O que é isso, menino?


Por que você anda tão desanimado? Um post dedicado ao gay de 25 a 29 anos.

Eu, gay com 40 anos (fios brancos descolorindo meus cabelos e barba), descendente de japoneses por parte de mãe e pai, empresário desde meus 23 anos, dentre outras informações que povoam o Minha Vida Gay para formar meu perfil, passei por algumas mudanças indesejadas nos últimos anos em detrimento a realidade sócio-econômica que se estabeleceu no Brasil. Gays, heterossexuais, “esquerdas”, “direitas”, mais ou menos endinheirados e seja qual for a etnia, a grande maioria da população do país entrou na mesma espiral da crise, seja ela afetando o aspecto material, emocional ou moral.

Costumamos não querer assuntar sobre essa realidade porque “atrai coisa ruim”. Pura crendice ou, na realidade, estamos é cansados do assunto. Porém, como não superar ou resolver os problemas se não os tivermos em nosso radar? Esperar que somente Deus os mova de nossa frente? Se Ele lhe conduz os sentidos, lembre-se que o trato é somente trabalhar em parceria!

A realidade é que as expectativas e as potencialidades se reduziram nos últimos tempos. O que parecia ser normal e comum, pode ter se tornado mais raro e escasso. O que era variado, acessível e até mesmo alguns aspectos que pareciam irrevelantes ou indignos de preocupação, se tornaram motivo de atenção. A começar, por exemplo, pela facilidade que era sair de um emprego e começar outro de interesse. Tal facilidade alimentava o estilo do jovem atual, que não sabia – até então – o que era ter que ficar “preso” ao mesmo trabalho porque as ofertas deixaram de girar como há 3 anos atrás. Este é apenas um exemplo dentre tantos outros que têm reformatado a vida no Brasil. Mas esse é bem didático para o caso.

***

Será que é por causa deste exato contexto social e econômico que eu tenho me deparado com uma juventude (de 25 a 35 anos) mais “cinza”, por assim dizer? Estava eu namorando há 11 meses com o Rafa, quando nos últimos 3 ou 4 meses voltei a “frequentar” novas pessoas, mesmo que de maneira bastante pontual. Já notava da geração do próprio Rafa, com seus 27 anos, um ar tomado por um certo “pessimismo-parcialmente-realista” e eis que em minhas suaves andanças por aí (super low profile a se comparar com outras épocas), tenho percebido uma moçada tão… baixo astral, “deprimida”, irritada, mal humorada… resmungona! Chato ter que dar nomes, mas são nesses sentidos que ressoam.

É horrível o julgamento aqui e até certa medida o meu papel é ajudar a reverter exatamente essas sensações: baixo astral, irritabilidade, mal humor, tristeza, incômodo… mas como indivíduo-observador, humano inserido no mesmo caldo, tenho notado pessoas que ainda não chegaram aos 30 anos (e estão bem próximos disso) em um contraste de humor ao meu bastante acentuado. Me refiro a jovens, meninos ou homens gays de 27, 28 ou 29 anos.

Não chego a estar saltitante, dando pulos de alegria todos os dias e soltando gargalhadas à toa. Mas o Sol tem me iluminado todos os dias e as estrelas o mesmo, a noite. Olho para alguém para um contato mais íntimo e – passada a formalização original entre as partes – me trazem o cinza.

Isso cansa. Isso consome. Ainda se a minha entrada fosse de Coach.

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Tenho percebido ainda, destes mesmos exemplares, uma necessidade muito grande de culpabilizar alguém pelo entorno, pelo país, pelo mundo. Seja a geração dos próprios pais que “não fez nada”, ou as esquerdas, ou as direitas, só que agora num tom do tipo: “culpo o outro lado lá, mas não tenho mais aquela moral de antes, então eu ando de cabeça baixa mas não deixo de falar”.

Será que a devoção pelos representantes foi consumida pela realidade em que se encontra o país?

Onde foi parar o brilho dessas pessoas?

Quem disse que é alguma coisa só de louvável ser uma pessoa hipersensível a mudanças? Qual a lição para tudo isso ou, melhor, queremos aprender alguma coisa? O brilho existia enquanto “a máquina” funcionava a mil maravilhas: “ai, não estou mais aguentando este meu supervisor. Vou mudar de emprego”; “ai, meu trabalho anda muito chato, vou passar um mês tranquilo em casa” (...).

Por um lado, que bom que o mundo estava mais fácil, que a vida oferecia praticidades e que, se o supervisor era um pentelho ou o trabalho estava chato, era muito banal tirar da frente e trocar. Foi a geração anterior que, inclusive, produziu força motriz para construir este país de facilidades tão dinâmicas.

Por outro, essa fluidez/liquidez andava ofuscando o sentido de realidade das pessoas. Andava até colocando a meritocracia como um bicho de sete cabeças! As pessoas, na realidade, andavam se sustentando em uma soberba para além da realidade. Um comodismo viciante. O cúmulo das facilidades e uma falta de referência muito grande sobre a dinâmica das sociedades, ou melhor, da realidade de ser brasileiro.

Irritabilidade, letargia, baixo astral, mal humor: estão aí os sintomas da crise de abstinência de um país “sólido” apenas nos últimos 23 anos. Ou seja, quem tem hoje 27, não conheceu ou não lembra do país antes da abertura econômica ou da estabilidade, tendo como ponto de partida a URV.

E não é? Não bastasse ser como indivíduo, como país também precisamos aprender a atenuar os altos e baixos?!

É tudo isso, é política, é crise, é ansiedade ou é, simplesmente, a falta de amor?!

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Me perguntaram esses dias, pessoa vinda do Blog Minha Vida Gay, o por quê de eu promover tanto a importância da maturidade em nossas vidas. Uma das respostas se encontra no texto de hoje: primeiro que a busca não é da maturidade, mas sim do autoconhecimento que acaba por acrescentar pontos em nossa maturidade. Segundo porque a prática do autoconhecimento nos afasta de nossos extremos, excessos, daquilo que nos dispende energia sem somar ou multiplicar.

É filosófico. É MVG. Não importa o quão longe você esteja. O que importa é caminhar um pouco todos os dias.

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“Ao olhar para o lado, ao comparar, o grande risco é – sem querer – alimentar sua natureza humana da inveja. Nem sempre há o controle, sendo que o avançado – ao olhar para o lado – é tomar o exemplo com independência e não invejar. A linha é tênue neste pensamento.

Busque ser alguém sem querer possuir nada de ninguém.

Referencie-se por alguém – seja um líder, um representante ou um mentor – sem a sede da inveja ou até mesmo a vontade de ter algo dele. Se você não invejar mas se acomodar a esta pessoa, também não estará se desenvolvendo. Não é nem por um lado, nem por outro.

Aproveite e seja você ao máximo quando estiver perto dele; tire suas máscaras e as camadas. E por fim e até mesmo mais importante, aprenda a escolher estes homens ou mulheres que se fazem de líderes. Veja se, na dura tarefa de orientar, auxiliar e ajudar, o teu mentor realmente separa os desejos egoístas dos valores que tornarão você, terceiros e quartos emancipados. É para este propósito, da emancipação emocional, intelectual, psicológica e material que todo verdadeiro líder deve conduzir aqueles que o seguem. Do contrário, este falso mentor, este placebo, estará te confortando ou ‘apoiando’ apenas para que ele tenha seguidores. Apenas para que ele tenha dependentes. Apenas para que ele continue no status que o coloca como líder. E você terá uma eterna desculpa para seus problemas”.


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Flávio Yukio Motonaga
www.lifecoachmvg.com.br

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