Escravidão

Laurentino Gomes

Interessantíssima a entrevista do jornalista Laurentino Gomes, escritor da obra atual “Escravidão”, livro que traz um olhar mais nítido e real das nuances da vinda dos negros ao Brasil.

Seguindo a minha “tese” e reflexões atuais sobre “raízes dos problemas de nosso país”, o ponto alto da entrevista veio de um detalhe semântico: hoje, a palavra escravo está diretamente associada aos negros. De certo, em tempos atuais, “escravo” ganhou sentidos diretos, quase que exclusivos, ao africano que foi arrancado de sua terra e trazido às Américas.

O grande lance é a origem da palavra que, novamente, dá contornos a cultura latina que tenho analisado: escravo vem de “slave”. Slave vem de “Eslavo”.

O povo Eslavo, habitante do Leste Europeu, era branco, normalmente com olhos azuis e foi a principal parcela de seres humanos escravizada por – nada mais, nada menos – que os Romanos.

Romanos, que fique claro, são os ancestrais diretos dos italianos, portugueses, espanhóis (e franceses. Sim, franceses também são descendentes diretos).

Ironia latina

Ironicamente, milênios depois, são os descendentes diretos dos romanos que perpetuaram a escravidão no Brasil (na América Central e América do Sul, para ser mais abrangente) durante a época das colonizações exploratórias e que, hoje, (seus descendentes, talvez você, leitor do Minha Vida Gay) relutem (em boa parte) a aceitar as condições desiguais que existem por aqui, decorrente (também) de uma libertação tardia (o Brasil foi um dos últimos países das Américas a proclamar a abolição).

Caetano Veloso fala da necessidade de uma “segunda abolição”. Tirando as cores metafóricas do termo, tirando o fato dele ser de “esquerda de carteirinha”, é algo em que acredito, fosse o povo negro escravizado, bege, lilás ou verde. Fossem os mongóis para a China, assim como os Eslavos, brancos de olhos azuis, para os Romanos.

Independentemente de eu ser de esquerda ou de direita (mas dependente do quanto os valores e morais Cristãs estejam impregnados na coluna vertebral de um indivíduo, com ou sem consciência) – mas independentemente e eu ser de esquerda ou de direita, reforço – foi assistindo o filme Lincoln, de Steven Spielberg, que eu compreendi os detalhes de quanto a desigualdade social está diretamente relacionada ao enfraquecimento econômico e político de um país.

Anos depois, para fortalecer essa ideia, Yuval Noah Harari trouxe de maneira simples e didática a relação da desigualdade social com o enfraquecimento (quando não o extermínio) das grandes civilizações no passado.

Desigualdade é causa e não consequência

Em outras palavras, a desigualdade social não é a consequência de uma economia fraca e de um governo sem habilidade. É ao contrário: enquanto existe desigualdade em uma sociedade, um país não avança.

A China, líder do Tigre Asiático nas últimas décadas, está aí para traduzir. Lembrando que, reduzir a desigualdade não quer dizer exterminá-la de uma vez. Mesmo porque eu acredito que, no momento em que o Sapiens resolveu abandonar a vida nômade e seus pequenos grupos para criar as sociedades, ele conclamou a indissociável desigualdade. Assim, a mim, quando o homem resolveu se agrupar para, primeiro, construir impérios e, hoje, sociedades modernas, jamais teremos uma uniformidade total.

Porém, reduzir a desigualdade é, basicamente, achatar a pirâmide a ponto de todo indivíduo de uma sociedade ter os mesmos direitos de acesso ao conhecimento, moradia, saúde, saneamento, educação, trabalho, bens de consumo, outros; algo que, embora também de raiz escravocrata, acontece em outro patamar, com outras nuances, nos EUA.

Deixo aqui o registro da entrevista de Laurentino Gomes no programa Roda Viva. Ele também cita a inevitável igreja Cristã que, naqueles tempos, compactuava com a escravidão da mesma forma que os demais poderosos latinos-cordiais a época:

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