43 anos em quarentena

A celebração de aniversário, há anos, já tinha se tornado – a mim – uma ode ao ego desnecessária. Há anos me restringir a almoçar com meus pais e meu namorado (se estivesse namorando) se tornou a boa medida.

Então, não teria muito que sofrer, dramatizar ou deprimir num estado de quarentena. Completei 43 anos no domingo passado e ofereci a mim e a meu namorado (brinco que o corona vírus nos casou rs) um belo prato, evocando agora com frequência meu hábitos de culinária.

Diante diversas ações novas e desafiadoras para a manutenção da minha empresa, sendo que a falência pode vir cedo ou tarde, ontem e hoje foram dias (altamente) desafiadores. Pensamentos novos, posturas novas e novos conhecimentos se acumularam em um período de espaço reduzido, a medida que o “novo mundo” vem se formando.

Faço parte daqueles que aposta na ciência para definir o dia após dia da minha vida e das minhas coisas. Nada contra a quem deposita crença em outras vertentes. Cada cabeça a sua sentença desde a origem da consciência (ou da permanente falta dela).

E hoje, há algumas horas, depois da enxurrada de novidades que me tiraram da rotina, virei a “chavinha” e – logo que comecei a dar espaço para a vida pessoal dentro de casa – me veio esse insight:

“Olha, vocês podem me achar um louco, alienado ou o fora da caxinha. Mas acho que estou no ponto para dizer que tem um lado dentro de mim – que está escrevendo esse texto – que agradece e vibra por tudo isso que estamos passando.

Um lado que apesar de ter proporcionado a si uma vida dinâmica na realidade A.C. (Antes de Corona), estava exausto de dezenas, senão centenas de micro-realidades, micro-conversas, micro-padrões. Que estava exausto de alguns comportamentos humanos, de certas rotinas, de certas obrigações e responsabilidades. Um bate-estaca sem fim.

Comportamentos, rotinas, obrigações e responsabilidades serão novas. Impossível não será algo de novo.

Cedo ou tarde, todos terão que olhar para tudo isso sem as mais diversas “vendas nos olhos” que estamos (ainda, em diferentes graus e formas) usando. Uns serão mais resistentes e rígidos e proporcionalmente sofrerão mais; perderão o bonde algumas vezes. A equação sempre foi essa e não mudará tão cedo.

Outros já estão se entregando.

Uns olharão apenas e somente apenas para o lado vazio do copo. Já são e continuarão como porta-vozes de seu reflexo interior. Outros farão uma média e mais alguns poucos verão o ‘cor-de-rosa’.

Seria possível ver o manifesto do ‘cor-de-rosa’ em tudo isso?

Não sou louco – e aí sim – de achar que o ser humano mude tanto. Sou suficientemente consciente de ficar com dois pés atrás comigo.

Mas não saber o que efetivamente mudará, esse desconhecido (por mais que já esteja lendo hipóteses de jornalistas, políticos, sociólogos, historiadores e filósofos, adoro!) me traz entusiasmo.

O novo, a mim, é inebriante. Sempre foi, mesmo que alguns homens tragam consigo algo de cinza ou que levem o “cool” de ser cinza para o novo.

Faz parte.

Lá pra frente, se todas as circunstâncias permitirem, vou poder dizer de peito cheio: ‘vi e vivi o fim de um sistema de fantasias humanas e ajudei a construir o que fantasiamos hoje e que, hipoteticamente, temos como verdade’.

🤘&❤️”

3 comentários Adicione o seu

  1. lebeadle disse:

    Parabéns, MVG por mais um ano. Acredito que a população agora vai ficar mais exigente com a temática socioeconômica,
    como, por exemplo, a saúde pública e vai levar em conta tais temáticas na hora de escolher os representantes. Penso que como diz o Harari, independente de crenças, teremos que prestar atenção aos problemas globais, pois estamos todos conectados para o bem e para o mal.

    No mais boa quarentena e siga publicando sobre os diversos assuntos da vida gay!

    Abraços,

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado, Lebeadle! E agradeço a fidelidade :)

  2. Nick disse:

    Parabéns ! Comemore muito vocês dois aí!

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.