Ele não faz meu tipo

Parece até besteira ou algo óbvio para falar, de que adultos ou jovens gays definem seus interesses a outro adulto ou jovem gay pelo tipo físico, quando não pela preferência racial, dando até certa luz ao preconceito. Em outras palavras, não é porque somos gays que não elegemos paqueras, peguetes ou namorados pela atração (inicialmente) física.

Durante minhas experiências na sauna, notei um coportamento que me chamou atenção, embora de minorias, e acho que é por isso que uma afirmação como essa, “homens gays também escolhem com quem flertar pelo tipo físico” deve ser reafirmada. Em ambientes como a sauna, a exceção de diversas vantagens sociais as quais já expus por aqui sob o meu ponto de vista, o sexo pelo sexo é uma realidade. Quem quiser ficar e transar, terá a inevitável correspondência. Mas com quem?

Será que realmente tanto faz, para o gay, quando o assunto é sexo?

Acontece que notei em alguns casos, quando alguns caras abordavam outros e tinham a recusa, um tipo de tratamento escrotal assim: “deixa de frescura, vai ficar selecionando?!”. Tal comportamento me fez levantar a hipótese de que existem homens gays, conduzidos exclusivamente pelo desejo, que se sentem totalmente à vontade (mesmo que deixe isso reservado a sete chaves em seu cotidiano) de transar com qualquer outro cara. É válido e até plausível que existam gays que pensem e sintam assim: “curto homem e não tenho frescura quanto ao tipo na hora da transa”. Muitas vezes em banheirões, é esse formato de “transa não-discriminatória” que se estabelece: “tendo pinto, estou pegando”. Por um lado, não-discriminatório. Por outro, promiscuidade.

O fato é que tal comportamento homossexual não define os homossexuais. Define certo comportamento “animalesco” de algumas pessoas. Penso que seja a minoria de homens que curte sexo com outros homens, incluindo gays, que foque tanto no ato sexual a ponto de desprezar o tipo físico.

É importante afirmar por aqui, no MVG, que uma maioria dos homens gays seleciona, na mesma medida que qualquer ser humano faz para a escolha de seus parceiros (seja apenas para ficar, para sexo ou para um relacionamento). Humanos, a primeira etapa tende a ser a atração física. Há quem prefira gordinhos, ursos, negros, orientais, magros, loiros, baixos, altos, sarados e assim por diante, em um mix de preferências. Mas como qualquer indivíduo que é total, maneiras de pensar, comportamentos, posturas e intelecto também levam ao que chamamos de atração e desejo, algo que faz o apelo físico perder a relevância quando a ideia é sair do prefácio. E podem ter certeza que a incompatibilidade de posturas, comportamentos e intelecto brocham igualmente!

Mesmo assim, no prefácio, ou seja, no ato de ficar ou transar, a grande maioria dos gays seleciona com quem praticar. Você seleciona e outro fará o mesmo. Claro que, em um mundo cujo culto à estética tem se exacerbado, alguns tipos físicos chamam mais atenção do que outros. Mas não é precisamente disso que estou me referindo e acho que tal tema pode ficar para outro post.

É normal notarmos o belo que nos atraia sexualmente e de formas diferentes. Tal ideia distancia o gay da definição de que ele, perante o sexo pelo sexo, topa qualquer parada. Há aqueles que topam, na hora do tesão. Fazem parte, sim, desse mar de psiques, vontades latentes e fantasias. Mas como citei no começo do post, tal comportamento não define o gay. É bom sempre lembrar.

4 comentários Adicione o seu

  1. O conceito de belo é construído em sociedade, assim como vários outros padrões estéticos aos quais somos bombardeados diariamente por exemplo na grande mídia. Adorei o seu post pois questiona a aceitação não só da escola e do livre arbítrio mas da reprodução de padrões sem a reflexão crítica destas informações. Aliás gays já são uma exceção a regra por si só e estamos aqui pra provar que não somos piores nem melhores que ninguém por este fato em si.

  2. Rodolpho disse:

    As maiores incompatibilidades aparecem quando a intenção é sair do prefacio (como citado no texto).

  3. Pedro disse:

    Particularmente, acho que essa história dos tipos não passa de mais uma daquelas “caixinhas” que precisam ser desconstruídas e desmistificadas.

    Na Grécia Antiga, onde o culto à beleza física e intelectual era uma obrigação masculina, inclusive para o Platão, que além de Filósofo era um exímio Atleta. Mesmo naquela época, muitos jovens gregos, segundo os relatos, morriam de amores pelo Sócrates, que era considerado um homem feio, mas mesmo assim tinha muitos amores, porque os caras se apaixonavam não pelo aspecto físico, mas pela elegância intelectual que ele detinha.

    Acredito que ele não fosse o “tipo” de ninguém, mas por outras qualidades ele conquistava o amor dos mancebos atenienses. Inclusive ele tinha o amor do mais belo de todos os jovens de Atenas, o belo Alcibíades, também chamado Alcebíades, mas ele prontamente rejeitava todas as investidas do jovem rapaz.

    É claro, que isso só aumentava o desejo, esse tipo de coisa só aumenta o desejo de obter aquilo que não se tem, Alcibíades fez de tudo até dormir com Sócrates, o velho feio, ele fez, mas nada aconteceu. No final do livro “O Banquete” é revelado que Sócrates o amava mas de outra forma.

    Acho que esse tipo de relação platônica masculina guiou a sociedade européia cristã anos mais tarde. Tanto que a amizade “virtuosa” entre homens sempre foi incentivada, desde que não houvesse intercurso sexual. Os Brasileiros assim agem até hoje, e esse tipo de amizade se reflete nos “Bromances”, “G0ys”, dentre outros tipos de envolvimento afetivo masculino, que recusam e rechaçam a homossexualidade.

    Inclusive a expressão Amor Platônico é proveniente desse livro de Platão que eu citei, chamado “O Banquete”, nele ele define o amor de uma forma muito rica e interessante, que o amor quando se realiza deixa de ser amor, porque o amor só existe se houver o desejo de se ter aquilo que não te pertence, ou de persistir a ter aquilo que você tem, que poderá perder a qualquer momento.

    Enfim, falei demais, enquanto não deveria, mas serve pra ilustrar um pouco a questão. Mas o que eu queria mesmo dizer é que essa história de “tipos” e tudo mais tá ficando tão séria, que daqui alguns anos os caras vão acabar criando novas orientações sexuais pra enfiar tantos “tipos”.

    É claro que o aspecto físico importa muito, infelizmente, e se deixar levar apenas por características físicas é muito foda. Particularmente eu hoje, não considero mais tanto o físico, mas os interesses em comum são muito importantes, embora seja legal que o cara tenha certas características que me deem um certo tesão, porque senão não rola.

    Não sou do tipo Fast-foda, não quero ser assim e não serei provavelmente. O que eu procuro com homens é totalmente diferente, é claro que envolve sexo, mas se for só sexo é difícil, pra mim o que é mais importante é o envolvimento, a parceria, a compreensão, o cuidado, a atenção, esse tipo de coisa que eu valorizo e curto numa relação masculina, sexo tanto com homens, quanto com mulheres, ou qualquer outro tipo de classificação de gênero, fica pra mim em último lugar. Afinal é só um detalhe, não é o que comanda minha vida.

    Infelizmente as vezes rola a atração mas não rola o compartilhamento de ideais, isso acontece mais em relação aos homens, no meu caso, outras vezes rola uma troca de ideias legal, mas não rola atração física, isso acontece muito comigo em relação às mulheres, rola uma atração de ideias mas no físico eu brocho. Isso que é foda, difícil é combinar as duas coisas numa pessoa só.

    Como disse o Gil em Retiros Espirtuais: “Você há de achar gozado ter que resolver de ambos os lados de minha equação, que gente maluca tem que resolver…”.

  4. Julio Santiago disse:

    Sim, eu fui algumas vezes numa sauna, realmente é um lugar deprimente. Já faz dois anos que não apareço lá, cansei, e assim é melhor. Uma vez eu fui lá, alguns rapazes estavam lá. Vi um cara muito atraente, mais forte, com cavanhaque, e começamos a nos pegar, mas percebi que ele era dominador, e me deixei levar por ele. Nossa, foi até bom, até o momento em que ele começou a penetrar, e comecei a ficar aflito. O cara penetrava violentamente, não aguentei mais, e daí ele percebeu meu medo, e começou a ser carinhoso, mas foi por pouco segundos até o momento em que ele me pegou de jeito para fazer o fisting (enfiar toda a mão no ânus)….afff…. como ele era mais forte, fiz tanta força para me livrar dele, eu poderia ter gritado, mas temendo levar uma surra ali mesmo, não gritei, apenas me livrei dele e saí dali correndo. Cara, não dá mesmo. Se tem gente que adora o fisting, não tenho nada contra, mas eu jamais pensei neste tipo de sexo. Outra vez eu fui, e fiquei lá deitado numa cama, tranquilo sem pensar em sexo, apenas curtindo o momento, e de repente veio um rapazinho, e começou a me bolinar, e deixei ele fazer isso. Foi bom sim, depois ele sendo passivo cavalgou no meu pênis, mas não durou muito,levantei-me e sai dali. Entrei num banheiro e masturbei. Tomei um banho e fui embora. Gente, o que eu estava caçando na sauna?

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