Faz tanto sentido

Será que para desenvolvermos nossa espiritualidade precisamos, obrigatoriamente, escolher uma religião, seguir alguma vertente e frequentar alguma instituição?

Espiritualidade, em diversos níveis, é tratado em um contexto social e não seria diferente para quem é gay. Resolvi tratar sobre o assunto hoje, em um domingo, depois de voltar de uma “sessão espiritual” com a minha guia, alguém que conheço há mais de uma década e que tenho como uma conselheira e orientadora de espiritualidade. Normalmente, a encontro uma vez por ano. Em 2015 valeu um segundo encontro hoje.

– Sabe, Inês, lembro que lá atrás, das primeiras vezes que eu vinha me consultar, era muito comum você me dizer que eu era uma “esponja” e, sem querer, acabava pegando pra mim a energia negativa que paira por aí, entre as pessoas. Mas hoje e já faz algum tempo, parece que eu aprendi a formar meu escudo e não sinto mais que as energias ruins das pessoas me atingem.

– Você não só aprendeu a ter esse controle, como você em pessoa passou a ser o próprio escudo.

– Então, como eu imaginava, é possível a gente desenvolver nossa espiritualidade sem necessariamente frequentar uma igreja ou seguir uma religião, não é? É possível a gente evoluir a nossa espiritualidade por si só…

– Claro que sim. E isso é também algo seu. Vejo pelos Orixás que você, faz tempo, vem buscando se bastar materialmente, emocionalmente e, inclusive, espiritualmente. Vou te falar que se você, sem papas na língua, morresse hoje, voltaria em algum outro plano mais evoluído. Como já falamos, você encarnou aqui muitas vezes. Seu espírito é antigo e, ainda jovem hoje, já cumpriu muitos aspectos espirituais por aqui.

– Você vai falando essas coisas para mim e vai fazendo todo sentido. Sentido ou intuição mesmo, porque não é algo que eu consiga racionalizar ou entender de forma lógica.

– Sabe Flávio, estou sempre acompanhando as coisas que você escreve no Facebook. Nem sempre eu curto tudo porque tem coisas lá que acho que é muito íntimo, não preciso curtir. Mas a fotinho do perfil que você colocou do desenho, do menininho com jeito de guerreiro… é aquilo mesmo: eu vejo aquela foto, vejo o que você escreve e noto o quanto você amadureceu, está mais centrado, sem descartar sua personalidade de bravura – comentou a Inês sobre a foto do Goku (do Dragon Ball) ainda criança e com cara de bravo (rs), foto atualmente do meu perfil.

– Engraçado você falar sobre essa foto. Porque pra mim, sempre que coloco no perfil, tem um sentido de “carracanca”, sabe? Para afugentar os maus espíritos pois o desenho tem um monte dessa simbologia, de acabar com aquilo que faz mal, mesmo que, as vezes, de forma mais agressiva. As pessoas confundem uma conduta mais firme com baixa espiritualidade. Mas é justamente o contrário. Uma postura muito de “paz e amor” é, na maioria das vezes, fuga e escapismo. E eu sinto mesmo que de alguma maneira eu tenho desenvolvido a minha espiritualidade…

– Está aqui nos Orixás: você já reparou quantas pessoas você já ajudou nesse tempo? Amigos, namorados, colegas de trabalho, transcendendo a amizade, o namoro e o profissional? É isso que alimenta o espírito, sem ter que entrar numa doutrinação, regras, leis ou valores.

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– Esse foi um ano morno para mim. Aconteceram muitas coisas boas, mas muitas coisas que fugiram do meu controle e tenho exercitado bastante o meu desapego. Como sou ariano, esse estado medíocre é um saco! rs

– Foi seu ano de inferno astral porque o planeta que regeu foi Marte, o planeta regente do seu signo. Ano que vem é o Sol que rege, algo muito bom para nós (refererindo-se aos signos de fogo: Áries, Leão e Sagitário). Mas 2015 foi um ano de chove mas não molha para um Ariano, de um “vai-não-vai”, “cai-não-cai”… mas todos esses ajustes, saídas e entradas de pessoas na sua vida foram necessários para uma longa jornada de sete anos a partir de 2016. E os Orixás são claros aqui: não há obstáculo na sua vida que você não supere. E você sabe disso (rs) e sabe que seu espírito protetor não vai deixar cair a peteca.

– Eu odeio esse estado (rs). Mas eu sei disso e sei do espírito protetor. Não só você, mas umas outras duas pessoas com certa mediunidade descreveram essa entidade que me protege: um espírito velho, guerreiro, por vezes se materializando em uma imagem de viking, as vezes de kimono como um samurai…

– Sim, todas as vezes que você me encontra eu o vejo. Teve uma vez que o vi primeiro e depois vi você! Até levei um susto (gargalhadas). Ele tem dedos finos e leva um anel no dedinho. Tem um símbolo nesse objeto, mas não sei bem o que é… talvez seja uma estrela…

– Engraçado… você vai descrevendo esses detalhes e, de novo, faz todo sentido pra mim.

– Flávio, daqui a pouco você pode tomar o meu lugar (rs). Você sabe que pela conduta de vida que assumiu e por tudo que tem feito não tem como sua vida entrevar. Sua missão aqui não é encontrar a “cara metade”. Claro que você vai namorar bastante porque faz parte de quem você é, inclusive, ajudando a abrir caminhos para seus namorados sem mais carregá-los no colo! Vai namorar porque, mesmo bastado, você gosta de uma boa companhia. Sempre que você vem aqui é um prazer e a gente tem troca, não porque – como a maioria – precisa de um safanões ou conselhos, mas é um prazer por causa da troca com a sua energia.

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O fato é que, faz algum tempo, a Inês já sugeria que eu não precisava mais de seus aconselhamentos. Ir até ela tem sido hoje uma maneira de autoafirmar aquilo que, pela intuição e sensações, já me fazem sentido. Ela não deixou de citar o Blog MVG, quando afirmou que eu já consegui instrumentalizar um meio muito mais amplo e acessível para exercer a minha própria espiritualidade. Ela mesma diz que, graças ao MVG, eu encontrei um canal eficiente para levar certa paz e luz para a maioria daqueles cujas palavras soam com sentido e que consequentemente aceitam as minhas referências de vida para superação de suas diversas questões.

Falou ainda que graças ao Minha Vida Gay, eu tenho estabelecido relacionamentos pessoais e afetivos com novos ângulos, diferentes daqueles que me serviam para, inclusive, despejar essa necessidade de orientação. Antigamente eu carregava os namorados no colo (palavras dela mesma) e hoje o tom tem sido diferente… realmente, desde o Japinha.

Curiosamente, falei de tudo isso em posts anteriores, sobre as mudanças que sinto dentro de mim e que tem me aproximado de pessoas tão diferentes. Taí, sem querer, o viés da espiritualidade, tema que acho fundamental, no sentido de desenvolver, para quem vive nessa terra.

Faz todo sentido. Pelo menos para mim, o que é suficiente. Para quem chega até aqui com a leitura, serve como conselho.

PS: Em alguns minutos vou de encontro a um amigo que passa por um momento meio “nublado”, embora ele disfarce bem (rs). Rafinha está afundado em estudos e TCC e, como não conseguirei ter a paz com ele nesse domingo, oferecerei um pouco de paz para quem precisa (com ou sem bronca, porque essa coisa de que só “paz e amor” sugere um avanço de espiritualidade é uma GRANDE bobagem).

“Sem luta não há conquista”.

3 comentários Adicione o seu

  1. Sandro Bonassa disse:

    Acredito muito na espiritualidade, até conversamos sobre isso uma vez.
    Sobre energias, positivas e negativas, onde podemos recarregar de boas energias ou atrair negatividade.
    Já tinha percebido pelas conversas anteriores que você possui um plano espiritual elevado.
    Não esqueço das suas palavras, ” Sandro você tem uma enorme energia vital, fácil de sentir porém você direciona ela de forma errada, desperdiçando energia em atividades pouco produtivas, sua energia é forte no entanto não é infinita “.
    Isso ficou na minha cabeça, voltei a frequentar o meu centro espírita, durante minhas férias de julho, comecei a centralizar essa energia, no trabalho ( ganhei uma promoção) , atividade física ( minha disposição que já era enorme, dobrou) estudos ( semestre pegando fogo, muito gratificante ) , família ( contato melhor e fantástico) e até mesmo no lance com o “D”, melhorou, não voltamos, deixamos de lado as cobranças e deveres de um relacionamento, estamos aproveitando os momentos juntos, são poucos devido a profissão dele, no entanto sem o peso da palavra relacionamento ou distância , cada encontro está sendo muito bem aproveitado, depois cada um segue livre para viver da forma que achar melhor.
    Até ao surf eu voltei, mesmo em dias de pouca onda, fico dentro mar renovando minhas energias, tinha esquecido como eu amo o mar.
    Enfim, eu não esqueci das nossas boas conversas e conselhos.

  2. minhavidagay disse:

    Que bom, Sandro! Bom saber que de nossas breves e profundas conversas algo tem germinado!

  3. Sandro Bonassa disse:

    Foi breve porém transformador.

    Fiquei afastado do MVG, por diversos motivos.
    Meu pai foi vítima da violência urbana, casa foi invadida e ele feito de refém, graças nada de grave aconteceu
    Eu fiquei sem celular ( não é tão resistente à água assim, rs) , como não costumo fazer armazenamento em nuvem ou lista de contatos da operada, perdi muitos contatos, inclusive o seu.
    Focado no trabalho e faculdade, até mesmo as baladas estão em ritmo lento.
    Afinal de uma pouco mais de privacidade exclui minha conta do Facebook.

    Muitas mudanças em pouquíssimo tempo…. Zona de conforto não existe mais, rs.

    Estou Feliz com isso.

    Abraços.

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