A arte de se relacionar, o retorno

Dicas para gays e heterossexuais

Quantos não são os livros e publicações de autoajuda que focam exatamente neste tema: “a arte de relacionar”? Milhares. E se falarmos do contexto da Internet, milhões. E está aqui mais um dele, cujo tema já foi escrito e reescrito por mim algumas vezes para o MVG. Como tenho um caldo de experiências em relacionamentos, farei uma compilação do que vivenciei de positivo ao me relacionar. Em outras palavras, para mim, Flávio, se relacionar implica em por em prática, de maneira mista e diversa, os pontos abaixo, a começar pelo próximo parágrafo.

Acho que o fundamento zero (determinante) da arte de se relacionar é romper com o mito / fantasia / preconceito de que o convívio em par é diferente entre companheiros gays e heterossexuais. É tudo igual e se existem nuances “homonormativas”, talvez seja apenas uma e vou citar abaixo. Vamos lá:

Gays: aprendendo a se relacionar

1 – Vivam o aqui e agora: o respeito à individualidade é fundamento 1 para a arte de se relacionar. Nascemos colados a nossa mãe, mas a primeira ação emblemática, no ato do parto, é o corte do cordão umbilical. Passamos a ser do mundo! Eba! Crescemos, criamos nossos referenciais e construímos nossos projetos individuais (estudos, trabalho, ideais).

Em determinados momentos da vida, nos permitimos relacionar. Nossos projetos individuais não podem ser inimigos do aqui e agora! Se hoje você está se relacionando, viva a relação como se não houvesse amanhã. Se amanhã o projeto de uma das partes sugere um distanciamento, deixe para depois qualquer tipo de conversa sobre o assunto. Não funciona – para ninguém – se entregar apenas pela metade;

2 – Se apropriem do arquétipo do amigo: taí uma parte que eu posso dizer que é “homonormativa”: pais e irmãos saberem ou não que você é gay. Filho hétero não precisa passar por isso.

A sexualidade de cada um é particular. É algo íntimo. Embora seja um grande alívio e gere um descolamento saudável o assumir para os pais, principalmente depois que eles passam a aceitar (e cedo ou tarde passarão na maioria das vezes), é totalmente possível viver relacionamentos afetivos e construtivos sem a “benção” familiar. Apropriem-se do arquétipo do amigo! Acima de tudo, nosso par é um amigo (até onde eu sei, não existe relacionamento afetivo saudável sem amizade) e, assim, ninguém estará mentindo. Assumam essa amizade sem medo de serem felizes;

3 – Usem a criatividade: com ou sem grana, usem os tempos livres para viver a relação. Curtam cinema, restaurantes, passeios no parque ou no shopping, a tranquilidade dentro de casa (quando isso for possível) e vivam sempre que puderem a experiência de dormir e acordar com seu companheiro ao seu lado, em casa, num motel ou hotel. O sentimento de paz, conforto e felicidade são inigualáveis! Continuem usando a criatividade e organizem-se para as pequenas e grandes viagens! É estudo científico: casal que se programa com certa frequência para isso, é mais saudável e feliz! Relacionamentos que incluem viagens tendem a durar mais;

4 – Criem conexões entre amigos: dispensem os olhos gordos (aqueles que vão fatalmente invejar a felicidade do par) e criem interesecções entre as boas amizades de ambos os lados. Tal ato, com alta ou baixa frequência (vai depender da dinâmica do casal) também enriquece o relacionamento.

E o último ponto, dos fundamentos da arte de relacionamento, é que insegurança e relacionamento não combinam. Insegurança é basicamente um paredão para o processo criativo da arte de se relacionar! Insegurança nos tira o poder de ação e nos condiciona a reação. Insegurança, por sermos gays, tende a melar – sooner or later – qualquer relacionamento.

E a equação é simples: sabem por que a insegurança mela uma relação? Porque, essencialmente, a arte de se relacionar exige uma entrega e a entrega, irremediavelmente, exige coragem! Ser integral ao outro nunca foi e nunca será um exercício fácil. A entrega e o sentimento de vulnerabilidade caminham juntos. Por isso, sábio é aquele que aceita a própria vulnerabilidade.

Para quem não tem a intuição a favor, estão aí mais algumas reflexões sobre a arte de se relacionar. Por personalidade, nasci com essa intuição e confesso não lembrar de ter dificuldades para criar minhas relações. Mas não acontece assim com todo mundo e está tudo bem!

E por fim, mas não menos importante, essas palavras só ajudam quem quer ser ajudado.

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