A vida gay com Bolsonaro presidente

Nem azul, nem vermelho

A minha opinião sobre a vida gay com Bolsonaro presidente poderia cair no óbvio da polarização: com o atual representante emblemático esquentando a cadeira agora, viveremos o retrocesso quando o assunto é a autonomia dos gays em socidade. É uma das máximas que, inclusive, virou discurso banalizado para que alguém na classe (gay) não votasse no homem.

Tenho analisado muito os fatos políticos (não necessariamente os pontos econômicos que, ao meu ver, requerem um estudo e uma profundidade longe da minha capacidade atual) e principalmente os comportamentos sociais que exalam das redes sociais. É bom dizer que, na minha rede pessoal, há umas três pessoas que vivem em comunidades em São Paulo e um ou dois milionários. Há gays da esquerda tradicional e uma meia dúzia dessa “classe emergente” de gays da direita. Há pessoas de 20 e poucos anos e outros à beira dos 80. Há esquerdistas e direitistas óbvios, esquerdistas e direitistas extremos e uma vasta parcela que um dia já votou no PT e preferiu dar uma oportunidade para Bolsonaro, demonstrando – possivelmente – que uma grande maioria da população não quer saber sobre ideologias do tipo “esquerda ou direita”, embora paradoxalmente (ou não) vivam a polarização.

A diferença entre conviver com a constatação e julgar, me permitiu manter uma relação satisfatória em minhas redes sociais. Tenho até certo orgulho de não ter excluído ninguém por causa de política.

Crenças são poderosas

Minhas crenças sobre o tema não se resumem apenas ao adquirido, construído e conquistado status atual em meus universos de relações, mesmo porque me questiono em qual desses universos eu realmente me sinto pertencido. Se é que eu quero pertencer.

Minhas crenças são pautadas em vivências, em pesquisas e em fatos, como já delineei com alguma lucidez neste post.

O primeiro ponto é que, seja na esfera nacional ou mundial, a luta pelos direitos dos LGBTQ+ é algo que vem se somando com o passar dos anos. O fato de haver uma sensação de que há muito ainda para se caminhar, me parece estar contido em um universo de muitas outras potencialidades do ser humano em si (e não da particularização em uma pauta identitária): uma revisão sobre os valores religiosos, essa necessidade primitiva de se relacionar falando sobre terceiros, a cultura hierárquica impregnada em países subdesenvolvidos como o Brasil e entre países em um âmbito mundial, a própria relação do homem com o ego, a revisão e reconstrução de nossos próprios modelos econômicos e sociais, dentre outros que, como apresentei no post anterior, nos coloca muito mais próximo de nosso ancestral primata do que de um ser evoluído descrito por qualquer religião, filosofia (e, quiçá, ufologia!).

Maniqueísmo: o bem contra o mal

Por mais que o modo da polarização estabelecido em sociedade se vanglorie por apresentar contornos políticos, culturais e visões sobre temas, embora antagônicos, a aura do “bem contra o mal” determinante nesse modo, repete ipsis litteris a simbologia de uma batalha Cristã, do mais alto Paraíso ao mais profundo Inferno.

Note que a constatação aqui não é uma crítica ao Cristianismo, mesmo porque eu convivo com excelentes Cristãos espalhados por aí que nunca questionaram minha homossexualidade ou lançaram alguma ofensa (mesmo porque tais comportamentos, junto e misturado, dizem respeito também à Educação, da consideração ao que é íntimo e privado). A constatação, então, é uma crítica aguda a uma grande maioria que leva o mínimo ou o máximo discurso sobre esse alicerce binário e maniqueísta sem se dar conta!

Quantas vezes não ouvimos que o Moro é mau? Ou que ele é o héroi? Ou que Lula é o inferno? Ou que ele é um héroi? Ou que Bolsonaro é uma vítima pela facada? Ou que ele simulou tudo isso para conquistar votos? É a primeira vez na história desse país em que a pimenta que arde os olhos dos outros é um bálsamo refrescante e saudável para o outro, coletivamente.

A mim, essa dissonância cognitiva coletiva é a constatação – sacramentada – de que o ser humano no Brasil e no mundo está lidando com um bug. Um bug internalizado, herdado por nossos ancestrais mais primitivos o qual, nos primeiros tempos, serviu para erguer templos e formar as primeiras crenças sobre entidades super poderosas.

Desse bug essencial, um distúrbio da raça humana, quiçá uma anomilia, a gente não se livrou até o momento. É um bug que nos coloca contra. Talvez, a dissonância cognitiva coletiva não se materialize mais nas religiões como antes, nosso consolo e desculpa mais óbvios para os primórdios do Homo Sapiens. A estética é outra agora, assoberbada com a “aura” do século XXI, embora a essência, da necessidade de projetar para fora de si a “realidade fantasiosa” de heróis e vilões que estão acima de nós – quando somente com eles podemos mudar ou acabar com as nossas vidas – continue a nos controlar.

Autonomia

A vida gay segue um fluxo de conquistas LGBTQ+ que está longe de um retrocesso por ter enraizado valores em diversos pontos do mundo, principalmente nas grandes capitais e junto as pessoas nelas contidas (sejam Cristãs, negras, da melhor idade, jovens, da direita ou da esquerda). Em outras palavras, acredito que o movimento alcançou uma autonomia importante que nos permite andar de mãos mais livres das representações. Somos, em alguma medida, uma instituição independente nisso que chamam de sociedade organizada.

Também porque, quando usamos a favor de nossas razões (contra alguém certamente) a ideia do “retrocesso”, recorremos a outro erro: nunca um contexto de espaço e tempo presente será igual, ipsis litteris, ao passado porque os componentes são outros. Basicamente porque eu não sou meu pai, que por sua vez não era meu avô. Eu não sou minha mãe que por sua vez não era minha avó. Assim por diante, numa escala mundial de mecanismos, engrenagens e invenções antropocêntricas para a formação (ou o controle) de sociedades, podemos ter no máximo releituras de um jogo “fatal” que se iniciou no dia em que o ser humano resolveu se agrupar e construir sociedades. A vida é uma gangorra particular, replicada a todos os humanos do planeta.

Antes nos mantivéssemos nômades, com cérebros mais desenvolvidos e corpos mais saudáveis.

Embora, possivelmente, não ajam pesquisas concretas que embasem a ideia da comunidade LGBTQ+ forte o suficiente para seguir autônoma, tal qual uma instituição, ramificações, grupos simpatizantes, celebridades e outras instituições, inclusive do mais alto escalão do Judiciário Nacional, apresentam de maneira paupável e material a nossa independência das representações emblemáticas (vale trazer parte do conteúdo de outro post para ilustrar):

a vida gay com bolsonaro

Mas quem, imerso nesse sistema, vai conseguir enxergar? Arrisco a dizer que, para quem é de esquerda, os feitos apontados acima perdem o próprio brilho por não estarmos numa vigência de esquerda. Dissonância cognitiva coletiva e, você, como parte integrante do maniqueísmo.

*Este post de hoje foi inspirado nos estudos de Yuval Noah Harari, escritor dos livros Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o Século 21. Ótimas recomendações (essencialmente a primeira) para quem, em algum grau sofre dessa dissonância congnitiva. Seu Deus nunca será o Deus do outro e há milênios nos matamos ou “nos matamos” por isso.

16 comentários Adicione o seu

  1. Carlos disse:

    Querido, realmente você deve estar bem zen né? rs… sim, concordo que temos que ter discernimento e equilíbrio ao avaliar este governo. Porém percebo que estamos passando por um momento muito complicado com um representante que adota a todo o momento discurso beligerante contra a pauta progressista. Não sei se você estava no Brasil nos últimos 6 meses, mas tivemos diversos episódios lamentáveis da Damares, propaganda do BB, turismo gay condenado, prostituicao incentivada, homofobia ao mencionar que Jean Willys é menina, retirar do formulário do passaporte a palavra genitor para colocar pai e mãe e a última e mais séria ameaça é tornar o STF um reduto de evangélicos. Não sei se você sabe mas no atual mandato o presidente poderá colocar 2 ministros evangélicos no STF, se for reeleito poderá colocar a maioria dos 11 como evangélico. Sabe qual é o risco disso acontecer? Todas as conquistas progressistas serem derrubadas. Pois é, não sei se vc sabe, mas se o STF for provocado para reverter o “casamento gay”, o que você esperaria de um STF predominantemente evangélico? Sei que você é bem zen e busca o equilíbrio interior, mas cara, não passa pano para gente dessa espécie.

    1. minhavidagay disse:

      Curioso como os últimos anos de política, desde 2013, foi endurecendo a minha casca quanto aos efeitos de críticas negativas e julgamentos alheios. Quem dera fosse assim para uma maioria, não despendendo de uma energia importante para outras situações mais relevantes. Na vida é assim, sobre a maioria dos aspectos: a gente escolhe enxergar o lado vazio ou cheio do copo. Agora, quando a crença em um dos lados tapa a visão do outro, considerando que somente um lado carrega as verdades, ou seja, meias verdades, talvez seja bom repensar… sobre a sua dúvida de uma instituição ter predominância evangélica, bom, se você é leitor há algum tempo do Blog, deve compreender que os rótulos a mim pouco importam. Que o importante é o que um indivíduo faz ou deixa de fazer com as suas crenças. Ah, e bem-vindo a Nárnia!

  2. Carlos disse:

    Qual é o copo cheio desse governo? Poderia me dar exemplos?
    O que ele fez de bom para a população em geral e não somente ao segmento LGBT?
    Você chegou a ver o filme “divino amor”?

    1. minhavidagay disse:

      A mim o ponto forte desse governo e dos demais é a democracia. O ponto forte desse governo é a própria sociedade e indivíduos que não pairam rígidos ou somente críticos perante as representações num jogo ideológico de fumaça. Pessoas que não endeusam ou demonizam outras pessoas, vulgos representantes. Pessoas que estão livres da dissonância cognitiva de ver “luz e escuridão” de acordo em quem se acredita.

      O ponto forte desse governo não é esse governo em si e nenhum outro. É a ciência de que as sociedades são fortalecidas o suficiente para suas conquistas que, as vezes, dependem de leis e regras.

      Não vi o filme “Divino Amor” não!

  3. ”Há esquerdistas e direitistas óbvios, esquerdistas e direitistas extremos e uma vasta parcela que um dia já votou no PT e preferiu dar uma oportunidade para Bolsonaro”

    Bem… para isso, é necessário ler o currículo do ”cidadão” e o resultado está longe de ser satisfatório…

  4. ”Quantas vezes não ouvimos que o Moro é mau? Ou que ele é o héroi? Ou que Lula é o inferno? Ou que ele é um héroi? Ou que Bolsonaro é uma vítima pela facada? Ou que ele simulou tudo isso para conquistar votos? É a primeira vez na história desse país em que a pimenta que arde os olhos dos outros é um bálsamo refrescante e saudável para o outro, coletivamente.”

    Sua tendência hiperbólica para a ponderação te faz cometer o erro de achar que todos os extremos declarativos estejam errados. Pode ser que, o Moro ou Mouro seja uma pessoa de caráter duvidoso, o Lula também não passa no crivo, nem o Bozo. Sobre a facada… bem, logo depois da dita facada, ele praticamente garantiu a vitória nas eleições. É fácil enganar o povinho que não acompanha política, que tem o cérebro devotado no altar da igreja, no futebol de domingo ou na novela da semana. Não acho que seja a ”primeira vez” na história do Brasil que isso acontece, vide séculos da escravidão, em que o sofrimento incomensurável dos escravos africanos eram refresco para os seus ”donos” europeus.

    1. minhavidagay disse:

      “Tendência hiperbólica para a ponderação”… gostei da definição! Extremo ponderado, é isso? Rs

      Sim, os extremos estão errados.

      Como me referi em outro texto em que você comentou, a maioria que votou outra vezes em Lula votou dessa vez em Bolsonaro. Ou seja, é o mesmo “povinho” com o cérebro devotado ao altar da igreja, no futebol de domingo ou na novela da semana, como você caracterizou. Esse “povinho” não surgiu a partir de um criacionismo no ano passado…

      Concordo que essa desigualdade abismal que se iniciou a partir do tipo de colonização no Brasil, contribui para as coisas como são hoje. Mas até quando manteremos como justificativa, querendo apontar para culpados, buscando formas diferentes de nos isentar das responsabilidades?

      1. O extremismo é um excesso de ênfase, o oposto da racionalidade. Quando, ao invés de, primeiro, analisar e reconhecer fatos, aplica-se um método pré-definido, do tipo ”não me interessa a priori saber se o Moro é bom, médio ou mal caráter. Me interessa

        ”Como me referi em outro texto em que você comentou, a maioria que votou outra vezes em Lula votou dessa vez em Bolsonaro. Ou seja, é o mesmo “povinho” com o cérebro devotado ao altar da igreja, no futebol de domingo ou na novela da semana, como você caracterizou. Esse “povinho” não surgiu a partir de um criacionismo no ano passado…”

        Sim, eu sei que o bm o brasileiro médio, não é obra do bozonarismo. Sei muito bem porque convivo e reconheço esse tipo predominante desde que me conheço por gente.

        Sobre o que disse em relação à ”maioria que votou no lula decidindo votar no bozo”. Não sei se é factual que seja a maioria. O pt sempre venceu apertado, especialmente no centro-sul do país. De fato, houve uma debandada mas não parece ter sido a maioria, tampouco um pequeno grupo.

        Ah, lhe convido a uma visita no meu blogue. Comentários e críticas construtivas são sempre bem vindos, :)

      2. minhavidagay disse:

        Visitarei sua página sim! :)

        Sobre os fatos: eles são altamente polarizados hoje em dia e na maioria das situações. As próprias mídias polarizam para, inclusive, ter sua audiência. Culturalmente, a maioria dos brasileiros ama o revanchismo, os conchavos, o confronto do tipo BBB. Roma antiga é o nosso aqui e agora. Só não era tão claro pois não vivíamos por uma crise.

        O mundo anda polarizado e sob essa realidade, os próprios fatos se maquiam com essa pintura. Estou longe de querer debater o quanto eu analisei os fatos antes de tecer um texto como esse. A questão é a ótica, o ponto de vista que cada um quer enxergar, as tonalidades que cada um quer dar sobre os mesmos fatos. Em certa medida, é cômodo ficar em um dos lados do pólo. O sentido de pertencimento fecha a conta, supre.

        Deixo aqui um texto que muito agradou, sobre esses fatos. O que não quer dizer que eu concorde com tudo: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/24/opinion/1571924140_406343.html?%3Fssm=FB_BR_CM&hootPostID=06580945139a3cbcb8382b958d2d9cb7

        Vamos falando!

      3. O extremismo é um excesso de ênfase, o oposto da racionalidade. Quando, ao invés de, primeiro, analisar e reconhecer fatos, aplica-se um método pré-definido, do tipo ”não me interessa a priori saber se o Moro é bom, médio ou mal caráter. Me interessa… sic
        Isso significa que não é porque os extremos estejam de maneira geral, errados, que estarão em relação a TUDO…

      4. Eu li este texto da Eliane Brum. Sempre muito impressionado com o nível de sanidade dela mas nunca surpreso. É esta ”esquerda” que me representa, uma esquerda coerente, que parece tão raro hoje em dia.

        Concordo que a priori, há de se analisar os dois lados, mas acho difícil, a partir do momento que passamos a compreender em essência o que direita e esquerda significam, continuar mais para a direita, do tipo, defender a desigualdade social ou uma sociedade dominada por ideologias materialistas como o consumismo ou mesmo no caso das mitologias. Fica bem difícil manter coerência e racionalidade quando vamos ao âmago de ambos. Não que a esquerda seja perfeita, bem longe disso, mas a direita..

      5. minhavidagay disse:

        O ser humano é imperfeito. Talvez, Bolsonaro seja a expressão mais temida dessa imperfeição (na atualidade) no Brasil. Alguns “assumem” essa faceta, como num castigo. Outros “temem”. Não é a primeira vez que as sociedades precisam lidar com essa “sombra” da direita, embora seja inédito para muitos jovens brasileiros. Por ser inédito, muitos compram a ideia de cabo a rabo.

        A direita veste uma roupagem “nua e crua” (ou pelo menos é assim que uma sociedade como a nossa a construiu hoje). Mas é uma fantasia. Churchill e Tatcher foram dois caras da direita necessários para o contexto de espaço e tempo do Reino Unido, por exemplo. Não estou dizendo que Bolsonaro seja, mas a estética “do mal” destinada para a direita é míope.

        É curioso você falar de consumismo. Tal ato, do consumismo, nunca foi tão amplamente explorado pela governos da esquerda brasileira nos últimos 20 e poucos anos. E estou falando com um olhar atento, prático, desde os anos 80.

        Na minha adolescência, até uns 16 anos, se a gente tivesse 5 marcas de roupa, era muito. Pulverize essa ideia para tudo: alimentos, não existiam supermercados. Variedade de carros, sabonetes, produtos para cabelo, variedade de feijão. Tudo.

        A esquerda coerente é rara hoje no Brasil. E lanço a responsabilidade desse enfraquecimento pois se sustentam ainda num discurso político de fumaça, alimentando a polarização e, assim, não se focam a ideias e projetos. O tal do “mau perdedor”. Eliane Brum fez uma tentativa de “zerar a conta e partir para a prática” nesse texto. Mas, a mim, em vão enquanto a maior parte da liderança da esquerda continuar cega, reativa, má perdedora.

      6. Não compactuo no caso da Tchatcher. Não ”acho” que ela fez o melhor para o R.U. O país pode até ter voltado a ser uma potência econômica dinâmica depois de um longo período de decadência, por ter sido o primeiro país a se industrializar e o último a se modernizar com base nos novos moldes de industrialização, mas… é muito óbvio que o fator social sempre foi um problema para um país como o Reino Unido, pois lá a sociedade sempre foi muito dividida socialmente, e as classes trabalhadoras bovinamente exploradas, for sure.

        Sobre o que disse em relação à esquerda e ao consumismo. É importante diferenciar a ideologia consumista, por consumir, tipo uma pessoa muito rica comprando um monte de pares de sapato, por impulsividade e frivolidade mesmo, de famílias, outrora muito pobres para trocar seus pares, se tornando capazes disso. A esquerda e mais especificamente o pt, apostou no aquecimento do mercado interno em combinação com a tradicional dominância das commodities para exportação, para o crescimento econômico do país. E isso significa incentivar ao consumo das famílias, em especial das famílias mais pobres. Não discordo que essas políticas desenvolvimentistas adotadas por essa esquerda dinossáurica muito comum e dominante na América Latina, não são o melhor e que sim, acabam incentivando o consumismo. A Eliane tem outros textos em que reforça aquilo que a esquerda brasileira que pensa, já sabia desde o governo Dilma, o pt não atuou como uma esquerda legítima, e sim como de centro-esquerda, apertando a mão de Sarneys da vida, né e carai a catre.

      7. minhavidagay disse:

        Bacana… pontos de vista esclarecidos. Mas você sabe que os debates serão infindáveis quando colocamos em questão “o bem e o mal” que tal representante fez para um país. Ainda mais nesse retroativo de décadas como a Thatcher… sobre o consumismo eu entendi. Só fui breve… consumismo é consumismo, seja na base da pirâmide ou no topo. A mim, uma aberração da falta de educação do cidadão quando não finaliza o acabamento de sua casa, deixando o cimento e blocos aparentes, para ter uma tevê de 50 polegadas na sala ou um Golf usado na garagem (só por ser Golf) ou um iPhone. Tão alienado quanto ao fulano da outra classe que vai ter dezenas de sapatos.

        A você, quem é a esquerda não-dinossáurica? Eu estou atento ao que a Tabata Amaral tem articulado. Principalmente por ter concedido meu voto a ela e por seu foco ser a Educação… agora, ela é única, sem partido no momento.

        Qual é a esquerda não-dinossáurica no seu ponto de vista?

      8. Infelizmente a Tábata não faz parte desta esquerda não-dinossáurica vide a traição dela votando pela entrega da previdência. Tábata não pode ser considerada como de esquerda. Só porque uma pessoa se afirma de um jeito, não significa que ela seja. É difícil pensar em representantes políticos de uma esquerda moderna, flexível, atenta ao atual, inteligente, que tem autocrítica, que é APENAS coerente com o que prega [sabemos que um dos maiores defeitos dessas esquerdas é justamente a falta de coerência, a famosa hipocrisia esquerdista, importante fator de desânimo das massas em relação a esse lado do espectro ideológico ocidental]. É mais fácil pensar em indivíduos tal como a Eliane Brum, que sempre me representa, minha perspectiva, em seus textos. Os ideais, a coerência, indivíduos como vc e eu, estamos todos aqui, representando, mais ou menos, uma perspectiva progressista sem estar absolutamente engessada por ditames ideológicos do século XIX.

      9. minhavidagay disse:

        Então era o que imaginava: o povo está órfão de uma esquerda boa no momento… cabe a nós, pulverizados por aí, numa tentativa…

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