Degraus

Esse final de semana foi bastante oportuno para sentir de novo as minhas demandas pessoais. Como nos últimos tempos a minha atenção e energia ficaram quase que totalmente voltadas à vida profissional, e que agora parece se reconfigurar e tomar novamente um rumo, pude deixar aflorar um tema que sempre foi importante a mim e para uma boa parte dos leitores: relacionamento.

Minhas últimas vivências de “vida louca” somadas ao choque de expectativas na minha empresa, foram suficientes para me colocar em outros trilhos. Sosseguei, forçadamente ou não.

Não poderia deixar passar em branco meu final de semana. Aquele amigo bissexual, com quem estabeleci uma amizade desde o final do namoro com o Beto, me procurou hoje fazendo um convite para que voltássemos à Chilli Peppers. Depois da minha última experiência na sauna, quando permeei a “extremidade” dos meus limites, resolvi dar um tempo. O fato é que toda empolgação sobre aquele receptáculo para o sexo diminuiu consideravelmente. Parece ter perdido o encanto e poderia enumerar alguns motivos para isso, mas o mais relevante é que estou entrando numa vibe em que sauna não parece caber.

O menino insistiu como sempre, disse que iria com um outro amigo – com 21 anos – e que poderia me “compartilhar”. Esse estímulo não foi suficientemente empolgante, sem tirar os méritos físicos do amigo. Pode parecer bobagem, mas a mim, retomar na sexta a noite os capítulos do Walking Dead que deixei “congelado”, depois que terminei um de meus namoros, é bastante sintomático. Estou sossegando, querendo focar, embora ainda esteja incerto sobre o que realmente isso represente (rs).

No sábado, encontrei um dos amigos do MVG “da nova geração” que me acompanhou num almoço, depois no cinema e, a noite ainda, dividiu a mesa para filosofar comigo sobre diversos assuntos, incluindo relacionamentos, quando citou algo que eu já tivesse consciência: “com todo respeito e limites da nossa amizade, você é alguém para namorar”. Já sabia disso, mas ouvir essa afirmação nesse exato contexto que estou vivendo, me ajudou a firmar mais ainda a sensação.

No domingo pela manhã tive o privilégio de ir na “pré-estreia” do Kandinsky no CCBB, exposição cuja produção está sendo realizada pela assessoria de um amigo. Acordei cedo, peguei minha mãe e lá estávamos nós no centro de São Paulo, numa visita acompanhada pelo curador. Era bem perto da Liberdade e, depois da exposição, nos deliciamos num dos restaurantes conhecidos, dia de festa do “Tanabata Matsuri”. Com a mamãe veio também o assunto: “estou aberto de novo para um namoro, mas meio incerto de querer entrar numa ‘função’ só por carências minhas, ou mais, carências de alguém”.

E agora a noite e não menos importante, um amigo heterossexual que é confidente e conselheiro fiel há mais de duas décadas, dividiu comigo algumas horas de lanche do McDonald’s (detonei com a minha dieta hoje – rs) e ele pôde entender o contexto geral das pessoas que estão (ou não estão) “ao meu redor”, sobre as possibilidades e meus sentimentos, para fazer suas “macro e micro análises” (rs).

Um dos critérios que eu tenho para um namoro é bastante claro: não importa em qual degrau um preterido esteja, seja em quesitos financeiros, intelectuais ou de “vivências vividas”. O que importa, a mim e assim como eu, é que independentemente do nível atual dessa pessoa, é que ela não seja acomodada, nem tenha aquele hábito cultural de se fazer de vítima de sua própria condição, e que tenha disposição e coragem para avançar seja nos quesitos financeiros, intelectuais e de vivências, caminhando em seus próprios degraus. Na história das “duas metades da laranja” a pior coisa que pode acontecer (e afirmo isso por “vivências vividas”), é a pessoa me ter como um porto tão seguro e confortável que ela, sem querer, prefira “parasitar” e se acomodar, perdendo o foco de sua própria condição e deixando de olhar para onde quer chegar. Eu preciso ter uma pessoa do meu lado que se desafie e queira avançar, confiando em si acima de tudo, e não se dando ao luxo de ficar muito tempo em sua própria zona de conforto, resmungando sempre dos mesmos problemas.

Até os problemas precisam ser novos para podermos medir que estamos avançando.

Quando falo isso, não digo somente nos aspectos financeiros que é um tema mais claro para a maioria das pessoas. Quando me refiro a “subir os próprios degraus”, cito também intelecto/interesse pelas variedades das coisas do mundo, uma pessoa que se preste a crescer 360 graus, superando medos, revendo condições e contextos atuais.

Essa pessoa existe? Não tenho dúvidas que há milhares delas, assim como há outros milhares que na prática buscam o contrário. Não estou disposto a fazer grandes esforços para encontrá-la ou entrar numa “função” de conquista, como já fiz com três dos meus seis ex-namorados.

Passados alguns turbilhões, estou aberto, novamente, a arte do encontro embora haja tantos desencontros pela vida.

3 comentários Adicione o seu

  1. André Galvão disse:

    Oie, boa noite!

    Faz tempo que não comento nada aqui, porém, não deixo de ler nenhum texto. Cara você está passando por um momento, muito, mais muito mesmo parecido que o meu..
    Após o término do meu namoro que durou por três anos, tive meu ciclo de luto, festas, baladas, sexo, conhecer N pessoas de diversas tribos e afins, porém, como minha terapeuta falava, era apenas uma situação momentanea e que eu de fato precisava passar, até tive um breve pequeno namoro há uns dois meses atrás, porém, não deslanchou e como diversas vezes me foquei no trabalho, alías o trabalho muitas vezes é meu refúgio e me jogo de cabeça rsrs.
    Acontece que eu to numa fase da vida, onde tenho estou cada vez mais avançando profissionalmente, tenho minhas conquistas e me orgulho delas, porém, sinto falta de algo…
    De fato quero conhecer alguém para dividir momentos comigo, conversas, viagens, almoços, barzinhos, churrascos em casa para amigos, um amigo e companheiro, porém, não estou disposto a sair a caça em busca por isso, afinal acredito que as coisas precisam acontecer assim naturalmente, mas assim como vc, uma pessoa que seja pra frente, tenha ideias, queira crescer na vida e seja independente assim como eu.
    Enfim, infelizmente os meus ideiais, não são os mesmos da maioria que me aparecem rsrsrs, eu sempre falo para meus amigos que sou para-raio de malucos ou gente folgada e para isso de fato não estou disposto.
    Bom, quem sabe mais cedo ou mais tarde acaba acontecendo de aparecer alguém assim, o meu problema ou não é que quando entro e como estou disposto á um relacionamento, entro e quero entrar de cabeça, e como digo infelizmente meu jeito romantico de ser as vezes acaba seilá me atrapalhando, mas não deixo de ser quem sou… acho que acabei me desabafando um pouco né?

    Boa sorte para nós… abçs

    1. Felipe disse:

      Faço de (quase todas) suas palavras as minhas. A parte profissional ainda tá caminhando devagar XD.
      Nesse momento também to passando por meu luto e as coisas que acontecem pós-namoro, mas não consigo largar essa vontade de ter alguém do meu lado. E super me identifico com ser um para-raios de gente estranha -.-”
      Ser romântico é foda mesmo, mas enfim.
      Ah, e ótimo texto Flávio.

  2. Não é novidade nenhuma que admiro a sua forma de raciocínio e não novidade que pra você que a PNL tem me ajudado muito a pensar fora da caixinha.
    Em uma das nossas conversas falamos sobre seu critério de que não importa em que degrau a pessoa esteja, desde que ela não faça a linha “mimimi” e tenha sempre a atitude de sair da zona de conforto.
    Feliz porque há pouco tempo via um Flávio tenso, talvez ansioso e hoje um Flávio a todo vapor e sempre em frente!

    Quanto aos encontros e desencontros, estes nos tornam mais experientes e como diz um trecho da música Tocando em Frente:

    “Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
    Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
    Nada sei.”

    Bjo e viva o novo!

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