Até que enfim

No final é assim: Cunha, Dilma, Renan, Alckmin, Bolsonaro… todos esses e os outros mais tiveram nossos votos. Talvez não dos meus 700 e poucos “amigos do Facebook” nem dos mais de 700 que passam por aqui todos os dias, mas daquela parcela do Brasil que a gente quer fingir que não existe, que não faz parte do nosso majestoso convívio. País complexo, cidades diversas e interesses divergentes. A gente acha que o Brasil funciona apenas pela nossa ótica. Difícil, rígidos, intransigentes. Por isso tanta gente evita discutir política. Dá um peido que vira briga. Bestas.

São jovens dizendo que o país ficaria melhor se fossem comandados por eles, é motorista achando que pode mais que ciclista, é a minoria achando que toda minoria deve favorecer a si, é pau, é pedra, é o fim do caminho. É cheio de verdades mas nenhuma delas abarca todos brasileiros. É um país incomparável para o bem e, no momento, para aquilo que nos distancia.

Cansei de tomar partido. O sistema político está rachado. A sociedade está super fragmentada e tonta.

Em paralelo as minhas dezenas de manifestações emputecidas na timeline (e no Blog), do lado daqui mantive o princípio de acreditar que a consciência de respeito ao privado, de respeito ao que é público vem de dentro pra fora. Mantive o ritmo na minha empresa; ela passou por diversas mudanças e a peteca não caiu. Graças a Deus também, mas graças a mim e a turma que vem encarando a parada.

O que é realmente a Dilma sair do trono? Alguns meses a mais ou a menos de morosidade? Talvez afunde mais um pouco, mas e daí? E daí que para o pior eu me preparei nesses últimos quatro meses. Que venha uma guerra civil se for o caso, porque até pra isso eu já estou preparado e se tiver espaço vou na linha de frente. Mas é claro, é Brasil: basta alguém levantar o cacetete que a “causa-nobre” perde o foco e jogamos luz no tal do opressor. Ele vira a causa. Desvirtuamos e isso é o que tem pra hoje.

Queremos ser primeiro mundo na hora da pancadaria. Ah-ah-ah, faça-me rir. Nem francês segura a onda! Brasileiro é medroso para cacetete! Mal acostumado também.

Foi difícil para ca-ra-le-o ter que aceitar esse contexto atual e as mudanças relacionadas a incerteza do amanhã, coisa que é a primeira vez que eu estou presenciando com tanta consciência, como dono de bancadinha. Ter que aceitar que a minha timeline, além de divertida e alegre, é mal educada, xiita, carente, autoafirmativa e reativa. É tonta também, numa osmose partidária sem fim (e foda-se se estou sendo arrogante – rs). Jogue na mesa a bolinha verde e a bolinha rosa que, automaticamente e obrigatoriamente, temos que escolher por uma delas para alegarmos que temos opinião! Risível.

Foi difícil de entender que a diferença de classes é o câncer mais agressivo e essa cultura classista está tão entranhada dentro da gente que, numa média, transpiramos as diferenças sem nos dar conta. Mas faço meus esforços aqui e ali para transmitir esses pensamentos.

Bom, estou feliz pelos fatos do dia de hoje. Não porque quero o Impeachment da Dilma, mas quero do Cunha. Estou feliz porque aquele banho-maria no Planalto Central vai esfriar ou vai esquentar. Estou feliz porque a coisa, a energia ou sabe-se lá o quê vai movimentar, vai fluir, vai dar a chance de realmente ir para um brejo mais fundo e fedorento, pra gente aprender (definitivamente) a levantar ou partir para um caminho inesperado que vai mexer com a gente do mesmo jeito. O bom é que igual, igualzinho e chato, cansativo, estagnado, comparativo, babaca e evasivo não vai mais ficar.

Até que enfim.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.