Já são quatro anos que posso pincelar estas qualidades com todos os namoros que vieram na sequência, mas somente agora – nesta última história de 11 meses com o Rafa – algo novamente despertou para “ser para sempre”. A última vez que “ser para sempre” fez sentido, foi declarado e compartilhado e havia fé foi com o ex-Beto. Romântico, até mesmo ingênuo mas, acima de tudo, com sentido.

Sentido, este, que começa a fazer parte novamente de minhas sensações.

O curioso é que a vida, nos últimos dois anos, tem trazido a mim um perfil de cara bastante interessante. E suponho que a energia que esteja atraindo este perfil seja a minha – própria (também) – numa crença pessoal de que a gente atrai aqueles que estão em nossa frequência. Longe de querer rotular, enquadrar e julgar, optei de maneira lúdica e leve caracterizar esse perfil de Mister Spock (risos), para contextualizar vocês. Este mesmo, com a personalidade do tal (os entendedores-entenderão e os demais se apropriarão do Gugol, se quiserem), preferencialmente o original de Leonard Nimoy (e não de nosso representante gay, Zachary Quinto, que é bem mais “humanizado”).

O último Beto, o Rafa e, curiosamente, um rapaz – Henrique – que vem pacientemente investindo conversas comigo – ciente do meu término recente – são quase que diametralmente opostos ao meu “eu”, com as devidas proporções do tom simbólico do texto de hoje. O último, se for para eu levar ao pé da letra todas suas características mais marcantes teorizadas – já que eu não o conheço pessoalmente ainda – é o próprio Spock, apelido que não demorei muito para dar-lhe (RISOS).

Teoria dos opostos, sua danada

Eu sou passional, embora as horas de vôo tenham me dado algum tipo de autocontrole. Eu sou impulsivo, ciumento e – cutucar demais direta ou indiretamente – é como fazer uma graça na praia para evocar um tsunami no mar. Como uma amiga parecida comigo comentou recentemente, quando a gente sente dor parece que está rasgando. Quando a gente está feliz, é um turbilhão por dentro. A mim faz muito sentido.

Eu sou agitado e, agora que parei de fumar, tenho “controlado” minha ansiedade – basicamente – batendo perna, vivendo sem teto, ao ar livre. Posso não querer intimidade a todo momento, mas me comunicar com estranhos e fazer algum tipo de troca com os mesmos é simples como tomar sorvete. Rotina, tal qual denunciam os arianos clássicos, é normalmente chato para mim, principalmente quando sutilmente imposto. Vivo de dia, me energizo com o Sol e, tente me controlar ou me impor as regras do jogo? Tente fazer as regras achando que eu vou aderir sem me questionar, diante deste suposto ar ingênuo e infantil de um ariano? Tente respingar gestos de manipulação aqui e ali, numa fantasia de que sou um japonês-zen, de tom seguro?

Tente e cedo ou tarde será arrebatado pelo tsunami.

Eu não entenderei o controle sob um olhar gracioso. Mesmo porque, não é dessa forma.

Notou?

A minha consciência e a minha capacidade discursiva, que confere uma aparência de pessoa paciente, é somente isso: aparência. Eu viro filho de Ogum quando desconfio de controle ou me sinto controlado. Tenho 40 anos e continuo assim. Me encanto pelo consenso – o que vai colocar as pessoas em situação de diálogo – e explodo se for controle (risos).

Ah, tenho ímpetos egocêntricos e não nego. Mas estou longe de ser individualista ou egoísta.

Elaborar no Minha Vida Gay não corresponde necessariamente a racionalidade e, esta, é uma maneira errônea de interpretar. Não é lógica. O Minha Vida Gay é basicamente uma tentativa de traduções de emoções, sentimentos e pensamentos vindos de sensações.

Mas o “tipo” Spock é assim: racional e lógico, das poucas expressões de afeto ou da “timidez”. Controlado e, sim, controlador, das coisas precisarem sair, ir e vir de acordo com as medidas seguras de quem precisa sentir que está no controle. Tranquilos, pausados, de pensar uma ou duas vezes antes de agir ou falar. Quando não, acabar pensando tanto que deixam de agir (RISOS). Procrastinar sobre assuntos que não sentem o controle é comum.

Tendem a ter um tipo de “fobia” social, precisando pensar bastante e fazer esforço para lidar com estranhos. Timidez ou contenção? Essas são duas boas palavras.

No momento em que a rotina é a expressão de controle, adoram. Adoram ações rotineiras pois a obviedade das reações do outro, do universo e de tudo mais é controladamente previsível (RISOS). Pelo menos, a margem de erro é menor. É a fantasia de segurança.

Ah, tendem ao individualismo e ao egoísmo. Poucas coisas (ou menos, em relação a sua percepção das pessoas no geral) despertam um maior envolvimento emocional. Assim, quando desejam alguma coisa, saia da frente. A intensidade é rara.

E o mais “assustador”: adoram dormir. Além de entrarem madrugada a dentro, podem deitar as 4h da manhã e acordar às 16h do dia seguinte, de sábado para domingo.

Para um ser “Solar” como eu, pegar o dia a partir das 16h é a “morte”. E realmente é. Me alimento do Sol.

Tipos como o meu ou como eles? Tipos como o seu ou como aquele? Quem são melhores ou estão certos? Quem se dá bem?

No momento em que eu não acredito que somos melhores, nem certos, não há piores ou errados. Em experiências de relacionamento, como citei em um post dedicado a diferenças e vale o reforço aqui, não há ganhadores embora alguns levem relações ao nível de competitividade.

De qualquer forma, estou no mEU momento, o blog é mEU e se tem um ariano expressando seu egocentrismo hoje sou EU (RISOS!). Assim, para terminar de maneira descontraída vale este equilíbrio, de “Coach” no final:

“Todo Capitão Kirk precisa de um Spock” e vice-versa. Dois Kirks tendem a explodir ou implodir e dois Spocks tendem a inércia ou a depressão.

Ou não. Porque acreditar somente nesta dualidade é uma fantasia do tamanhico-divertidico deste post. :)

Na real, o interessante, a mim, será sempre a novidade e os pequenos sinais que a própria vida nos lança e a gente cata. Se quiser…

Live long and prosper or to boldly go where no man has gone before. Pode ser um, outro e muitos outros.

2 comentários Adicione o seu

  1. Paulo Lélis disse:

    Primeira visita ao blog … Adorei .. parabéns !!!

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado, Paulo! Seja bem-vindo e aproveite de um tanto de reflexões e ideias :)

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