A cor do mundo

O post de hoje é inspirado numa das produções que está concorrendo ao Oscar de melhor filme do ano. Não que a tal premiação tenha uma representatividade magnífica para mim, mas não deixa de ser um ponto de referência.

Penso na juventude (principalmente a composta por gays) boa parte do meu tempo; naqueles que têm hoje entre 16 a 20 anos.

A sensação que me invade frequentemente, de que o futuro do mundo ficará nas mãos dessa garotada, é algo bastante corriqueiro, ideias que tingem de muitas cores os meus devaneios. Sou um entusiasta pois sei que parte de uma nova geração vem para reformular as caixinhas e os modelos do mundo, as instituições e as regras, essas, por sua vez, um tanto desgastadas, perdidas, corrompidas. Já estão fazendo a bem da verdade e o globo, cada vez mais populoso, por vezes parece quase não mais suportar tanta gente. Isso é um problema. Será que Maltus, em alguma medida, estava certo?

Havia um tempo que Da Vinci era um jovem único, exclusivo, magnânimo (e gay) no sentido de concentrar toda aura e energia dele, nele mesmo, Leonardo da Vinci. Tão incrível como cada uma de suas obras e engenhocas exclusivas, originais, geniais.

Havia um tempo em que os Beatles eram quase únicos porque, de fato, dividiam o cenário de tempo e espaço com os Rolling Stones, e único mesmo poderia ter sido Elvis Presley ou Chuck Berry ou Mozart.

Havia um tempo que genial foi o iPod, seguido pelo iPhone e que rapidamente se multiplicaram em centenas de celulares da Samsung, da Sony, LG, Motorola e etc. A duração de tempo da exclusividade, originalidade e inventividade, tal qual a Mona Lisa, demorou infinitamente menos tempo que qualquer engenhoca do Leonardo. Eis um fenômeno do mundo moderno que no tempo do Iluminismo era inimaginável.

A partir da revolução industrial entramos no ciclo da reprodutibilidade técnica e, de lá para cá, tudo ficou mais fácil, mais tangível e alcançável. Até mesmo um filme, tal qual o que me inspirou para esse post de hoje, chega na versão pirata pelos meandros na Internet antes mesmo de entrar no cinema. Quem quiser ver, ainda que com uma qualidade duvidosa, poderá fazer agora.

Acontece que hoje, se um menino pintar a unha de azul – numa tentativa de movimento contracultura “aborrecente” – mais de um milhão estará fazendo o mesmo no exato momento. Se outro garoto radicalizar com o cabelo, o mesmo estará acontecendo, em tempo real, com mais alguns milhões. Se a genialidade se concentrar naquele registro fotográfico, dentro de um estúdio, existirão dezenas de milhares de estúdios reproduzindo momentos geniais.

Se eu estou escrevendo esse texto para o Blog, me achando criativo, cabuloso, único e esclarecedor, outros tantos estão fazendo o mesmo, abordando o mesmo tema nos mais diversos cantos desse globo e em seus respectivos blogs e livros.

Daí que a gente vai crescendo e nota que parece que tudo, tanto, todos já fizeram alguma coisa que já existe. O mundo de Harry Potter vai deixando de ser verdadeiro e, no mundo real não existe o espanto, o choque, o susto, os superpoderes, o inimaginável. Não existe o esplendor do inusitado. Não existe mágica.

Para completar, vemos os adultos, acima dos 30 anos, deixando de viver o aqui agora – o hoje – fazendo planos, organizando as finanças, projetando filhos, sempre preocupados com o dia de amanhã, como se fossem reféns do que está por vir. Porém, ao mesmo tempo, quando o amigo mais entusiasmado está dizendo “viva o hoje sem pensar no amanhã”, parece que é o hoje que vive da gente. O hoje parece que nos engole com a sua falta de graça.

Talvez a maioria dos jovens estejam assim, vivendo por viver. Não é à toa que pipocaram notícias, há duas semanas atrás, que está crescendo o número de jovens “sem trabalho, sem estudo”, fenômeno transparente do viver por viver.

Walking Dead, zumbis, World War Z são outros fenômenos de sucesso nos tempos atuais. Também pudera: tem maneira mais divertida de materializar as pessoas na inércia, apáticos, vivendo por viver?

Será que é assim? Será que construímos um mundo de tantas facilidades, acessos e criações que não há mais nada a fazer a não ser estar por aí sem propósitos?

Será que a inventividade chegou ao esgotamento? Será que uma boa ideia terá que estar sempre atrelada à lucratividade, ao capitalismo, a hierarquias e o inevitável poder que engessa a própria criatividade?

Será que a vida tende a ser morna? Sem gosto, sem tempero?

Está aí a juventude, gay ou não, com a responsabilidade de recontar essa história. Em qual parte você está?

3 comentários Adicione o seu

  1. Hugo Costa disse:

    Eu ainda me pergunto se a quantidade cada vez maior de homossexuais não é na verdade uma “válvula de regulagem” da própria natureza, uma forma de controlar a natalidade mundial e ainda se esses irão suprir ou evoluir a maneira como a sexualidade será tratada num futuro bem distante… Perguntas que me faço todos os dias… Será que na verdade somos a evolução do ser humano? E se pensar na maneira do viver por viver.. A espécie humana entraria num colapso? Já que nosso instinto primitivo é cumprir um objetivo.. Caça, comida, segurança..? Chegamos ao topo da pirâmide de Meslow de certa forma?

  2. Adônis disse:

    Verdade, parece que perdemos a capacidade de nos deslumbrar. Outro dia encontrei um disquete e umas fitas VHS num quarto de bagunça daqui de casa e mostrei pro meu irmão de 12 anos, como esses vários videos da internet fazem, foi absolutamente hilária a reação dele diante dessas peças históricas para alguém que já armazena arquivos em nuvem! O ritmo está acelerado demais, e parece que não temos tempo de aproveitar as inovações do mundo. Me sinto tão retrô por ser da década de noventa.

  3. Alessandra Mont Savanne disse:

    Cara… mas que poste mais gay! Minha opnião é… o mundo está melhorando quanto mais nos tornamos comportados e respeitadores da opnião alheia… quando deixarmos de ser homens estaremos morando no paraíso na terra… isso é uma monstruosidade pois eu não quero ser respeitador de porra nenhuma, tomara que toda essa merda de planeta morra antes disso.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.