Minha Vida Gay: Retrospectiva 2017


Bem estar é prioridade

A chegada de dezembro, faça chuva ou sol, foi sempre inspiradora, energética e de me encher com uma sensação do novo. Sob a influência ou não da cultura Cristã, adoro este período que antecede as celebrações de final de ano.

Particularmente, o Natal sempre foi muito positivo. Talvez pelo fato da minha família não ter construído aquela “cultura obrigatória” de reunir pessoas apenas uma vez por ano. Talvez pelo fato do Natal me remeter a minha juventude e adolescência felizes ao lado de amigos e seus pais – todos os anos – no litoral norte de São Paulo e, assim, o meu conceito de Natal construir-se de um jeito atípico.

Mas estes assuntos de Natal e ano novo já foram pincelados por aqui algumas vezes. O que é importante é deixar registrado que meu sentimento atual, desde 1o. de dezembro é de alegria, leveza e de boas sensações. Vira uma chave e fica assim: “o novo está a sua frente e você se nutre do novo”.

Com 40 anos me sinto com 30, senão 25 nesta época do ano. Uma percepção de poder respirar. A sensação não é muito diferente de quando estou caminhando “isolado”, com fones de ouvido e músicas prediletas (de preferência pelas ruas de Nova Iorque). Entendedores entenderão.

***

A Lei do Retorno

Eu poderia dizer que 2017 foi um ano bastante morno e que, como empresário, foi aquém de minhas expectativas. Mas essas impressões se transformaram em entusiasmo, empolgação e um banho ao meu ego não fossem alguns desafios anunciados em março de 2017 – dias antes do meu aniversário – desafios que me obrigaram a entrar em enfrentamentos que no meu ponto de vista eram totalmente desnecessários e que me colocaram em um jogo do tipo: “se você perder, o outro lado vai ganhar. O outro está dizendo que você é ‘do mal’, ele se conclama ‘do bem’ e você vai ter que provar o contrário”.

Não bastasse o maniqueísmo instaurado nos últimos anos no Brasil, tive que vivenciá-lo. Senti na pele e, apesar de notoriamente achar que o “outro lado” entrou numa onda errada, egocêntrica e de vontades das mais bads que os seres humanos podem nutrir, não tinha como eu pular fora do confronto ou dar um toque: “vocês estão pirando. Parem com isso agora”. Sim, “vocês” no plural. E sim, no jogo que eu não queria entrar, a vitória me abraçou e, confesso, com um esforço muito menor do que eu imaginava. De alguma maneira, “o outro lado” tem pagado ainda para além do ringue. Taí a praticamente imbatível Lei do Retorno. É o Universo agindo a sua maneira.

Espiritualidade

O namoro deste ano, o fato de parar de fumar e minha percepção sobre espiritualidade vieram entrelaçados em 2017. Não sei bem em que nível as intersecções se estabeleceram, mas sinto que – sim – tais realidades se conectaram e agraciaram com uma percepção muito maior hoje sobre o poder do Universo.

Não me refiro a nenhuma religião específica, mas a uma filosofia que tem base na física quântica, inclusive: estamos todos conectados e as nossas intenções, pensamentos e emoções são transmitidos como ondas por todos os lados e decodificados pelo Universo. Podemos mentir, omitir ou transmitir de forma parcial nossas intenções para seres humanos terceiros. Mas o Universo saberá interpretar nossas reais e essenciais intenções mesmo com todas as camadas que nos fazem humanos e que ocultam a veracidade de cada uma de nossas vontades, pensamentos e interesses.

O Universo não determina “bem ou mal” ou “certo ou errado”. Tais conceitos morais e éticos são criações humanas para tentar normatizar ações, condutas e percepções sobre o próprio homem; para nos colocar em padrões e, tais padrões, para ordenar seres humanos em sociedade. Mas o Universo é capaz de perceber a energia que é emanada de cada intenção, pensamento ou emoção e tenderá sempre – neste contexto no qual tudo é conectado – a buscar o equilíbrio. Equilíbrio não desenvolve julgamentos. Julgamentos são importâncias humanas.

Por exemplo: se eu em intenção essencial tenho compaixão, querer bem e boa fé perante José e atuo com essas intenções para o desenvolvimento deste indivíduo e ele recebe essas intenções com boa fé, acreditando e as positivando/afirmando, o equilíbrio se estabelece. Há amor envolvido. Mas se eu, em intenção original tenho esta mesma boa fé por Eva e ela, essencialmente desconfia e retribui com intenções essenciais opostas – mesmo que na aparência diga o contrário ou confidencie a verdade apenas a terceiros – o Universo – diante a certeza de que tudo esta conectado – vai buscar compensar de alguma forma visando o equilíbrio, sem o conceito ficcional criado pelo homem do “bem ou mal” ou do “certo ou errado”.

Certo dia, ouvi uma história de um desconhecido empresário que havia perdido uma causa trabalhista para um funcionário. E que, de vias de fato – de intenção essencial – jamais quis prejudicar o reclamante, pelo contrário, sendo que este último estava agindo de pura má fé e, também, influenciado por terceiros. Embora soubesse da injustiça, o desconhecido comentou que não quis o mal daquela pessoa, deixou passar a história e seguiu em frente. Soube que, dias depois da audiência, o reclamante teve seu carro furtado. Olhou para mim e disse: “que ironia, não?”.

Quem aceita o Universo, não vê coincidências.

O Universo

O Universo não entende a morte, Darth Vader, uma aranha, tubarão ou cobra venenosa como elementos “maus”. Tampouco entende o ganho na loteria, Luke Skywalker, um cão ou um coelho como elementos “do bem”. O Universo não vai determinar uma barata, lesma ou rato como seres nojentos, repulsivos e inferiores. Tais conceitos, como sugeri acima, são ideias ficcionais criadas pelo homem para ordena-lo e organiza-lo em sociedade. O Universo entende apenas as vibrações das coisas e pessoas e as frequências das energias de tudo. O trabalho é e será do equilíbrio, buscando levar aprendizado, revelações e crescimento ao Homo Sapiens pelos mesmos meios ficcionais que o homem é capaz de criar.

Talvez este texto, mesmo que baseado em uma lógica quântica, não passe de uma outra grande ficção!

2017 foi um ano de pouco ganho material. Mas senti, por intermédio de sensações e vivências práticas pessoais, a espiritualidade em níveis diferentes até então. Ter medo ou receio sobre assuntos desse tipo é a certeza do despreparo para lidar com o tema e, consequentemente, de se abrir ao Universo. Não é meu caso e, sem o propósito determinado, foi o ano em que pude desenvolver um tanto, disso que o homem demonina “espiritualidade”. Não poderia deixar de citar a intuição, essa “antena” (plenamente) conectada ao Universo que passou a estar muito mais perceptível.

Pode ser qualquer nome e, nome, julgamento ou o uso de rótulos, o ser humano – naturalmente – é altamente dotado. Nossos ancestrais diretos transmitiram uma de suas maiores necessidades: praticar a fofoca e, a partir deste hábito arraigado, nos relacionamos. Mas como já citei e reforço, o Universo não interpreta por meio de nomes, julgamentos ou rótulos. Tampouco por intermédio de valores éticos e morais criados pelos ingleses e adotados desde as grandes navegações pelo mundo. O Universo faz a leitura da energia de todas suas intenções, pensamentos e emoções. E esses são alguns dos referenciais que trago para o post de hoje, para quem quiser se referenciar.

Solitude

Após meu último namoro, dei continuidade a uma jornada que já se prolonga há 4 anos: a completude na solidão, solitude. Não viso estar assim pela próxima década, mas para quem se abasteceu de relacionamentos suficientes para nomear 10 namoros, desde os meus 23 anos, creio que o “tanque” de relacionamento esteja bastante cheio por um tempo.

Mesmo porque, pode parecer loucura, mas viver a solitude tem tudo a ver com o desenvolvimento espiritual. Explico: quando estamos nos relacionando com pessoas, sejam amigos, pais, irmãos ou companheiros afetivos, nossas “antenas” ficam (1) conectadas ao material (somos também feito de carne) e (2) os ruídos energéticos das outras pessoas interferem (estamos emitindo intenções e emoções a todo momento). É naturalmente mais difícil conectar-se ao Universo.

Não sei se foi a intenção espiritual que me levou à prática maior da solitude ou se foi a vontade da solitude que me ajudou a viver mais da espiritualidade. Muito provavelmente ambos.

O resultado é que o sentido de estar bem sozinho, livre do uso de celular, redes sociais, WhatsApp, aplicativos de relacionamento, etc. é, simplesmente, estar feliz sozinho. Confesso que nos últimos 3 meses coloquei como intenção e joguei para o Universo a vontade de estar assim até março de 2018 quando, na última semana do mês, para celebrar um novo ciclo de vida, farei uma viagem.

Sozinho. :)

Mas atenção: solitude não implica em ostracismo! Um punhado de amigos que conto nos dedos, dois ex-namorados, meus pais, meu irmão, minha cunhada e seus três rebentos, deram temperos sociais importantes nestes tempos. Apesar da solitude gerar um prazer inominável, felicidade só faz sentido quando é compartilhada. Esta aí um dos paradoxos de ser humano.

***

Já sentiu prazer em colocar fones de ouvido, dar início a sua playlist preferida e sair caminhando sem destino? De repente, cheguei no começo deste texto. Que este ciclo de plenitude se perpetue em 2018 e que tais palavras ressaltem com sentido para quem estiver buscando.

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