As subjetividades de um relacionamento

Ying & Yang

Talvez, pelo fato de eu ter me aventurado logo aos 23 anos com a minha primeira empresa, fui meio que obrigado a lidar com as mais diferentes pessoas. Comunicação e expressão foram “recursos” fundamentais e que, queridos ou não, tive que desenvolver.

Mais de 15 anos se passaram e, possivelmente, lidei com centenas de pessoas, atuantes nos mais diversos segmentos de mercado. Das idades mais variadas; desde corporações multinacionais até microempresários. Homens, mulheres e cada qual compreendendo a relação “cliente e fornecedor” a sua maneira. A gente aprende a dançar diversas danças. Ao mesmo tempo, da parte da equipe, foram algumas dezenas que passaram pela minha empresa. Alguns que estabeleceram contato há mais de uma década e outros, minimamente, por um ano.

Formado em comunicação social, mais precisamente em propaganda e marketing, não sei dizer o que veio antes, se o ovo ou se a galinha; não sei se a minha maneira de ser me motivou a determinadas buscas ou se foram os encontros pelo meu trajeto que me influenciaram. Mas provavelmente, a minha personalidade me fez trilhar pelos caminhos das humanas, na área de comunicação. Me sentia estimulado a isso. Devido a essa natureza – mesmo sendo descendente de orientais, que no imaginário da maioria das pessoas a cultura é tida como fechada e mais introspectiva – formei uma personalidade mais expansiva e aberta. Não é à toa que, com um pai de valores mais conservadores e de personalidade mais contida, fui tido como um “porra louca” por muitos anos por ele (rs). Título que, as vezes, subentendia motivos para que papai arrancasse seus cabelos (rs).

Mal sabe ele das minhas reais desventuras…

Hoje estou muito mais sereno. Mas mesmo assim, a exemplo do Blog Minha Vida Gay, continuo “lançando para fora” e me expressando por intermédio da palavra escrita muito das coisas que estão por dentro. Continuo me comunicando todos os dias com a minha equipe e, durante os meses, é a minha rotina estabelecer contato com potenciais clientes, ou, novas pessoas.

Levando esta natureza nipo-pessoal para a realidade de meus relacionamentos, talvez eu tenha assumido – na maioria das vezes – um certo papel daquele que “puxava” a relação para a ponderação. Falando de origens étnicas e culturais, meus ex foram (e são) predominantemente descendentes de latinos, índios e negros, a mistura prioritária da sociedade brasileira. Eu já era meio “doido”, expansivo e comunicativo. Meus ex, talvez, fossem mais, no sentido de ter alguns excessos mais intensos que os meus (rs). Todos também da área de humanas, mesclando um tipo de exercício/necessidade de autoafirmarem-se como gays, as vezes de maneira mais pública, outras vezes menos.

Outro fato que me fazia assim, o “ponderado” da história, é que sempre preferi me relacionar com pessoas mais novas. 3 anos, 5, 10 anos (ou mais) de diferença. Certa vivência a mais, “puxava” para uma responsabilidade de ser “o cara” mais “amadurecido”. E assim, de uma maneira bem genérica, se configurava a minha maneira de construir relacionamentos afetivos.

Tudo isso começou a mudar durante meu relacionamento com meu ex-Beto, por volta dos meus 34 anos. Transformações que mais vieram de dentro para fora, do que de uma clara influência de nosso namoro. Em conversas recentes com um amigo (hétero) de longa data, mais de 24 anos de amizade, para ele ficou nítido quando o Flávio “porra louca” – o qual meu pai se referia (rs) – imperativo, impulsivo, temperamental e altamente brincalhão (as vezes, sem a medida do freio) começou a se tornar o Flávio mais flexível, tranquilo, sério, focado e equilibrado. E confesso que, por dentro, sentia essa metamorfose com algum temor, ciente de que tais mudanças, por partes, eram fruto de escolhas e, por outras partes, fruto do incontrolável amadurecimento.

Naturalmente, minha percepção sobre como me relacionar também mudaria. Hoje, noto com mais clareza que após o ex-Beto, em minhas experiências com o Japinha e com o Rafa, este “novo Flávio” já assumia certas rédeas. A gente acha que um namoro nos sossega. Mas posso sugerir que eu sosseguei sem tal influência.

Até então, mesmo sendo mais porra louca e, ao mesmo tempo, fazendo certo papel do controlado em minhas relações, eu precisava viver aquele tipo de envolvimento com alguns excessos. Muita diversão, muita cachaça, muitas vezes abraçando a privada para lançar para fora de mim o excedente, apartando os ímpetos de meus namorados, eles apartando os meus, brigas e discussões dramáticas e muito de intensidade. O porra louca, muito bem definido pelo meu pai, ainda era ávido, altivo e vivia seus potenciais da maneira que lhe conviesse: com muito vigor e com a tendência de agir antes de pensar. Hoje, as vezes, quando me pego pensando muito antes de agir, até me assusto e me questiono em silêncio: “cadê o Flávio extremamente atitudinal?”. As vezes ainda estranho que não sou mais daquele jeito.

O ex-Beto foi percebendo a mudança e, talvez, esse seja um dos motivos que os nossos caminhos trilharam em paralelo, mas não mais de mãos dadas. Mantivemos certas afinidades que nitidamente preservam-se na amizade de hoje, mas ele tinha coisas para aprender e o mesmo acontecia comigo, sem mais o semblante de par. Quando entrei em sintonia com o Japinha, parte do meu mundo ainda não explorado começava a receber a luz do Sol. De maneira bem palpável, o preconceito/autopreconceito por ser oriental cedia a medida que a nossa relação ia tomando forma. Muito nítido, a mim, o quanto o porra louca que eu era não daria acesso a um oriental de maneira mais íntima. Mas o “novo” Flávio deu. E curtiu.

Ao me relacionar com o Rafa, notava todo aquele jeito de ser “bebezinho-cliança”, com bastante clareza. O Flávio porra louca era meio assim, mas no momento que ele deixava de ser, conseguia reconhecer os contornos do Rafa com muito mais nitidez. Descolamento.

Em um mês ou um pouco mais, não havia mais segredo e eu notava um pouco dos meus ex naquele menino endiabrado: loirinho, rosto angelical, uma fofura, delicado, olhos azuis, branquinho, mais baixo do que eu, de voz mansa, mas quando explodia… ah, meu Deus! Era o “Hitler”! (RISOS). Eu fui “nazista” muitas vezes aos meus ex-namorados! Notava com nitidez parte do que eu tinha sido e parte de como meus ex eram comigo em nossos surtos. Os jogos emocionais, as tentativas de controle, tudo. Tudo era claro e a frase que vinha a cabeça com certa frequência enquanto estava com ele era: “o Rafinha pode forçar, espernear, gritar e ameaçar, mas não vou alimentar seu gênio ruim”.

Para exemplificar, teve algo assim: uma vez ele me contou que, ao brigar com um ex, ele virou as costas, alegou o fim e saiu andando. O ex parou tudo que estava fazendo (no caso, trabalho!) e pôs-se a correr atrás do Rafa. Tempos depois que ele me contou o fato, já na iminência daquele comportamento acontecer comigo, eu disse a ele: “não pense que se você me ameaçar, virar as costas e sair andando, eu vou correr atrás, hein?” (rs).

Claro que este momento chegaria um dia. E chegou. Eu já não era mais o meninão e, por mais que toda aquela cena, na prática, me despertasse a insegurança provocada dentro de mim, temendo a perda e alguma reação da minha parte que pudesse configurar o mimo, o “novo” Flávio estava suficientemente formado para não alimentar o gênio ruim do Rafinha. Daquele primeiro dia, para o nosso término, ele me ameaçou umas 10 vezes. Basicamente, minha paciência se exauriu (rs) e priorizamos a máxima que eu mesmo e uma amiga já tínhamos dito a ele: entrar num relacionamento para ficar sofrendo não valia a pena.

Algo que me fugiu ao mencioná-lo nos posts, mas que foi uma novidade, é que ele se sentia a vontade para demonstrar afetividade em público. Não era raro de darmos selinho na rua ou quando nos encontrávamos nos locais marcados. Eu achava que tivesse um bloqueio quanto a isso e tinha até certa ideia de que demonstração de afeto em espaços públicos eram desnecessários. Mas, aparentemente, fazia a “dança” que os ex anteriores preferiam. Quando o Rafa naturalmente introduziu tais gestos, foi um leve choque no primeiro ato, provavelmente pela novidade da quebra do costume, mas que muito me agradou e que se tornou recorrente em nossos encontros.

O Rafa tendia a fazer a relação ganhar contornos de intensidade, apontando para as divergências e eu puxava a história para a leveza, focado em viver as convergências na prática. Depois que terminamos, fiquei 3 ou 4 meses solteiro, quando de repente veio por dentro a vontade de namorar. Não demorou muito e conheci o Beto. Embora intenso, rápido e louco o nosso começo, não tivemos ruídos nem descompassos em nossa “estreia”. Certamente ele carrega uma característica de intensidade como a minha, caso contrário a nossa história não teria começado do jeito que foi. É sempre bom lembrar (rs). O prazer, neste ponto, está na franqueza e na pureza dos interesses, como relatei em posts anteriores. Isso, a mim, é o mais instigante neste “prefácio”.

Mas agora que o sentido de pertencimento – um ao outro – começa a se formar, estamos realmente nos conhecendo. De louco todo mundo tem um pouco e é sempre bom lembrar desta ideia também (rs). De qualquer forma, a gente tem notado que a pessoa mais reservada e introspectiva é ele e eu sou o “porra louca”. Esse tipo de inversão ou pelo menos a inédita percepção consciente da mesma são novidades.

– Flávio, não precisa me deixar em casa. Daqui é muito mais fácil eu ir de metrô.

– Eu sei que é mais fácil. Mas eu quero te levar…

– Por outro lado, seria ótimo ficar com você mais tempo, dentro do carro…

– Sim. Você está me entendendo agora… rs

– Mas veja: estamos aqui. Você mora ali e você vai me deixar aqui. Estou no meio do caminho.

– Ah, esses engenheiros!

– Mas é lógico. Não é lógico?

– Depende da lógica. Entre o branco e preto tem inúmeros tons de cinza.

– Eu fico com 50 tons de cinza – rs.

– Pra mim tem mais de 200. Deixa que eu vou te mostrar…

12 comentários Adicione o seu

  1. Pedro disse:

    Por ter sido o último relacionamento, talvez, o ‘Rafinha’ tem participado bastante dos relatos mais recentes do blog, eu juro Flávio, que a tua descrição dele é tão ‘concreta’ e rica em detalhes, que eu consigo vê-lo, senti-lo de uma maneira quase como se fosse uma pessoa próxima, com a qual eu tivesse convivido, enfim, tivesse até algum nível de intimidade – rs.

    Talvez isso seja porque o ‘Rafinha’ não seja apenas ‘o Rafinha’, mas uma espécie de ‘arquétipo’. O ‘arquétipo’ do efebo que seduz pela beleza que tem, pela juventude. Na Grécia, as relações de pederastia tinham a finalidade meramente ‘educativa’, assim que o rapaz se tornava adulto (por volta dos 25 ou 30 anos, não tenho certeza) ele se casava com uma mulher e continuava participando da pederastia, não mais como ‘eromenos’ mas como ‘erastes’, ou seja, como ‘pedagogo’, como ‘mestre’.

    A beleza descrita do ‘Rafinha’ é essa, é a imagem do ‘efebo’. De tão ‘arquetípica’ que ela é. Claro que o ‘Rafinha’ das descrições não é a totalidade do que ele é na realidade, mas a imagem inconsciente, a impressão que me traz as tuas descrições sobre ele é exatamente esta. Um efebo, como Narciso, Jacinto ou Ganimedes, dentre outros.

    Talvez eu tenha uma pista de por quê tenha me identificado com ele. Certamente não é pela aparência que se delineia isto. Eu sou justamente o inverso, cabelos pretos, olhos castanhos, alto pros padrões brasileiros, machão do interior (rs) (mais machão do que muito cara hétero – rsrs), com direito a voz grave e tudo mais que pode compor o visual (rsrs), ou seja um outro ‘arquétipo’. Mas no fundo, além claro da questão geracional, que foi falada anteriormente, algo ficou muito mal resolvido ao longo da minha vida, e isto foi a afetividade.

    O ‘Rafinha’ foi em mim, dentro de um determinado contexto afetivo, aquilo que eu não fui, e que talvez tivesse que ser pra saber que eu estava errado, tivesse que ser para aprender o que eu quando mais garoto (na fase ‘efebo’ – rs) não pude fazer, não pude ter, por várias razões e uma série de fatores, que não vem ao caso neste momento.

    Onde existe isso, essa carência, esse afeto ainda em ‘botão’ a ser desenvolvido, a ser explorado, esse narcisismo a se adaptar ao outro, esse ‘ego’ aparentemente forte mas que na essência tem uma fragilidade enorme, travestido de personalidade forte, de controle e de ‘gênio ruim’. Onde há isso, há ‘Rafinha’.

    Acho que você demonstra isso no texto também, esse ‘Nazismo’ talvez seja isso, seja a manifestação do ‘Rafinha’ em ti (rs).

    Djavan tem uma música bem legal, chamada ‘Você bem sabe’, e tem um trecho que é bem assim: ‘Com você, sem você, a gente tem é que crescer’ (E não venha me dizer que eu gosto de MPB!!! Rs). Acho que é por aí, somos todos ou fomos um dia ‘Rafinhas’ afinal. E acho que sempre seremos, o ‘Rafinha’, ou um pouco dele, talvez seja e esteja na ‘meninice’ sedutora que todos temos.

    Com todo o respeito ao Rafinha, que eu nem sequer conheço.

    Abraços.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Pedro!
      Notei que você tem algum tipo de afinidade pela imagem (parcial) que eu transcrevi do Rafa por aqui.

      Não é a primeira vez que você faz algum tipo de comparação com ele rs.

      Eu não me senti seduzido propriamente pelo efebo. Pelo contrário! Me dava até certa preguiça! rs. Mas fui paciente o quanto pude.

      Acho que você idealiza um “Rafinha” pra você! Quer que eu passe o contato? =P

      Ou se não idealiza, gostaria de ser o Rafinha para alguém! rs

      Tudo brincadeira! Mas me peguei curioso, por notar sua simpatia por esse “arquétipo”…

      1. Pedro disse:

        Olá Flávio,

        Confesso que fiquei surpreso por ter respondido…

        Bem, o ‘efebo’ é fascinante sem sombra de dúvida não só pra mim, mas ao longo de toda uma história do homoerotismo ele sempre esteve presente. Mas o modelo da pederastia grega (que inclui essa coisa do efebo), não é o que mais me fascina, sem dúvida, e não é o que eu idealizo, embora inconscientemente talvez ele esteja fortemente presente.

        Sobre a identificação que rola entre o ‘Rafinha’ e eu. É que eu sou também um ‘bebezão-cliancinha’ querendo cuidado, atenção e afeto (rs), e também quero controlar os outros, sabe cumé né (rs). Eu não sou ciumento, sou ‘cuidadoso’ (rs). Brincadeiras a parte, sim, rola uma certa identificação, que pode ser apenas superficial ou parcial, mas o que mais me impressiona ainda é o fato de sermos seres de ‘castas’ tão diferentes.

        Sobre o contato, bom, me surpreendi também, mas eu não te pedi e como você ofereceu, não posso dizer que não, seria muito deselegante da minha parte (rs), minha resposta é se você puder me enviar por e-mail, tudo bem, estamos num país livre (rs). Eu imagino que você deva ter acesso a ele (o meu e-mail) por meio do blog.

        Abraços Sr. Cupido (ou seria Eros?), quer dizer, ops, Flávio (rs).

      2. minhavidagay disse:

        Então, Pedro!
        Na verdade foi uma brincadeira como me expressei. Ele só curte orientais! =P

  2. San bonassa disse:

    Japa , como todo o respeito.

    Mas toda vez que você termina ou começa um novo romance , as postagens são muito parecidas.

    Lendo casos do passado e os atuais são as mesmas histórias contadas com outras palavras , nem posso dizer que mudou os nomes , já que muitos se repetem . Rs.

    Fiquei bom tempo sem entrar no blog , trabalho , estudos etc….

    Posso dizer que foram meses , agora que estou mais tranquilo e com tempo livre , voltei por gostar de algumas histórias , só que lendo eu encontro um padrão comportamental seu ,dos loves e situações do dia a dia.

    Enfim será que não está na hora de mudar algumas coisas????

    Vc me fez essa pergunta ano passo , pouco antes de perdemos contato.

    Parei pensei e mudei muitas coisas ,fechei livros e abri novos .

    Funcionou perfeitamente.

    Abraços.

    1. minhavidagay disse:

      Oi Sandro!

      Me dando conselhos sem eu pedir?! Estou me sentido invadido! Ahahah

      Brincadeiras a parte, refleti alguns minutos sobre seus conselhos deste comentário.

      Naquele tempo, teu contexto te angustiava. Você estava cansado da sua rotina e queria mudanças para ficar mais leve. As mudanças, de certo, te levaram a encontrar paz. Me corrija se eu estiver enganado.
      Agora te pergunto: por mais que você note possíveis repetições nas minhas histórias, porque eu deveria mudar se estou em paz e feliz?

      Não estou vivendo uma crise como no segundo semestre do ano passado, relacionado ao meu trabalho e a insatisfação política. Não estou vivendo uma angústia de algum relacionamento descompassado, como também já vivi algumas vezes antes.
      Para que mudar? Repetições não são problemas. O problema é quando as repetições nos intoxicam e tiram uma harmonia de dentro da gente.

      Agora eu estou em paz, depois de uma grande turbulência no segundo semestre de 2015, que nem teve relação direta com relacionamento. Sendo assim, imagino que você entenda que eu não precise mexer em ‘time que se está ganhando’.

      Abraço!

  3. San bonassa disse:

    Sakei.

    Vc diz que tudo está em paz , então eu acredito.

    Afinal passei muito tempo longe do blog e perdemos total contato.

    Eu encontrei a paz fechando livros.

    No entento confesso , fiz uma análise de todos os meus casos e realmente nunca fui apaixonado por ninguém , algo que você já tinha percebido.

    No máximo crio afinidades Com algumas qualidades dos loves , honestidade , trabalhador etc….

    Quando está afinidade acaba é hora de dar tchau.

    Única vez que eu deixei o sentimento falar alto foi ano passado , por Deus quanta dor de cabeça. Rs.

    Minha paz vem de duas regras que aprendi e coloco em prática , quando deixei de fazer isso levo na cabeça. Rs

    Primeira – Tudo tem começo , meio e fim , sendo assim nada de cometer loucuras por amor ou assumir culpa por não ter dado certo , um dia vai acabar como tudo na vida , inclusive a própria vida .

    Segunda – Mais importante… Sempre no relacionamento tem aquele que gosta mais !!! Não seja ele !!!

    Então de um ano e pouco pra cá , recuperei a paz dos vinte e poucos anos, vivendo em meu mundo ou bolha como vc costuma dizer , onde somente meu prazer importa.

    1. minhavidagay disse:

      Aí que está… faz muito sentido suas duas regras, muito racional de sua parte e já assuntei sobre culpas e sobre um gostar mais do que outro por aqui, com outros focos. Eu penso diferente de você e talvez seja aí que você viu tal “repetição”.

      Sobre a primeira, eu não busco começar uma relação pensando no fim. Mesmo porque não é acreditando que tudo tem começo, meio e fim (bastante sensato e racional até), que eu vá assumir culpas. Culpas dentro de um relacionamento tem outros motivos, não somente por não ter dado certo. Culpas num relacionamento tem muito a ver com falta de maturidade.

      A segunda, é “super xóvem” e se a gente entrar nessa onda, nesse pensamento, naturalmente vai criar um bloqueio propositado para a entrega. Falei num dos posts recentes sobre o ‘termômetro’ que a gente gostaria, para acreditar que o outro esteja gostando igual ou um pouco mais que nós para termos garantias. Em outras palavras, querer ter esse controle, pra mim, é besteira. É o ego querendo se proteger de sofrer. Mas também, se bloqueia de viver e se entregar.

      Enfim, se você seguir à risca essas duas regras, no meu ponto de vista, está fugindo dos potenciais sofrimentos. Mas ao mesmo tempo, da entrega de peito mais aberto.

      Talvez a repetição que você se referia seja essa: de eu acreditar no amor/paixão e correr riscos por ele.

      Eu acredito que valha a pena, claro que com a consciência de quem viveu o que viveu.

      Abraços

  4. San bonassa disse:

    Ainda não consegui entender o motivo que leva as pessoas a sofrer por amor.

    É algo tão trivial , possível de se evitar.

    Doença ou perder pai , mãe ou irmão ,são dores inevitáveis na vida .

    Agora amor por alguém que nem seu sangue possui , completo desconhecido até entrar na sua vida.

    Acho tão chato promessa de amor , sabendo que quando acabar nem vão mais se falar.

    Quando não era assumido , sempre quando Algum amigo convidava para Casamento , pensava pra que isso , e recusava todos os convites para padrinho.

    Acreditava que era pelo fato de não sentir nenhuma atração por mulheres, transava com elas apenas para gozar.

    Hoje assumido e depois de alguns namoros , meu vínculo com rapazes é maior realizo alguns laços , nada suficiente para deixar ser levado por amor.

    Acho vida muito curta e tenho minhas dúvidas sobre imortalidade, para perder tempo com um sentimento tal nebuloso e perigoso chamado amor .

    Com certeza sou frio demais.

    1. minhavidagay disse:

      Quando eu terminei alguns de meus relacionamentos, foi natural puxar pra razão, fazer um balanço e, como costumo dizer, “me esvaziar da pessoa”. É comum e natural até a negação, achar que “o amor não funciona”. Nisso, como você já leu por aqui, eu curto minha solteirice na medida dos meus prazeres, sem grandes restrições ou muitos julgamentos do que a sociedade entende como “bonito ou feio”.

      Quando você diz: “com certeza sou frio demais”, a não ser que você seja um psicopata (que eu sei que não – rs), você realmente seria frio. O que eu percebo, Sandro, desde que tivemos nossos primeiros contatos, é o oposto. As críticas que você fez desde o primeiro comentário neste post é recheado de emoção (o contrário de frieza).

      Me parece (e posso estar enganado), que subentende frustrações e decepções que, no final, justificam essa sua “certeza de frieza”.

      De qualquer forma, as pessoas são diferentes e não cabe a mim querer mudá-las. No máximo, conseguimos dar a mão quando a pessoa se mostra precisando de alguma ajuda, com as devidas proporções, claro, para que não se invada a individualidade de cada um, para que não se desrespeite.

      No final, você começou toda essa conversa alegando que eu precisava pensar, para mudar, por ver repetições no meu discurso. Mas me parece que quem (também) não mudou é o senhor! rs.

      Enfim… nós somos a maneira que enxergamos o mundo. Essa minha frase é uma repetição também e continuo acreditando nisso. Se você acredita nessa frieza, ninguém tem o direito de querer mudar.

      Vou ficando por aqui nessa discussão.

      Abraço.

  5. Pedro disse:

    Puxa, não sei por que não deu pra responder acima, mas, então…

    Pois é né, que brincadeira de mal gosto Flávio (rs)…

    Foi uma jogada ousada da minha parte, bom pra ver até onde vc iria…

    Vc joga pôquer?

    Não sei por que mas acho que tu deve ser do tipo que blefa bastante né e ganha ainda (rsrsrs). Eu sou do tipo que paga pra ver (rs).

    Brincadeira. Rsrs.

    Bom como não sei como finalizar, então…

    Abraços!

  6. San bonassa disse:

    Na verdade não era uma discussão.

    Sou muito mais frio do que Emotivo , para mostrar emoção tenho que fazer grande esforço.

    Para finalizar , perdi recentemente uma pessoa muito importante na minha vida , laços de sangue.

    Foi avisado no meio do expediente, em uma sexta.

    Trabalhei o resto do dia normalmente. !

    Sabia que já tinha pessoas suficientes para cuidar dos preparativos e cuidar dos mais sensíveis.

    Foi embora , não passei a noite no velório , voltei para casa e dormi muito bem.

    No sábado participei do sepultamento.

    Depois do almoço foi para praia surfar.

    Já pode imaginar quando isso rendeu de comentários.

    Segunda estava trabalhado , ninguém do trabalho ou amigos distantes ficaram sabendo.

    Eu senti a perda , porém não consegui desmonstrar sentimentos.

    É incrivelmente não fiquei sofrendo por isso.

    Mais eu sei que esse comportamento não é natural.

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