Ah, esses gays orientais!

Questões de um gay oriental

Sou gay, descendente de japoneses e em um pouco mais de um mês completarei 39 anos! Já sofri bastante preconceito (não estrutural como os negros) por ser oriental numa “terra” predominantemente ocidentalizada. De alguma maneira, as manias exteriores de “pinto pequeno”, “filho do pasteleiro”, “se eu enxergo com os olhos fechados” e etc. reverberavam em mim na medida do peixe fora d’água. E de todos os possíveis efeitos de me sentir diferente da maioria – e quando a gente é jovem o sentido inclusivo é muito importante – o pior sintoma foi o meu autopreconceito por ser japonês. Por exemplo: era inconcebível e improvável ter algum afeto oriental. Carregava aquela desculpa de que “o tipo não me atraia” e não me dava a chance de me relacionar afetivamente e sexualmente por outro japonês, chinês, coreano e etc.

Assim eu fui até meus 35 anos! O planeta Terra teve que dar tudo isso de voltas em torno do Sol para que a minha ficha caísse e eu, num esforço que foi se tornando consciente, superasse esse tipo de bloqueio.

Hoje eu sou “puta” no sentido de que não existe mais restrições quanto à raça para me sentir atraído (rs).

Mas o fato é que por mais de três décadas as “aspirações” externas, daquelas colocações juvenis, recheadas de estereótipos (e por vezes ingênuas) causaram alguma influência em mim. Posso dizer que, em um nível de consciência ou não, muitos orientais (gays ou heterossexuais) recebem todo esse toró de preconceitos, digerem isso de alguma forma e vivem consequências do mesmo.

Eu, particularmente, odeio o papel de vítima e evito ao máximo entrar nesse perfil quando passo pelas minhas barras. Mas dependendo da personalidade de cada um, o quanto orientais gays não sofrem as dores de um preconceito dobrado? Será que existe uma supremacia branca sobre o contexto homossexual também?

A ideia de “cor” da raça está diretamente ligada à estética. Gays, muitas vezes, são bastante conectados a isso e certa obsessão pela beleza tem até um origem natural do homem (gênero masculino) que tem forte influência visual. Homens, no geral, são atraídos pelo belo. O belo normativo, das páginas de revista e da televisão ostenta o perfil europeu e ocidental. Até brinco com um amigo, fã das artes, que é “tudo culpa do Renascimento”!

Por outro lado, afirmo também que um adolescente gay e oriental, no começo dos anos 90, sofria mais repulsa do que outro adolescente hoje. A moda de animes, mangas, games, culinária, da música como J-Pop e K-Pop e o surgimento dos Otakus, tem reduzido (drasticamente) tal segregação. Orientais tem encontrado brechas de influências em solo nacional em proporções que no final dos anos 80 eram definitivamente improváveis.

Com quase 39 anos estou liberto de certos estigmas por ser descendente de japonês e gay. Não achei que sofri muito tempo com a “pressão” externa, mas sofri o tempo suficiente até encher meu próprio saco (rs). Enquanto eu acreditava naquelas diferenciações, carimbadas, rotuladas e exaustivamente pronunciadas pelo menos uma vez por semana nos ambientes em que eu frequentava, algum ressentimento era legítimo. No dia em que liguei meu “foda-se” e obtive minhas conquistas em diversos âmbitos que um “pau pequeno”, “filho de pasteleiro” e “enxergando de olhos fechados” talvez não fosse capaz de alcançar, todo sentido mudou porque, de fato, mudou por dentro.

Descobri que as coisas de fora, na maioria das vezes, tem menos importância do que as coisas de dentro.

Mind set. Again.

8 comentários Adicione o seu

  1. Ro Fers disse:

    Estes preconceitos muitas vezes são cruéis, e com o tempo, e amadurecimento notamos que perdemos tempo em levar tais fatos em consideração.

  2. Fred disse:

    Qual balada gay os orientais paulistas frequentam? XD

    1. minhavidagay disse:

      Rs… Não tem uma específica. Mas sempre notei bastante orientais na Yacht! Dica dada :P

  3. Minha última experiência, maior, digamos assim, foi com um mestiço, o único com o qual fiquei na vida. Depois deste relato fiquei pensando sobre quais seriam os motivos de não ter me atraído antes por um oriental anteriormente…

  4. rothuzs disse:

    Minha última experiência, maior, digamos assim, foi com um mestiço, o único com o qual fiquei na vida. Depois deste relato fiquei pensando sobre quais seriam os motivos de não ter me atraído antes por um oriental anteriormente…

  5. Junior Japinha disse:

    Costumo frequentar a noite paulistana e vejo poucos orientais. Ou talvez estou indo a lugares errados…

  6. Henry disse:

    Olá Me chamo Henrique sou negro e admiro muito os japoneses estou a procura de orientais e mestiços para amizade o quem sabe algo mais meu email é phlog@hotmail.com.

  7. Marcello disse:

    Sempre quando me perguntam qual minha preferência sexual eu digo: homem. Não importa a etnia, nem levo isso em conta. Só não tive asiáticos pela falta de oferta aqui no RS. Se cada etnia fosse uma fruta, eu diria que minha preferência é uma salada de frutas. Não consigo travar meu gosto em um biotipo só. Qualquer raça tem seus encantos. E eu aproveito.

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