Estou querendo sair do armário. Por onde começar?

O sensível limite entre o armário e a vida fora dele

Nos 60 meses de Blog Minha Vida Gay, projeto pessoal longo e muito prazeroso, tive acesso a muitos casos de gays “dentro do armário”, conscientes de sua realidade sexual, mas temerosos para saber como lidar com tudo isso, consigo e perante as pessoas mais próximas.

Ao contrário do que podemos pensar, de imediato, não me refiro a apenas os jovens gays, de 14 a 20 e poucos anos de idade que vivem uma natural etapa de busca de uma identidade sexual, questões de puberdade e etc. Me refiro a gays acima dos 28 anos, perpassando pelos 33 e ultrapassando os 40 anos. Estes, muitas vezes, constituindo a “trilha” de uma cartilha heteronormativa, incluindo namoros com o sexo oposto, quiçá casamento e filhos. Tal perfil não é raro e tive o privilégio de estreitar contato com algumas dessas pessoas.

Quando não com filhos, “casados” com a profissão ou com alguma ideologia, como a religião. “Casados”, as vezes, com a própria solitude.

Seja por motivos geracionais, quando os gays viviam mais repressão no passado, numa época em que ser um jovem gay era mais dificultoso do que hoje, seja por questões de repreendas familiares (do jeito de falar, andar, dos gostos e das brincadeiras enquanto criança, “configuradas” para o gênero feminino), seja pela cultura ou pelo próprio autopreconceito, ou por um pouco de tudo isso, a mim existem justificativas palpáveis para que muitos gays, acima dos 28 anos, perpassando os 33 e ultrapassando os 40 anos estejam hoje no limiar do se aceitar melhor como tal.

Me refiro aos gays porém ainda “trancados” em alguma medida: aqueles que, na íntima e quase que silenciosa consciência, sabem que seriam plenos para desenvolver uma relação afetiva, social e sexual com outro do mesmo sexo mas, diante as mais diversas dificuldades (ou aquilo que entendem como dificuldade hoje, seja perante a família, grupo social, entorno profissional ou uma própria insatisfação pessoal) permanecem num tipo de fantasia que nega ou reduz a própria homossexualidade.

Quando se é jovem, já é difícil viver dentro de um armário. Como será, então, a vida no mesmo recinto tendo dentro a namorada ou a esposa, ou filhos, ou um perfil de trabalho considerado mais machista e conservador? Como é viver no armário, ser gay e ainda se passar por heterossexual nas diversas circunstâncias sociais que pedem para apresentarmos a nossa orientação?

Mesmo com todo incentivo midiático, com os estereótipos colorindo os diversos meios e o próprio acesso a Internet que, igualmente, faz o MVG chegar aos olhos desse perfil de leitor, muitos gays espalhados no Brasil e no mundo vivem conflitos ou confusões entre a realidade atual da vida e o fato de serem gays.

Como lidar? O Blog MVG é considerado, inclusive pelos próprios leitores que aqui frequentam há meses ou anos, um meio referencial descolado do lugar comum. Isso se dá, talvez, pelo fato de eu – Flávio – entender a vida com um bom desprendimento das “caixinhas” ou, ainda, por ter facilidade em transitar em diversas delas sem a energia de um julgamento dentro de mim, aquela que invariavelmente me provocaria sentimentos reativos e a reação pre-con-cei-tu-o-sa.

São 5 anos, mais de 1,3 milhões de leituras e mais de 1.000 visualizações por dia. Embora seja um número expressivo para um único Blog com “textão”, ausência de imagem e um papo até que muito cabeça, estou falando de pessoas, curiosos ou interessados que formam um grupo particular.

Como terceira evidência do meu novo projeto que deve ter início em agosto, tenho como objetivo – na medida da discrição e da atenção individual e particular de cada um que se aproximar de mim – orientar e oferecer mentoria (também) para que o perfil gay relatado neste post (e somente aquele que sinceramente deseje por uma orientação) tenha algum tipo de contribuição no ato de aceitar melhor a própria homossexualidade diante seu entorno. Como lidar? Taí uma pergunta cuja resposta fará parte de meu novo projeto, não de maneira genérica como faço por aqui, mas entendendo a situação, caso a caso.

Não são todos os gays que se sentem preparados para um apoio (definitivo?) para a saída do armário, mediante as diversas variáveis de sua vida. A intenção não é e nunca será obrigar ninguém a isso. Mas aqueles que estiverem dispostos a enxergar melhor a luz, que não seja pela fechadura ou por uma fresta do closet, terá comigo (profissionalmente) opções para isso.

Quero transformar o projeto despretensioso que realizei com “Matheus”, “Tiago”, “Fernando” e “Ericota”, como pode ser ouvido na Rádio MVG, dentre outros que se corresponderam via e-mail de longa distância, em algo frequente e profissional. Mentoria, a princípio, me parece o melhor conceito para abarcar toda essa nova ideia.

Está aí mais uma evidência para quem se prestou a ler até aqui e um motivo que me parece adequado, agora, para eu “dar as caras” depois de 5 anos. =D

PS: O Blog Minha Vida Gay continuará aqui no mesmo lugar e da mesma forma. Provavelmente, muito mais rico daqui pra frente. :)


coach-de-vida-gay

Sou Mentor e Coach para o público gay e relacionados: pais, irmãos, amigos, entre outros e desde 2011 matenho o Blog MVG como meio de referência, trocas e vivências. Gostaria de uma mentoria ou coaching? www.lifecoachmvg.com.br

6 comentários Adicione o seu

  1. Você vai cobrar por este serviço? Terá uma taxa para quem quiser se dispor dele?

    1. minhavidagay disse:

      Oi Danilo! Tudo bem?

      Sim, como projeto profissional, haverá um valor pelo serviço. Ainda estou formatando. Tenho que tirar um certificado para minha qualificação, que acontecerá agora, no final de julho. Logo mais trago novidades :)

      1. A sua certificação é em Psicologia?

      2. minhavidagay disse:

        Ah, é segredo ainda :)

  2. emi disse:

    Parabéns e muito sucesso nessa nova fase !!! Espero que a mentoria, quiçá presencial, um dia seja uma realidade pra nós de outros estados . Grande abraço !!!

    1. minhavidagay disse:

      Obrigado, querido! Terei boas surpresas para vocês, leitores que vivem em outros estados! :D

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