A gente dá conta!

Quantos problemas a gente consegue resolver ao mesmo tempo?

Tentem imaginar a seguinte situação: termino um relacionamento, mesmo muito envolvido, bastante apaixonado (como fiquei poucas vezes na vida), devido as circunstâncias atuais de meu namorado. Não consegui ver horizontes para ampliar e diversificar a relação, mediante determinadas realidades vividas hoje por ele. Algumas circunstâncias clássicas, de quem não é assumido.

Ele, muito temeroso e reservado. Eu já não sou mais aquele Flávio de antes que – tendo em vista um namorado “sufocado” em seu esconderijo para sua intimidade – saia agarrando a causa para ajudar a expandir a realidade. Algo que foi muito aplicado em quatro relações, aos amigos do MVG e que cairá como uma luva ao meu novo projeto.

Não consigo associar mais envolvimento afetivo com certa posição de tutoria, o que antes era grandioso para mim e fazia sentido às minhas provações individuais. Mas me desumanizava e tirava o sentido de eu estar me relacionando com um homem: assumia muito um arquétipo de “pai” e consequentemente tinha um filho ao meu lado e não um homem. E sei que ele, meu ex, nunca pediu isso, mesmo porque não é um tipo de coisa que se pede ou que sempre se tem uma noção clara.

Todavia, desde o Japinha, o último que ajudei a abrir as comportas para a família, tomei a consciência da importância de ressignificar a maneira de me relacionar com um namorado. Algo muito particular (evidenciado em antigas relações) e que talvez, meu ex, o Beto, nem entenda direito, pois não tivemos uma oportunidade para falar.

Daí a história continua: uma semana depois de tomar a atitude do rompimento, meu gestor abandonou a minha empresa! A gota d’água foi uma “DR” sobre postura, eu e ele, cada um com seu ponto de vista sobre o contexto. Foram cinco anos de parceria e, no meu singelo olhar, acabaram-se as trocas.

E para completar o “pacote” de desafios, no mesmo período, meu dog, o Tango, que sempre foi muito saudável, pegou duas doenças. Esteve a base de antibiótico e corticóide. Uma correria da clínica para casa e vice-versa.

Coração dolorido e partido, empresa de ponta cabeça e “filho” doente. Como aguentar?

Sei que esse “efeito dominó” me colocou de frente a um enorme desafio. Algo que – arrisco a dizer – não vivi desde quando sai da casa dos meus pais, assumi minha empresa sozinho e casei. Tinha 25/26 anos naquela época e o detalhe é que meu pai ficou um ano sem falar comigo.

Naquela contexto, demorei meses para encontrar um equilíbrio dentro de mim para lidar com tudo. Dessa vez, foram semanas, e sei que a energia da paixão – intensa e quase nova – foi força motriz para ajeitar esse meu momento.

Sugeri a importância dessa energia em outro post, mas acho que é uma boa hora para contextualizar essa influência de maneira mais clara.

Aos 27 anos, a energia que me fez dar conta da saída da casa dos meus pais, brigado com meu pai, de assumir minha empresa sozinho e casar, foi a do envolvimento por um propósito: “quero me provar que aguento”. Típico do jovem ariano que se jogou muito nas emoções dos desafios.

Dessa vez, aos 39 anos, suportei todo esse contexto e estou prestes a encontrar um ponto de equilíbrio pela mesma energia essencial de propósito, mas com uma magnífica porção da paixão que despertou em mim nessa última relação. 

Talvez ele, o Beto, não consiga entender ou imaginar a dimensão de tudo isso, mesmo sua participação como definitiva para eu me sentir tão apaixonado. Talvez, nem o leitor entenda.

Ao invés do meu orgulho e o sentimento de frustração me cegarem, os deixei de canto dessa vez. E todo medo (ou desespero) natural de não dar conta das circunstâncias, ficou pequeno diante a um sentido de positividade.

Claro que, as vezes, há certa melancolia no ar, por essa energia não poder reverberar naquele que ajudou a originar de uma maneira especial. Mas nessas horas é que eu digo, com muita consciência, que a paixão e o amor que temos por outra pessoa passa a ser uma propriedade nossa. Vem de nosso interior, embora estimulada por um ser exterior. E esse mesmo amor ou paixão que a gente carrega no peito, quando respeitado, aceito e certo de que não tem propriamente uma dependência daquele que o provocou, move montanhas ou nos faz conquistar aquilo que outrora nos parecia impossível.

Quando a gente está junto, apaixonados, faz todo sentido. Hoje, estou entendendo um sentido mesmo que distante.

Por esses dias, tenho vivido dessas emoções, mais resistentes que os próprios problemas, ou maiores que o medo daquilo que entenderia como problema.

O Beto está livre para viver o que é melhor para seu momento, diante tantos receios ou dúvidas possíveis. Minha empresa me deu a oportunidade de enxergá-la a fundo, como não faço há cinco anos e estou curtindo a nova sintonia que tem se formado em tão pouco tempo entre as pessoas. E meu adorado Tango está saudável novamente depois de um tratamento que exigiu atenção e paciência.

A gente dá conta. E apaixonado, mais ainda. Compartilho dessas possibilidades com vocês. Foi um namoro de apenas 4 meses. O mais curto da minha vida. Mas um daqueles que, quando me lembrar, poderei falar de boca cheia e muito prazer: “como fui apaixonado pelo Beto!” =D

PS: nem citei a realização de meu TCC, algo novo de novo na minha vida, determinante para a realização de meu novo projeto do MVG. Falta pouco!

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