A vida é um moinho

Entre os altos e baixos que tenho passado na minha vida esse ano, diante todas mudanças que vem ocorrendo sobre a minha própria percepção e relação com o trabalho, parei de depositar uma energia em investidas pessoais, baladas e curtição. Bem ou mal – em épocas de crise – aflições e ansiedades são comuns para quem é dono de empresa. Foi assim entre 2008 e 2009 e volta tais sensações, agora, em 2015.

O próprio MVG, que é um local para minhas abstrações e reflexões, anda mais devagar. Tenho canalizado tanta atenção para pensamentos que envolvem o trabalho, que olho para o editor do Blog e me vejo pouco inspirado. É uma fase, certamente, assim como é uma fase que vivo com um novo cão comigo. Tem apenas 5 meses, um filhotão, e requer atenção e certos ensinamentos!

Mas o que posso afirmar, quando o assunto é relacionamento – um tema sempre de curiosidade aos leitores – é que nos últimos meses me permiti conhecer alguns meninos com finalidades de namoro. Sim, dos 20 anos aos 30 e poucos, alguns realmente moleques e outros nem tanto assim, independentemente da idade.

Sentimentalmente, me sinto solteiro desde janeiro desse ano, quando ainda namorava o Japinha mas, devido a distância e as próprias circunstâncias, parecia que o namoro se valia apenas pela formalidade. Assim, são oito meses que não namoro e, nesse período, me permiti viver algumas “bagunças” de solteiro, aventuras sexuais e encontros, nada muito fora do que eu faço, para aqueles que acompanham o Blog MVG há algum tempo.

Há quem diga que eu ando com medo da entrega ou de incluir uma relação afetiva nessa fase de vida. Por um lado faz sentido já que em outros tempos, quando a preocupação e indefinições com o trabalho e certas carências batiam a minha porta ao mesmo tempo, um namorado sempre caia como uma luva. Confesso que houve uma época em que eu me sentia muito mais “forte” ou “potente” para enfrentar meus dilemas particulares acompanhado de um namorado. Dessa vez, viver mudanças na minha empresa, enfrentar um momento de incerteza de economia nacional e conviver com a perda da minha velhota-dog que me acompanhou por longos 11 anos, são situações que mexem fortemente com meu emocional mas, por algum motivo ou vários deles, tenho levado tudo sem um subterfúgio psicológico, sem tentar me esquivar ou ralentar algum processo por achar que não vou dar conta. Quando assim acontecia no passado, parecia que ter um namorado “garantido” era um alívio que traria muito conforto. Emocionalmente até que funcionava mesmo, mas algo mudou.

Por vezes me pego com medo, inseguro, com uma sensação de que não sou capaz de bancar sozinho. De segunda a sexta, todas manhãs, meus olhos despertam um pouco antes do alarme e as tarefas do dia invadem meus pensamentos. Levanto logo pois me incomoda muito ficar “fritando” na cama. Já estava acontecendo assim antes mesmo das maiores mudanças na minha empresa, mas agora parece que eu tenho um motivo para justificar.

Tudo isso é sintoma de um senso de responsabilidade muito grande, mas é também fruto de uma ansiedade que não chega a me tirar o sono, mas faz eu acordar um pouco antes do relógio. Assim vou vivendo.

E vou vivendo, tão despretensiosamente de querer embalar um namorado da maneira que fazia antigamente, que a vida tem me aproximado do Rafael. Há duas semanas atrás, numa quarta-feira, veio dele o convite para jantarmos num restaurante na Liberdade. Logo pensei: “durante a semana, nessa fase que ando tão imerso no meu trabalho?” – passei raspando de negar a ideia.

Mas estávamos ensaiando um primeiro encontro há algumas semanas e sempre nos finais de semana, nos deparávamos com algum impeditivo. Topei e o mais interessante de tudo, por um atraso inicialmente dele e depois de mim (devido a um trânsito ferrado e inesperado) passamos uma hora (contada) em ótimas conversas, mas com tempo limitado. Na hora da despedida, nos separamos numa esquina mas, antes disso, nos abraçamos e beijamos pertinho da boca.

Assim, não ficamos, não transamos, contrariando certa rotina de pessoas que se conhecem em aplicativos de pegação. Uma vontade de sair de novo ficou.

Passou-se uma semana e a proposta de reencontro seria no sábado. Como ando despretensioso de tudo, minha agenda de final de semana acontece quando chega a sexta, ou seja, não tenho feito planos (rs). O menino é jovem, 25 anos, cheio de amigos e com aquele ritmo natural de programações de quem tem 20 e poucos anos. Tenho deixado ele sugerir as datas.

E foi aí que ele resolveu mudar o date para a sexta-feira durante a noite. Na quinta-feira ele lançou:

– Só tem um probleminha… acho que vou chegar tarde.

– Ah, por mim não tem importância. Que horas?

– Umas 22h, tudo bem?

Pensei um pouco e achei realmente tarde (rs). De súbito me veio a ideia:

– Então, o que você acha de dormir em casa de sexta para sábado? – lancei a proposta por Whatsapp e logo em seguida achei que tal convite poderia ser precipitado (rs).

– Ah, por mim tudo bem.

Na própria sexta, horas antes do encontro (fiquei de buscá-lo na estação Butantã), ele comentou por Whats:

– Vou chegar mais cedo (rs).

– Ah, beleza… estou saindo do banho. Que horas você acha que chega?

– Umas 21h.

– Me avisa quando faltar uns 15 minutos que eu vou praí.

O encontro se deu cronometrado e da estação para a minha casa, sentamos no sofá e ficamos conversando até as 2h30 da manhã. Ele conheceu meu filhotão, o Tango, e ficamos falando de diversos assuntos: política, adoração por pets, ex-namorados, experiências de vida, relacionamento com a família e poucas e boas. Foi no meio de alguma dessas conversas que naturalmente eu me aproximei e o beijei, sem necessariamente uma pausa emblemática para o momento.

A vibe rapidamente mudou: ele se aproximou, recostou sua cabeça em meu ombro para que eu pudesse fazer carinho e continuamos com outros papos.

Já era umas 3h e subimos para o meu quarto. Rolou o que inevitavelmente rolaria, mas para mim, o mais gostoso de tudo foi poder abrir meus olhos na manhã e vê-lo ao meu lado. Enrolamos na cama para levantar, conversamos, tiramos as sujeiras dos olhos, sentimos nossos bafos e pude curtir aqueles minutos de humanização que, definitivamente, estavam me fazendo falta, mas que me dei conta da falta que fazia somente naqueles instantes.

Passamos na Cobasi porque eu tinha que comprar alguns apetrechos para o Tango. Ele, adorador de animais, aproveitou e comprou um peixinho para seu aquário.

Embora ele seja de esquerda e eu me posicione mais para o centro, não foi a afinidade por temas políticos – assunto de gosto raríssimo para quem tem 20 e poucos anos – que ele me interessou. A afinidade por bichos, ele mais por gatos e outros animais exóticos e eu pelo tradicional cachorro, também não foi o diferencial.

O fato dele, apesar de ter apenas 25 anos, ter construído um punhado de relacionamentos duradouros, o que lhe conferiu diversas experiências assim como as minhas vivências pessoais, também não foi definitivo. Tampouco o fato dele ser caucasiano, loiro e de olhos azuis.

O que tem me chamado atenção nessa história toda é uma suave despretensão. Tão despretensioso que, ao nos despedirmos, em meio a muvuca da rua, nos abraçamos, trocamos um selinho, passamos a mão em nossos rostos e partimos, cada um para seu caminho, sem um compromisso marcado para o próximo final de semana.

Fica uma vontade de quero mais, mas sem querer demais.

 

 

3 comentários Adicione o seu

  1. weber disse:

    e, assim se constrói um relacionament…

    1. isaiaspdf disse:

      Bem interessante…

  2. Wil disse:

    Puxa, que interessante!! E aos poucos vai criando um vinculo e quando voce menos esperar a pessoa ja esta fazendo parte da sua vida. Espero que as coisas continuem andando bem!! Achei lindinho o texto haha’

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