As aventuras de Kota

Kota é o caçula dos amigos do MVG. Está com 24 anos e, no caso, a lenda da “idade da descoberta de ser gay” faz até um certo sentido em sua vida. Tem um pouco mais de um ano que ele acompanha, com olhares e ouvidos atentos, os rumos que cada um dos amigos vêm seguindo. Sammy oficialmente casado com Michel e com celebração no final do ano, Matheus entre idas e vindas da “loucura” da vida gay e agora em um relacionamento, Fernando em sua busca de um envolvimento mais tradicional, embora tenha conseguido “rolos” (como ele mesmo dá o nome), do Beto que, de fato, não chegou ao Blog com propósitos referenciais e eu e o Japinha, agora separados pelas convenções do término.

Além das minhas desventuras que tenho narrado por aqui, dou vazão agora, com mais autonomia, a certo “papel social” de ajudar tais amigos a saírem do armário. O Kota, na verdade, seria ainda aquele que não havia se encorajado a “enfrentar” aplicativos e conhecer um pouco mais do universo gay. Seria…

No final de semana passado almoçamos no Athenas e, no ímpeto de estimulá-lo, instalamos em seu celular o Facebook para depois fazer funcionar o Tinder. Ficou bastante ansioso, nervoso e sem jeito, o que me fez puxar do fundo das minhas memórias as sensações da primeira vez que eu busquei um contato virtual numa sala de bate papo do UOL, há mais de 15 anos atrás, época em que celular era apenas dois: Next da Gradiente e um da Nokia, igual. Essa coisa de viver grudado e “escondido” na tela do smartphone (que são verdadeiros computadores) não era nem sonho. Caguei de medo na época e o menino chegou a me ligar depois da conversa, para que marcássemos o encontro sugerido pelo chat. Não antendi (rs).

Chegou esse final de semana e, por sugestão do Beto, resolvemor ir para balada. O Kota ficou reticente à princípio e teclou no grupo do Whatsapp que estava nervoso. Beto incentivou daqui, eu dali e o caçula topou.

Fizemos um esquenta no Bar da Dida, primeira vez que o Kota também experientava uma bebida alcoólica. Sugeri uma caipirinha de kiwi, mais doce e ele foi tomando aos poucos (quer dizer, mais rápido que eu sugeria – rs). Eu fiquei na cachaça Boazinha, três doses e meia, contrariando totalmente a minha dieta e ciente da minha resistência a tais bebidas.

O Beto chegou por volta da meia noite, tomou a outra metade do meu quarto copo de pinga e partimos para a Yacht Club. Ainda na Dida, o Kota comentou sobre suas experiências recentes no Tinder:

– Estou conversando com três meninos.

– Ah, que legal… deixa eu ver…

– Flávio, é normal as pessoas pedirem fotos de…

– …das partes íntimas, do pinto? É normal sim (rs).

Chegamos na balada e, apesar do horário, não estava tão cheia ainda. Expliquei ao Kota sobre o conceito da casa, o perfil de público e, para a felicidade do Beto, logo que entramos, avistamos (a mim um pouco inédito), muitos orientais!

– Vai poder fazer a rapa hoje, hein, Betildo?

Enquanto a casa estava vazia, aproveitei para apresentar ao caçula e ao Beto os ambientes. Não demorou para logo lotar e escolhemos uma posição inicial perto do DJ. O som estava bem legal, principalmente quando entrava alguns trechos de pop dos anos 80 e 90. O Beto rapidamente se soltou, eu também e o Kota, depois de ter pedido um drink, começou a ficar “tonto” (rs). Embora eu tenha avisado, ele resolveu “exceder”.

Convenhamos que, para um primeira vez, ele foi muito bem! Para muitos gays que estão começando a sair do armário, adentrar nesses receptáculos escuros, barulhentos, cheios de gente e cheirando à curtição e pegação (pelo menos na ideia) não costuma ser algo fácil. Kota, corajosamente, superou seus bloqueios depois de um ano e estava lá conosco, vivendo aquela experiência que, para um veterano como eu, não significa nada além de um entretenimento. Mas para quem começa, normalmente, tem sempre um tipo de choque: entre o deslumbre e a ojeriza há milhares de variações emocionais possíveis.

Num dos momentos que Kota se acomodou no sofá para descansar da tontura, segui com o Beto pista a dentro. Dançamos, muito, a ponto de causarmos certa inveja aos bonitos ao nosso redor. Fomos até o fundo da casa para eu acender um cigarro e, na passagem, notei um japa paquerando o Beto. Depois que fumei, no caminho para a volta da pista, rapidamente falei algo para o amigo e o empurrei para os olhinhos puxados. Beijaram, muito (rs) até o final da balada.

Reencontrei o Kota e fiquei fazendo cia a ele. Entre idas e vindas pela pista, algumas trocas de olhares denunciavam intenções óbvias. Mas não. Já me sentia suficientemente bem incentivando meus amigos.

Ficamos na Yacht até umas 4h20 da manhã, tempo legal para que ambos pudessem pegar o metrô de volta para casa. Deixei-os numa estação na Paulista e voltei para casa, relembrando o quanto eu bêbado sou capaz de dirigir, escrever no Whatsapp e, até hoje, ter passado totalmente ileso, carro inteiro e quietinho na minha garagem.

Hoje logo pela manhã, umas 10h30, o Henrique (um lindo que me encontrou no Hornet na quinta-feira) me mandava mensagem de bom dia. Ressaca de leve e uma neosaldina após o café da manhã.

Assim tem sido a vida, sem nenhuma sensação de vazio num domingo, até agora.

Pelo contrário.

20 comentários Adicione o seu

  1. T. disse:

    Flávio,

    Possuo 19 anos e acompanho seu site desde o ano passado, o descobri por acaso e não o leio tanto quanto antes. Depois desse texto, resolvi comentar pela primeira vez em seu domínio.
    Pareço com Kota. Só que pior. Ainda em dúvidas, sem nenhum relacionamento com caras, sem beijos nem nada. Família religiosa e superprotetora, fica difícil. Estou um pouco em crise. Essa vida não é pra mim… Não curto baladas, sexo por sexo (nunca fiz), desses preconceitos que rodeiam o mundo gay, que são piores que o mundo hétero. Ultimamente me pego pensando : se pudesse escolher, não seria gay. Isso não é para mim, não mesmo!
    Conheci pessoas e apenas 2 sabem de mim. Desde o inicio deixei claro que só precisava de pessoas para conversar, sair, bater um papo. nada de envolvimento nem sexo. Pisaram em mim…com tudo. Brincaram com meus sentimentos – no fundo só queriam sexo, e pelo visto não se interessaram tanto. Ainda vivo esse vazio. Me sinto sozinho às vezes. É complicado. Me fechei e não pretendo tentar enxergar por uma fresta por um bom tempo.
    Seu texto me trouxe várias memórias de coisas que não fiz, que não posso fazer, ou até que não gosto de fazer. Obrigado pelos excelentes textos que você compartilha conosco. Continuarei a acompanhar suas peripécias.Obrigado por ler até aqui.
    Sucessos !

    1. minhavidagay disse:

      Oi T, tudo bem?

      A vida gay não é somente sexo por sexo, pegação e putaria. Com as referências que trago aqui, ultimamente tenho enfatizado mais essa faceta, pois retrata o momento que estou passando na vida.

      Mas, ao mesmo tempo, tive relacionamentos longos e duradouros. Não somente eu, mas muitos gays constróem a vida em par.

      Eu passei por esse sentimento de solidão até meus 23 anos. Agora, com 38, parece que foi fácil chegar onde cheguei já que a minha vida alcançou um estágio de autonomia e autoconfiança maiores. Mas note que tudo isso foi um processo, longo, e um esforço muito grande de tentar enxergar sempre o lado cheio do copo.

      Se me senti angustiado, perdido, confuso e muitas vezes desacreditado? Não tenho dúvidas que todos nós passamos por momentos “cinzas”, seja por questões da sexualidade ou de ouros problemas.

      É importante se ter coragem e ir atrás de seus propósitos. Eles podem se materializar se você acreditar. Coragem.

      Um abraço,
      MVG

    2. Adônis disse:

      O ritmo de postagens de novos textos está frenético MVG, está difícil até de acompanhar! Queria ter comentado em vários, naquele sobre o rapaz lorde inglês (rs) por exemplo, mas não estou tendo muito tempo, mas queria te dizer para continuar escrevendo sobre as suas aventuras.
      Para mim tem sido uma espécie de manual! Estou gradualmente me libertando das amarras da timidez..e percebendo também que para achar “coisa boa” nos apps é preciso oferecer também algo de igual valor em troca. Está servindo para tirar o atraso de uma adolescência que ainda não tinha sido posta à prova, em alguns aspectos está sendo um pouco penoso, mas é aí que percebo o tanto que a leitura do seu blog me ajudou, não consigo imaginar o que seria adentrar o “mundo gay” sem antes ter tido suas experie ncias como u “background teórico”. Obrigo mesmo.
      Abraços.

      1. minhavidagay disse:

        Eu que agradeço, Adônis por estar fazendo do Blog um “manual” para orientar sua própria vida e, como você falou, as vezes penoso pois bem ou mal, para sair de nossas zonas de conforto precisamos de coragem.

        Abraços!

  2. Nicholas disse:

    Como ir a uma balada sozinho e pela primeira vez sem ter uma taquicardia? rs

    1. minhavidagay disse:

      Não vá a uma balada sozinho pela primeira vez, Nicholas!

      Mas se você for, é apenas uma balada como qualquer outra: espaço fechado, com luzes piscando, som eletrônico alto e pessoas se divertindo.

      Abraço,
      MVG

      1. Nicholas disse:

        Não Flavio mas vc não esta entendendo, rs

        Assim, eu não tenho com que ir, então terei que ir sozinho!
        Olha eu ja estou com quase 26 anos, morrei quase todo esse tempo numa cidade pequena de SC, sou o casula de quatro filhos onde os outros 3 são todas mulheres.

        Então eu o casula o único “machinho” da casa loirinho de olhos azuis e numa cidadezinha minuscula não poderia viver realmente quem e como eu era/sou.

        Cresci, estudei, me formei, trabalhei e juntei uma grana. Agora eu mudei de estado estou longe da família e sozinho por minhas próprias pernas, eu e o mundo … só que não sei viver nesse mundo ainda! da medo… mas eu ja tenho 26 anos!!

        Num outro post vc disse pra gente ir aos lugares conhecer pessoas e tal, ok eu quero fazer isso! Esperei 26 anos pra isso, mas não sei como fazer … tenho medo de na hora literalmente travar!

        E vc com todo sua experiência poderia me dar umas dicas de como se portar nesses ambientes, de como abordar uma pessoa nesses lugares enfim … o que fazer e o mais importante o que não fazer.

        Vc nos posts ai mostra bastante domínio nessas coisas, alias sempre que leio seus post não consigo ter a imagem de um japonês ahaha , me desculpe, mas pra mim sempre vem a imagem do brian kinney de queer as folk ! ou seja um verdadeiro PUTÃO :D

        Então assim como que vou ir se não é aconselhável ir sozinho ?

      2. minhavidagay disse:

        Nicholas, vem para SP num final de semana e eu te levo na balada, no mesmo esquema que fiz com o Kota. Aproveite o convite, enquanto o Brian Kinney aqui não engatou um outro namoro! ;)

      3. minhavidagay disse:

        Claro, se vc sentir confiança. Falo sério. Me escreve no queroumtoque@gmail.com, caso vc se interesse pela ideia.

        As melhores baladas gays, anyway, estão em SP. Abraço!

      4. Nicholas disse:

        hahaha magina :)

        então mas sair de Curitiba e ir SP só pra ir a uma balada e voltar pra trabalhar na segunda … não vai dar
        mas brigado mesmo assim, rs

      5. minhavidagay disse:

        Ué… você não sai numa sexta para ir para a praia e volta no domingo? A diferença é que a praia é num quadrado escuro, barulhento e cheio de gente ;)

        ahhh… não tenho que ficar planejando pra vc. Fucking twenty six years (rs).

        Convite feito! ;)

      6. Nicholas disse:

        Só em feriados do contrario o laboratório funciona ate o meio dia nos sábados …
        nem todo mundo é empresário meu querido, a maioria trabalha 44h semanas (e demooora pra passar kkkk)

        mas adorei o “convite feito”, rs
        quem sabe um dia
        :)

      7. minhavidagay disse:

        Bom, tudo isso podíamos estar alinhando por e-mail. Mas quando você realmente quiser conhecer a balada gay não haverá mais desculpas. Talvez não tenha tido ainda aqueeeela vontade de desmistificar ou de criar a situação para ter uma companhia para ir à balada.

        Sair da “zona de conforto” está sempre, exclusivamente, em nossas mãos.

        Um abraço!

  3. Caetano disse:

    Gostando dessa fase do MVG, quero muitas curtições relatadas rs

    1. minhavidagay disse:

      Valeu, Caetano! Tem mais histórias por vir… abraço!

    2. Leandro disse:

      Pois eu não vou mentir: não tô gostando de ler essas coisas. Eu até resolvi dar uma segunda chance ao blog, mas esse tipo de post faz com que eu me sinta pior, pois não tenho coragem, desenvoltura e nem amigos pra poder ir numa balada. Mesmo que eu quisesse, não curto muito e não me sinto obrigado a ir em balada pra poder me divertir. Acho muito errado resumir curtição gay à balada. Prefiro ir num cinema assistir um filme, ficar em casa lendo um livro ou assistindo animes, ir numa casa de um amigo, enfim. Tbm não tenho saco pra ficar lendo posts com relatos de pegação. Eu não tô pegando ninguém, pra q eu vou querer ficar lendo relatos dos outros se dando bem, enquanto eu ando só me ferrando? Enfim, essa é a última vez MESMO que posto algo por aqui. Eu encontrei outro blog, com um conteúdo muito mais motivacional. Vou frequentar só esse agora!

      1. minhavidagay disse:

        Oi Leandro!
        Longe de eu querer que você fique sofrendo por ler os textos daqui e dessa “fase” que estou vivendo. Sugiro até que depois você deixe o link desse Blog aí, o qual você está se identificando mais, para que pessoas que estejam vivendo sensações semelhantes as suas possam se referenciar.

        De qualquer forma, essa toada autodepreciativa que você entrou não é legal e, como eu já imaginava, “se conselho dos outros fosse bom a gente pagava”. Mas a gente não cobra porque normalmente não funciona ou melhor, funciona quando estamos realmente aberto a ele.

        Assim, como as pessoas que se comoveram com suas palavras resolveram te dar toques de apoio, eu digo que essas comparações, de você se sentir mal em detrimento ao “sucesso” de outro não é bom. É um sentimento muito ruim que não vem de mim, mas que surge em você.

        E é você e é a maneira que você tem entendido hoje as coisas da sua vida.

        Dá uma impressão de eu estar em vantagem em relação a você, numa comparação mesmo, e acho chato você levar a coisa por aí. Mas como disse, quem tem que mudar esse pensamento é você mesmo. E eu te digo mais: quanto mais ficar nas comparações, do belo VS. feio, do certo VS. errado, maior ficará a sensação de estar sem possibilidades pois é você mesmo quem está se restringindo a elas.

        Tente sair desse ritmo e tente acreditar em seus valores, sem comparação. Sem achar que qualquer coisa possa ser uma ameaça a parte frágil de você mesmo. Sei que não é fácil porque já passei por isso.

        Ler hoje o Flávio se dando bem é legal, confortável até (inspirador para alguns e desgostoso para outros). Cheguei aos 38 anos superado de diversos problemas de autoestima, relação com meu pai e falta de entendimento da minha própria identidade, fase que você está passando.

        Mas já fui um menino cheio dos meus complexos (e complexos existem a todos e são muito particulares). Por exemplo, tive muitas espinhas no rosto e nas costas. Espinhas profundas que deixarem marcas muito feias. Me sentia japonês (esteticamente pouco atraente aos anseios nacionais), cheio de marcas no rosto, magrelo e nada interessante. Ah, pau pequeno também fazia parte da minha autodepreciação, só para contar.

        Até hoje nunca “paguei uma de gostoso e bonito” nas fotos dos aplicativos por exemplo. E sabe por que? Porque eu não me achava gostoso e bonito. Não queria enxergar isso e, pra mim, tal ideia de ser fisicamente atraente era muito mais claro para outras pessoas do que a mim mesmo. Ou eu era bonito ou eu era inteligente. Parecia que na minha cabeça as duas coisas não combinavam.

        Daí que instalei os apps de novo, agora que estou solteiro e nessa busca que você tem lido por aqui. Pensei comigo: “por que um cara relativamente intelectualizado como eu não pode fazer uma linha gostosa e bonita? Só porque a sociedade diz que a imagem não combina? Foda-se, vou tentar”.

        Daí tirei selfies (coisa que sempre critiquei pela manifestação do narcisismo implícito), sem camiseta, mostrando meu corpo e fazendo “cara de mal”, se assim posso dizer. Coisa que os fodões dos apps fazem, quando mostram a cara.

        Fiz sem medo de ser feliz ou, sem medo de não ter algum possível resultado que, de fato, nem criei expectativas para saber. Apenas fiz e liguei um “foda-se” gigante para uma parte “coxinha” e “moralista” de mim.

        Resultado: tenho escolhido a dedo as pessoas que quero conversar. E isso está errado? Não, não está. É meu momento e acho muito justo eu ser bastante criterioso. Mesmo que a finalidade seja exclusivamente o sexo pelo sexo, que não é o caso.

        Um dia fui magrelo, horrendo por ser japonês, de pau pequeno, cheio de marcas de espinha na cara. Meus amigos eram lindos, eu não e isso estava fora do meu alcance.

        Resignifciar você mesmo não depende de mais ninguém, nem de comparações, nem de nada a não ser de você. Talvez essas palavras te façam sentido um dia. Eu espero que façam. Ninguém quer alguém que se acha horrível e demorei anos para tomar uma verdadeira consciência disso.

        Um abraço e até breve,
        Flávio

  4. Adônis disse:

    Estou no smartphone então acabei comentando no espaço errado, como resposta a um comentário.ops :)

  5. André disse:

    Flavio muito bacana ver a sua atenção para o Leandro.
    Eu tenho conversado com ele pelo chat do face, e realmente o que vc disse aqui, tem tudo a ver o que eu tenho dito a ele. E a palavrinha magica é nao comparar-se a ninguem. Eu tbm tenho as minhas dificuldade, que hoje estao cada vez menos limitadas, Para vc ter ideia, esse mundo gay tbm para mim era outro mundo ate dois anos atras ( ainda é). Depois que passei a conhecer o carinha ai de SP, que conheci num site de relacionamento gay, meu mundo mudou muito…nao conhecia sp, fui com a cara e coragam , claro com apoio desse carinha que seria meu acompanhante ai na cidade, hoje posso dizer a q aprendi relativamente a andar de metro ai e conheci um pouco da cidade. Antes via SP como algo impossivel pra mim, e nao perco uma chance de ir aí.
    Quanto a seu convite ao outro colega, achei maximo e muito generoso da sua parte. Pensei poxa esse cara realmente é legal, queria ter uma amigo assim. Deixo aqui meus parabens mais uma vez. Volto a repetir, vc contribui muito com esse blog, e tem ajudado a todos, inclusve aqueles que nao se identificam, com as suas historias, mas que vao se perceber diferentes, e evitando assim viver experiencias desnecessarias. Polemicas sempre há de existir, seu blog nao seria diferente. Mas se voce vem agradando a maioria isso e que importa. Faça o que tem de ser feito, ou seja continue com seus relatos…eu to apredendo e me divertindo!! >)

    Abraços

    André Luiz.

    1. minhavidagay disse:

      Oi André!
      Que bom que você tem superado seus bloqueios e saído de certas zonas de conforto.

      A sua história de ter superado a barreira para conhecer SP, algo improvável antes, lembrou das minhas resistências que tinha para sair de carro e conhecer bairros desconhecidos. No começo da minha empresa, para ir a uma reunião, eu precisava levar meu ex-sócio como “co-piloto” quando era algum lugar desconhecido. Eu tinha literalmente pavor. Busquei superar essa trava que me limitava muito. Depois, me desafiei a pegar a estrada para o litoral norte de SP sozinho. Um medo absoluto! Fui e voltei, com uma sensação de que “sobrevivi”.

      Tais movimentos, de romper nossas próprias fronteiras e limites, as psicológicas eu me refiro, são um processo natural, a medida que vamos desatando nossos nós (medos).

      Hoje já pego avião sozinho e, de quebra, para um país que não fala a minha língua nativa. Vou na balada sozinho, no cinema e num restaurante sem incômodo ou sofrimento.

      Esse exemplo que você deu, tem tudo a ver com o meu e com as barreiras do próprio Leandro.

      Definitivamente, comparação é uma lastima que nos prende…

      O convite ao Nicholas talvez tenha vindo de uma maneira abrupta. Se eu tivesse sido mais jeitoso ou talvez mais discreto, como fui com os demais amigos do MVG, a história poderia ser diferente. Acabei fazendo num impulso, o que de certa forma deu a impressão de uma afobação. Claro que não é não descaracteriza a mesma intenção que tive com os outros que conheci pessoalmente. Mas deixemos o amigo refletir (ou não) rs. Como você notou, a proposta a ele é a mesmíssima que foi com o Sammy, Matheus, Kota, Fernando, Beto e o Japinha. Conheci todos pelo Blog e, nessa certa intuição que define quem eu convido ao presencial e quem não, senti que poderia ser interessante com o Nicholas.

      Enfim…

      O fato é que não preencho esse meu momento apenas da minha “solteirice profana”. É um fase muito apropriada para exercer uma “função MVG” como fiz com esses meninos. Tenho mais autonomia, coisa difícil de acontecer quando se está namorando. Estava “devendo” essa para o Kota e o melhor: aconteceu naturalmente, pelo convite do Beto. Daí me veio o insight e pimba. Ele viveu sua experiência, algo que queria embora tivesse pavor, e que me deixou MUITO feliz.

      O que eu ganho em troca com isso? A amizade. Taí pra comprovar: Matheus, Sammy, Beto, Kota e Fernando. Japinha provavelmente não entre, pelas convenções de um término de relação comigo.

      Sobre as polêmicas, quanto mais apegados aos modelos que acreditamos, destinados para uma cultura de relacionamento, e vemos exposto fatos de uma realidade contrária (ou o que acreditamos ser o contrário), mais repudiamos. É como se fosse água e óleo. É a manifestação do medo de perdermos um controle daquilo que acreditamos tanto.

      Acontece que entendo que, para alguns, seja difícil associar numa mesma pessoa (no caso eu) a imagem de um cara comprometido, ponta firme, fiel e companheiro quando em um namoro, e um cara “putão e promíscuo” quando solteiro. Parece que existe uma “convenção esperada” de que um cara comprometido, ponta firme, fiel e comapnheiro quando em um namoro, tenha que ser sofredor, melancólico e recluso quando solteiro. E o cara que é “putão e promíscuo” ter de ser como tal pelo resto de sua vida para acabar velho, putão e sozinho. Tudo uma bobagem da construção normativa e cultural.

      Pois bem, transito com autonomia e consciência nesses dois universos e isso incomoda, parece moralmente incoerente para alguns. E é por isso que, em alguma medida hoje, busco por alguém que entenda esse meu jeito “abrangente” de ser, sem me julgar ou me “banir” pelas emoções egoístas das convenções que – de fato – nada nos garante.

      Obrigado pelo seu comentário, André. Foi a deixa inspiradora para eu me fazer entender um pouco mais a aqueles que caírem com os olhos por aqui. :)

      Abraço,
      Flávio

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