É o que tem pra hoje

Perguntem a mim como eu penso que será o ano de 2015, pelo menos para aqueles que já geram recursos para as empresas e/ou para o país por intermédio do trabalho, e eu farei a seguinte avaliação:

– O Sudeste passa por uma forte crise hídrica e elétrica, assuntos que já eram previstos e que envolvem os governos do Estado e Federal (quais fossem os governadores ou presidente eleitos). Acontece que se o Sudeste quebrar por causa desses problemas, existirá uma natural recorrência em escala nacional: a maior parte dos ganhos governamentais por intermédio de impostos vêm dessa região, sem falar do PIB. Se o país não quebrar, ficará muito perto disso;

– Haverá um inevitável êxodo. As pessoas não se sustentam sem água e sem energia. Existe algum plano estratégico de relocação dessas pessoas? Claro que não… será aquele esquema “eu e Deus” e a cultura individualista, do “Deus nos acuda” se manifestará, traduzindo claramente a essência de nossa cultura. Vivendo nosso “tsunami seco”, a ausência do espírito de coletividade vai deixar muita gente “surpresa”;

– Não menos importante, em escala nacional, o ministro da economia anunciou ontem alguns aumentos: sobe o IOF para empréstimos, sobe o PIS/Cofins, imposto relacionado a produtos importados e sobe a gasolina e o diesel. Quero só lembrar aqueles que adoram desdenhar as pessoas que utilizam carros, e que pela natureza social preferem ou são obrigadas a usarem o transporte público, que o combustível dos “caixotes coletivos” não é feito de sopros de otimismo. Nesse mesmo contexto, quero lembrar que quase tudo que a gente consome, desde a produtos na gôndola do supermercado a vestuários, tem insumos importados no processo de produção. Ou seja, se a inflação já deu as caras, ela vai começar a formar um sorriso mais largo em breve;

– E por fim, o caos da crítica está estabelecido em nossa sociedade: quase que tornamos o traficante em um mártir, sob o argumento de direitos humanos que, ao meu ver, tem uma raiz profunda em nossa latinidade cristã. Nem nos damos conta. Não damos conta e exercemos um sentido de pátria muito conveniente.

Então vamos lá, estamos falando de potencialidades:

FALTA DE ÁGUA NO SUDESTE + CRISE ELÉTRICA EM SÃO PAULO + AUMENTO DE IMPOSTOS + SENTIDO DE PÁTRIA DA CONVENIÊNCIA

Eis um ano que, potencialmente falando, será de muitas batalhas para quem é brasileiro. A luta tende a ser grande sim.

Certa vez em conversa com um amigo e, mais recentemente, com Meu Japinha, notei um padrão que é materialmente comprovável: enumerei algumas cidades desenvolvidas e altamente civilizadas, tais como NYC, Paris e Tóquio. Clichês turísticos que quase ninguém se atreve a dizer que não tem um nível de desenvolvimento reverenciáveis. Tais cidades fazem parte de países e sociedades que sofreram, durante suas histórias, crises profundas por intermédio de guerras e desastres naturais. Bem ou mal, além dos traumas e condições dramáticas que essas manifestações proporcionaram às sociedades, como as guerras mundiais, a bomba em Hiroshima e Nagasaki, os feitos e desfeitos de Napoleão Bonaparte, a guerra civil norteamericana, entre outras, tais civilizações adquiriram um senso de coletividade e sociedade profundo.

Quem diria que o ataque ao Charlie Abdo movimentaria mais de 3 milhões de pessoas, incluindo líderes de outros países para manifestarem, coletiva e pacificamente, a liberdade de expressão, o “não ao extremismo”? Três milhões de pessoas, de países distintos, é diferente de oitocentos mil fanáticos.

Deus escreve certo por linhas tortas e, as vezes, no percurso que foi a minha vida e é a vida de todos nós, vejo a verdade nessas palavras. O brasileiro nunca, em sã consciência, sentiu a dureza, a escuridão e a escassez do fundo do posso, diferente dessas culturas citadas. No máximo, como sociedade, recebemos alguns cascudos. Dramas profundos, entre pais e filhos, vizinhos, amigos e colegas… ah, não sabemos o que significam, a não ser de forma pulverizada pelo “pequeno país” que é o Brasil.

Nossa história, de formação, começou debochada e cheia de gracejos desde o começo. Sabe aquela coisa dos donos das fazendas traírem suas esposas comendo as escravas? Então… ao contrário dos EUA ou até mesmo da Argentina, permitimos a escravidão de pessoas em detrimento a outras pessoas, por décadas. Virou cultura, cultura essa que se manifesta até hoje nas sutilezas da vida moderna como citei no post “A luz de velas”.

Sou daqueles que aprendeu que a gente cresce somente com tombos, ou melhor, que a gente realmente amadurece dando a cara para bater, bem dada. A nossa sociedade, com um pouco mais de 500 anos, é um bebê birrento, arteiro e “esperto”. Somos naturalmente individualistas e desrespeitamos os limites do público e do privado sem nos dar conta. Não temos zelo a nada ou quase nada e vivemos a cultura de “quem tira mais proveito”.

Todas essas referências e muitas outras, se adquirem quando nos permitimos sair dessa grande caixa de papelão. Em outros lugares, sim, funciona bastante diferente e creio que se é “bom” ou “ruim” já está implícito no discurso desse texto.

Por um lado pode ser fatalista, mas talvez seja o momento da “criança” levar uma bem dada para não se esquecer jamais.

Dica: façam suas reservas financeiras ao máximo. Não custa prevenir.

Falei de fé recentemente e acredito muito nisso. Mas racionalidade, nesse contexto, será (também) no mínimo sensato.

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