Para que servem os calos

Uma semana que começou diferente

Pensei que a ressaca e as doses extras do final de semana me trariam certo gosto amargo moral. Confesso ter ficado preocupado com meu rendimento na academia, já que é certo que quando se toma umas a mais, tudo que é exercício fica mais difícil. Imagine então com doses de “aditivos extras” os quais rolaram no sábado? Mas deixei acontecer e, para a minha surpresa, o descanso no domingo e o desencargo de consciência registrado por aqui no post “Vida louca, vida” me ajudaram bastante.

Depois que levei um gelo do Tché, percebi que uma amizade colorida não funcionaria muito bem da minha parte. Estava ainda com expectativas, com aquela leve paixão que o colocava em determinado lugar da exclusividade. Mas ele me queria em outro lugar e, nesse impasse, depois de ter reapresentado de maneira muito objetiva, clara e apaixonada o que eu queria e, mesmo assim, ter a sua recusa, pedi um tempo. Um “tempinho” na verdade, apenas para sentir por poucos dias que ele não mais existia. Feita a solicitação, os sentimentos que vieram foram interessantes: parecia que eu estava livre e solteiro. Apesar de não ter formalizado absolutamente nada com ele, eu me sentia em algum tipo de dever e compromisso, totalmente fruto da minha imaginação e do meu jeito de ser, comprometido. Com seu consentimento, ficamos sem falar até ontem a noite. Apenas 3 dias.

Daí, sexta e sábado, a energia tipicamente intensa e na mais nítida expressão de um ariano, se transformou num furor na sexta e, como registrei por aqui, mais forte ainda no sábado. Um amigo que lê o Blog comentou assim: “mas você falou tanto do final de semana, mas só ficou com isso de pessoas?”. E assim respondi: “Oras, e você acha que eu estava na vibe de cair na super orgia da sauna, sem lenço, nem documento, sem saber nomes, apenas no puro e exclusivo desejo? Isso eu fiz nas primeiras vezes para sentir como era. Me dou o mínimo do direito de procurar quem realmente me interessa e, minimamente, ser correspondido”. Saber nome, conversar, é o meu estilo há bastante tempo independentemente do meio. Foi assim com o Raul, foi muito disso com o Maurício.

No domingo, passei o dia inteiro quieto em casa. Coloquei meus neurônios intoxicados para se exercitarem diante do editor do Blog, comi alimentos leves, bebi bastante água, botei para tocar jazz e pop, tirei um belo cochilo, deitei no chão ao lado da minha cachorra para ficar a atazanando e me deixei “panguar”. Eu me sentia “cheio”.

Durante o período vieram uns tremores no celular, denunciando pessoas pelos apps. Nada que eu olhasse, lesse (gosto de ler perfis e quando não há nada escrito, normalmente não me sinto estimulado a escrever) e me motivasse. Cliquei para apagar o celular e papo pro ar de novo.

Até que uma hora, um pouco antes de me encorajar para entrar na cozinha para fazer minha janta, vibrou de novo. Domingo é sempre dia que uma maioria está disposto a se aventurar pelos apps. Fui olhar e “plim”. “Olha só, esse aqui parece ser interessante” – pensei comigo enquanto via a foto, lia o perfil e notava que meninos de olhos claros, “coincidentemente”, estavam atrás desse japonês nos últimos tempos (rs).

O perfil dizia algo assim: “Estou aqui para namorar”.

Logo veio a minha cabeça: “Puxa vida, será que funciona essa objetividade em querer namorar? Comigo nunca foi assim. Vamos ver qual é”.

Papo vai, papo vem e no começo eu já lancei algo, logo após a trivial pergunta “o que você curte fazer nas horas vagas”:

– Olha, vou te falar que tenho sido mais diurno faz um tempo. Curto restaurantes, cinema, passeio e estar com os amigos. Adoro viajar. Mas preciso te dizer que, apesar de não ter mais frequência em baladas, coisa que já fiz bastante, eu vou pra sauna também – ciente que o tema chocaria com o conservadorismo, mas sem muitos receios de ter que “camuflar” essa parte que eu sou.

Durante a conversa, citei também:

– Ah, boa parte dos casais gays que conheço e que estão juntos há 4, 5 ou 6 anos vivem hoje relacionamentos abertos, quando não dão seu pulos traindo seus namorados, coisa que eu acho desnecessário. Relacionamento aberto não é algo que eu ache que tenha que acontecer no começo de um namoro, mas eu não mais descarto depois de alguns anos. Assim, tiramos questões de fidelidade entre o casal e falamos diretamente sobre cumplicidade e lealdade.

E, antes de tudo, mas não menos importante, comentei também:

– Mas, J., você sabe que, apesar de uma predisposição para se namorar, paixão mesmo entre duas pessoas não acontece virando uma chavinha, né?

E foi aí que diante de todas essas minhas colocações, entre outras gerais como as trivialidades da vida, trabalho, família e ser ou não assumido, o menino não se esquivou da conversa. Já estávamos há algumas horas falando por Whatsapp. Trocamos Instagram.

Deu segunda-feira e resolvi deixar um “bom dia”. O dia se passou, tive meu afazeres e a resposta veio bem depois com um “boa noite”. Mas na sequência vieram mais papos aprofundando os temas casuais: trabalho, expectativas, hobbies e assim por diante, num roteiro conhecido de quem se permite usar apps.

Até que em determinado momento o J. lançou:

– Mas então… quando é que a gente vai se encontrar pessoalmente para colocar todos esses assuntos juntos?

– Bem, pelo que entendi, quem tem a agenda mais cheia é você. Como ficam seus finais de semana?

– Ah, sábado e domingo é tranquilo.

– Que tal esse sábado então?

E daí que vai rolar esse encontro com um menino que quer namorar. Eu também quero, só não sei ainda se propósitos assim são suficientes para despertar o encantamento. Até hoje para mim, ou no tempo que tenho consciência, se encantar por uma pessoa, da coisa da paixão, está bem longe de um processo racional, embora as pessoas tenham esses propósitos. De qualquer forma, duas coisas: (1) no mínimo será um momento agradável com um menino que me atraiu e que obviamente a recíproca é verdadeira; (2) me permito a viver a oportunidade de encontrar alguém com objetivos claros de querer um namoro. No mínimo é inusitado! (rs).

Sobre as especulações de dar ou não certo, me reservo apenas aos próximos dias de conversas por Whats até o dia do encontro. A partir daí, de novo, é a oportunidade que me dou para sentir uma intensidade diferente por alguém, algo que sempre me estimulou. Só pelo fato das coisas rolarem assim até agora, a semana começou diferente.

Ok, Flávio… você é movido pela paixão. Aceite.

Medo da coisa não sair do prefácio? Me diga: para que servem os calos?

3 comentários Adicione o seu

  1. Ro Fers disse:

    Amizade colorida, sempre alguém pode sair ferido, ao se apaixonar, visto que o outro lado só pode querer azaração.

  2. Pode ser clichê, mas acho que o importante é viver o momento. Se der certo, ótimo. Se não der também, ninguém vai morrer por causa disso. Pensando assim, conheci meu namorado e estamos juntos a quase nove meses. Hoje não me vejo sem ele. Pra falar a verdade acho que é a única coisa boa que me aconteceu nos últimos tempos.

    1. Robert disse:

      Ah, morre sim, viu? Não aplique seus padrões nos outros não, camarada.

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