A ansiedade é geral

Jovens andam se perdendo do “aqui e agora”

Ando um pouco assustado. A minha natureza / personalidade sempre foi pautada (também) por uma ansiedade. Sou inquieto, agitado e não é à toa a minha necessidade de fazer academia periodicamente. Ansiedade gera adrenalina e nada melhor que a endorfina da malhação para balancear. Apesar do semblante oriental e de um tom de voz que – no geral – transmite tranquilidade, estou processando mentalmente 20 tarefas ao mesmo tempo. E é assim desde que me entendo por gente (rs).

Ansiedade não é um problema de um grupo específico, mas neste caso destino a um:

Tenho notado jovens gays exageradamente ansiosos a ponto de somatizarem problemas de saúde. Quiçá, fruto desse excesso e facilidade de acesso à informação que os tornam conscientes e críticos na medida daquilo que interessa, fico me questionando como estarão esses rapazes quando atingirem os 40 anos. Até brinquei com um amigo, também gay, na faixa dos 20 e poucos: “quando vocês chegarem aos 40, terão 70!”.

Não é raro meninos que sofrem de depressão, crises de pânico, altos e baixos de ânimo, insônia ou excesso de sono (que pode ser sintoma também da depressão). Vivem em função de uma sensação de que se está perdendo tempo, de que há lacunas para serem preenchidas com 30 anseios diferentes e que não terão tempo de realizar. Estão envoltos de informação, como disse, daquela que interessa e que acessam com um clique, mas desconfortáveis com um ou mais motivos e, no caso, a homossexualidade acaba como um dos fatores a mais para tais angústias da ansiedade. A aceitação como gay é processo e não um botão que liga ou desliga.

São hiperativos ou letárgicos. Muito sociais ou muito contidos. E tudo isso que é a ansiedade nos coloca em extremos e pólos. Extremos sempre sinalizam problemas e que algo não vai bem.

A mente está no amanhã, no futuro que ainda não veio e não se vive o caminho, as etapas e o hoje. Ao mesmo tempo que são vegetarianos ou veganos, carregam doenças psicossomáticas, essas que em teoria se contrairia apenas depois de certa idade.

Sei muito bem que os indivíduos precisam definir propósitos e objetivos. Sejamos gays ou heterossexuais, a vida nos ensina a traçar metas, cedo ou tarde. Seja via a meritocracia ou qualquer outro valor que há de se utilizar. Mas ao contrário do que eu imaginava, por leituras relacionadas aos Millennials, por exemplo, nem todos os jovens estão aproveitando o meio, o caminho. E é no caminho que está o “aqui e agora” e o aqui e agora é fraterno à felicidade. Viver o futuro, invariavelmente, traz sofrimento.

Saber que existem jovens com 20 e poucos anos convivendo com pressão alta me assusta, por exemplo. Um susto legítimo.

Onde cabe tantas expectativas? Excesso de expectativas nos tiram da realidade.

Deu bug!

E todo esse texto não vem para gongar ou diminuir tais meninos em comparações. Tenho uma grande admiração por tudo que é novo, sou perceptivo as mudanças geracionais e entendo que este post é um tapa na consciência: alguém, fora dessa geração, está aqui querendo dizer que é necessário “puxar o freio” as vezes. Se desconectar, literalmente. É importante se desprender de tanta cobrança ou pensamentos que não levam a nada prático. E arrisco a dizer que é fundamental saber um pouco menos das coisas!

Não se vive o momento, não se tem paz e não se absorve os prazeres do “aqui e agora” quando se está com a cabeça conectada na próxima tarefa.

Olhar demasiadamente para o futuro, não deixa de ser também um ato de escapismo. Busca-se dispensar tudo aquilo que hoje – no tempo real – incomoda ou os tornam imperfeitos (humanos?). É o desemprego do contexto atual, é o emprego que não se gosta, é um relacionamento que não se realiza, é o medo de se decepcionar os pais por um ou mais motivos. É a consciência das diferenças que nos gera angústias. É a grana que não vem do jeito que se quer ou uma sensação de querer ser um Mark Zuckerberg e enriquecer rapidamente por intermédio de uma ideia genial. É muita pressão que não tem muito de inteligente, sábio ou intelectual, no final. São sonhos e vontades acumulados como uma lasanha e que, se tiver muita ansiedade, ninguém vai saborear.

Por um lado, enquanto a infinidade de informação aponta para a formação de jovens prodígios, que inclusive lidam com bastante resistência com seus superiores, justamente por um senso crítico agudo, é impossível negar que “as horas de vôo” de quem tem 23 é diferente de quem tem 40 anos. Inclusive, o controle de ansiedade ou a consciência dos meios para esse controle é resultado da experiência. Sublimar não é resolver e a psicologia está aí para provar. É importante entender que, no tempo presente, é necessário sim construir válvulas de escape para os tipos de pressão que vem no “tsunami” dos tempos contemporâneos, mas vivendo o aqui e agora. As horas de vôo nos mostram a possibilidade de transformar sonhos e projetos em realidade ou planos idealizados em lições apreendidas de fracassos e perdas.

Vencer, vencer e vencer é perder.

Ok, os jovens são digitais hoje em dia e possuem grande habilidade para processar as centenas de fragmentos de informação que lhes interessam. Concordo e até sinto que é isso mesmo pois eu também, diferente dos cinestésicos, auditivos e visuais, também sou digital e tenho tais percepções na prática. Para ser dono de uma empresa web, é fundamental “abrir diversas abas mentais do meu navegador cerebral ao mesmo tempo”. Tudo isso a gente já sabe e existem dezenas de artigos louvando as novas gerações e a maneira de lidar com seu ambiente. Mas e os problemas peculiares que vem no pacote? Porque por mais que os indivíduos das novas gerações se sintam especiais, individualizados e “prontos”, são igualmente dotados das falhas da geração. A versão do OS tem bugs também, que novidade!

Do tipo: “depressão ou tristeza porque 10 pessoas a menos curtiram um post no Facebook”, “dificuldade de selecionar e excluir determinadas pessoas das redes que nadam agregam mas, invariavelmente, estas mesmas garantem curtidas ou visualizações”, “definir por um emprego que realmente exista paixão concentrada, já que a ‘paixão’ parece fragmentada em inúmeras opções”, “gostar um pouco menos do outro, quando o assunto é relacionamento, para que o senso de controle não seja abalado”, “querer fazer mil coisas que estão a frente e, sem querer, atropelar o que faz sentido hoje”, “atender expectativas de pais, amigos, acompanhar determinado YouTuber, estar conectado a aquela série específica e exclusiva, saber tecer algum comentário inteligente sobre a mesma perante uma roda de amigos, ter uma opinião política criteriosamente formada, colecionar monsters do Pokemon Go muito mais que os outros, definir aquela banda indie que estão comentando, saber aquelas duas línguas que se aprendeu – inicialmente – como autodidata, lançar a selfie do dia e não deixar de fazer um comentário no Twitter sobre o tema da semana”.

Tudo isso é muito lindo e louvável quando não está fazendo mal. Mal como depressão, pressão alta, insônia, excesso de sono, agitação ou letargia. Excessos são sintomas dos bugs.

É bastante complicado dividir o amor e o tesão por si e o amor e o tesão pelas coisas ou pelo outro em abas. Pode até soar divertido mas tem coisas que não funcionam em fragmentos, se é que há algo que (realmente) funcione.

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