Crivella: O Vingador

Prefeito do Rio de Janeiro para quê?

Vamos combinar: a cidade do Rio de Janeiro está quebrada. E aí, Crivella, Vingadores?!

As Olimpíadas de 2016, como previsto pelos mais esclarecidos, seria um rombo no orçamento com a certeza de que o investimento deixaria dívidas. Boa parte das estruturas utilizadas pelo evento estão às moscas, produzindo cenários fantasmas, sub-aproveitadas e sem um destino estratégico até agora.

Os tratos e acertos com os traficantes das comunidades nos morros do Rio estão fragilizados.

Enchentes e alagamentos recentes deixaram dezenas de desabrigados, estradas novamente desabaram. E corre o risco (certo) de acontecer tudo de novo com a chegada do verão.

E o prefeito Marcelo Crivella vai se prestar a criar caso na Bienal do Livro no Riocentro por causa de um (repito, um) HQ denominado “Vingadores: A cruzada das crianças”?

Assunto polêmico, pauta boa para encher as mídias jornalísticas de popularidade e, assim, o efeito do prefeito sai pela culatra: as cenas do romance gay das personagens da HQ, que ele gostaria de coibir a força, estão se espalhando feito purpurina soprada ao vento e caiu por aqui também:

crivella vingadores gay
Tem beijo entre personagens na HQ da Marvel, sim, prefeito Marcelo Crivella!

E mais um pouco:

prefeito crivella vingadores gay

Uma atitude que nem é de esquerda, nem de direita

E antes que os entusiastas polarizados festejem, esse manifesto não se sente representado nem por líderes de esquerda, como – sei lá – Boulos, remanescentes do PT como Haddad, Ciro Gomes ou Manuela D’ávila. Muito menos por representantes da direita que eu dispenso exemplificar.

Esse singelo post representa um movimento orgânico em que eu (tranquilamente) confio: não precisamos acreditar tanto na urgência de um representante, como um presidente (ou tê-lo como justificativa para o nosso bem ou mal), para nos sentirmos seguros e legitimados ou, o oposto, ameaçados. Como pontuado em fatos, em posts correlatos recentes e anteriores a esse, temos outras instituições, STF, artistas, formadores de opinião – incluindo a própria comunidade LGBTQIA+ – em ações e reações quase que espontâneas e imediatas quando um Crivella da vida (um político de baixa qualificação, poderia ser sinônimo) resolve abrir uma sexta-feira chuvosa (pelo menos em São Paulo) para lançar holofotes a si, desse jeito tão “cor-de-rosa”.

O efeito imediato é esse: o HQ que ele queria censurar está se pulverizando devido a natureza da própria Internet, agilizada, em rede. Deixo aqui a minha contribuição.

Ainda que a postura cordial-polarizada-simplória-fatalista deposite fé em homens, outrora Lula ou Dilma e, agora, Bolsonaro, seja como santos ou demônios (a fé é a mesma), a manifestação desse meu post passa longe de qualquer sentido que possa ser atribuído a uma posição partidária.

O meu “não” à polarização talvez seja até mais firme do que o caso. De todo modo, Crivella, Vingadores?!

Não tem coisa mais útil para você fazer como prefeito do Rio de Janeiro?

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