Fantasias do meu mundo

Minha visão dos melhores dos mundos

Sigo uma das máximas filosóficas de René Descartes: “penso, logo existo”. Básico e não tenho problemas por gostar de pensar…

Minha visão sobre a existência, em solo nacional, aponta para muitas transformações, seja sob a influência do fato de eu ser gay ou, simplesmente, por ser um pensante.

Captando as opiniões aqui e ali de seus alunos, jovens na faixa dos 17 anos, meu namorado me trouxe indícios de algo que para mim faz sentido há bastante tempo, contido no universo de minhas reflexões e, por vezes, deve ser uma medida um tanto emergencial: a necessidade da conscientização e importância do controle da natalidade.

Controle de natalidade

As políticas e ações de sustentabilidade, de maneira sistemática e global, se estabeleceram nos últimos (e aproximados) 20 anos. A última da vez, que atinge o cotidiano da maioria das pessoas, foi a troca de canudinhos de plástico por outros tipos de materiais menos prejudiciais ao meio ambiente.

Antes, já foram as latas de ferro de refrigerantes, substituídas por alumínio. Antes, foram os copos e embalagens de isopor que deram espaço ao papelão e papel reciclado. Ou quem sabe as sacolas de plástico dos supermercados que agora são biodegradáveis.

Coleta seletiva de lixo, uso racional da água e energia e assim por diante, fazendo hoje muitos jovens serem verdadeiros auditores no cotidiano.

Porém, depois desses 20 anos de sociedade, sendo que estou nessa terra há 42, vou chegando a conclusão que o controle definitivo – para a sustentabilidade do planeta – não são dos dejetos que o ser humano descarta como lixo, mas sim, do próprio ser humano.

Daqui a mais 5 anos, até os canudinhos modernos se tornarão insustentáveis se a quantidade de indivíduos no planeta continuar avançando.

Saber que uma juventude na faixa de 17 anos pensa hoje em um controle de natalidade como um tipo de solução para a própria sustentabilidade, me deixa com certa consciência tranquila. Me sinto menos “culpado” por achar que o mundo anda muito populoso e que as “famílias dorianas” fabricam descendentes só para cumprir a tabela da primitividade, sem se dar conta.

Família Doriana

O ser humano, diante dos impulsos primitivos e ancestrais de perpetuação da espécie, continua a reproduzir-se em grande escala, principalmente em países subdesenvolvidos como o Brasil, embora a taxa de natalidade tenha diminuido mundialmente, a partir dos países menos populosos, territorialmente menores e desenvolvidos.

Pensa se os casais que lideram a “Família Doriana” – da baixa, média ou alta classe social no país – refletem sobre a ideia de controle de natalidade na hora de ter seus filhos? A cultura familiar heteronormativa não quer saber disso. A filha mais velha vai querer casar logo para ter um filho antes das irmãs. A sogra vai cobrar um neto. O sobrenome tradicional da família vai esperar ansiosamente por um herdeiro que carregue o mesmo título. O projeto de pai vai querer um filho para torcer para o mesmo time.

As técnicas de fertilização vão aumentar a incidência de produção de gêmeos.

Há quem pense em ter filhos para garantir algum suporte e conforto (emocional e mateiral) na velhice. Ou até mesmo hoje, projetando expectativas e frustrações na criança de maneira excessiva.

Quando o assunto é filho, a maioria ainda é baita conservadora (da espécie). Seja esquerda, seja direita.

E assim, o bicho homem, o tal do ser humano, vai cumprindo – com as estéticas e formas de século XXI – as ânsias de nossos ancestrais primatas.

Eu torço, com legitimidade, para que esses jovens de 17 anos que se manifestam na calada das salas de aula do ensino público, alheios as vistas (por exemplo) de 99% de meus amigos que hoje seguem a tradicionalidade em sua maioria, realmente iniciem um ponto de virada, colocando a consciência da taxa de natalidade como critério para lançar, ou não, novos seres humanos nesse mundo.

Preconceito racial

Embora japoneses em solo brasileiro, latino e cordial sofram uma série de preconceitos desde a servidão nas lavouras, com os primeiros imigrantes vindos em 1908, não entrarei aqui em linhas de auto-defesa. Falarei da população negra, em tempo de Consciência.

99% dos meus amigos brasileiros, latinos e cordiais casaram-se com outros brancos latinos ou brancos de outras origens.

Na comunidade gay, para quem frequenta ou frequentou, é sabido que negros, asiáticos (e “latinos”, aqueles com fisionomias de mestiços com negros, índios e os próprios latinos originais) são categorias fetichistas em sites de pornografia. Não existe uma seção “brancos” nesses sites.

Quantas vezes não ouvi a frase: “me relaciono normalmente [para amizade], mas não me atrai”? Taí uma expressão normatizada, culturalmente aceita mas que a mim determina parte do preconceito racial no Brasil.

Para meu desencargo de consciência, meu namorado é branco e poderia dizer que sua fisionomia e postura lembram a de um “inglês”, algo vindo de algum trecho do DNA do pai. Mas sua mãe é mestiça (de negros, espanhóis e portugueses) e sua avó mais negra ainda. E para um pouco mais de desencargo, meu ex-marido era negro e meu ex-namorado, cujo relacionamento foi o mais longo até o presente momento, tem claramente traços físicos originados em solo africano.

Frequento (ou frequentava?) grupos em sua maioria da esquerda (jurássica) do PT. Do que hoje eu julgo, sem grandes pudores, de “esquerda caviar”. Pergunte se a grande maioria deles tem pares negros ou mestiços, claramente com traços africanos? Ainda, alguns fazem luzes e tingem o cabelo de loiro. Alisam.

Alisam a consciência e é fácil ter discursos inclusivos deixando a própria conta em aberto. Conta a se pagar desde a ancestralidade latina e branca que, supostamente, estuprou a negra em tempos de escravidão.

É desse tipo de ar que, sinceramente, me fartei. Quando o assunto é a Consciência.

Renascimento

Em um post bastante antigo, não me lembro qual, fiz uma crítica aguda sobre o movimento do Renascimento que, na maioria das vezes, nos trazem em aulas como uma era iluminada. Renascentismo > Itália > Latino (olha o cordial novamente), estes que, se por um lado materializam legados da humanidade, como as invenções e obras de Da Vinci e Michelangelo, por outro, materlaram na cabeça do ser humano que Jesus Cristo tinha cabelos claros e era branco.

Martelaram na cabeça do ser humano um apreço estético por corpos musculosos e definidos, por uma gama de beleza que, até hoje, determina os modelos na passarela e a publicidade no Ocidente.

Desse período de luz, jamais tiraria os méritos históricos e de legado do ser humano, como disse. Obtivemos avanços técnicos e uma ampliação de conhecimento definitivos das artes, literatura, medicina, matemática, química, física, astronomia, outros.

Mas nem tudo que reluz é ouro e não poderia deixar de lembrar que Da Vinci e Michelangelo, assim como todos os grandes artistas, cientistas, técnicos e exploradores daquela época, eram financiados por mecenas politicamente aliados aos reis. Estes últimos, por sua vez, eram acompanhados há milênios pela igreja Cristã que nunca (e repito, nunca) se manteve distante dos poderosos de cada tempo, a não ser algumas discretas vertentes, como talvez os franciscanos.

Esses pilares estéticos, frutos desses mesmos conglomerados de poderosos, são referência de superioridade, saúde e “luz” em pleno secúlo XXI. Pouquíssima coisa mudou.

Mas até quando?

Penso que enquanto o ser humano não notar sua pequenez, desprendida do ego e do antropocentrismo, jamais vai assumir seu estado primitivo. Mediante ao tempo de nossa existência no planeta, estamos muitíssimo próximos do ser mamífero que nos originou, dependente, assustado, temeroso, necessitado da procriação, fofoqueiro, da parte vulnerável da cadeia alimentar e, como já disse, muito distante de qualquer estado evoluído que um dia possamos nos tornar.

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