Giramundo

Quem acompanha o MVG sabe que o segundo semestre de 2015 foi de “trevas” para mim. Frustração com a crise nacional vindo por cima e, por baixo, frustração por um ideal pessoal para minha empresa não ter se sustentado. Não sei o quanto vocês acreditam em energias e espiritualidade, mas hoje, por exemplo, um dia depois do meu aniversário (que marca o início do meu novo ano astral), os dois clientes que estavam inadimplentes com a minha empresa, retomaram contato para fazerem os acertos. Mera coincidência? Não acredito. Um deles acabou de fazer o depósito.

Mas o ponto central do post de hoje não diz respeito a esse bem material, que é dinheiro, e que consome o encanto da história.

Existem alguns retornos que também tem lá um significado, no caso, de uma pessoa. Eu, sinceramente, nem dei muita atenção a respeito e tratei como assunto corriqueiro. Mas de repente, agora, tive um insight sobre o gesto: há duas semanas antes do meu aniversário, um ex-namorado veio retomar contato. Seu discurso foi o seguinte, via chat do Facebook:

– Faz tempo que a gente não se fala. Estava conversando com um amigos sobre freelas e lembrei daquele colorido que você me passou, lembra? Cheio de manchas e viagens do cliente que no final nem foi aprovado? Lembrei de você, resolvi te escrever e retomar contato. Acho que é o “retorno de Saturno” e veio a ideia de falar com as pessoas que são importantes para a minha vida.

Ao receber esse “textão”, não senti nem “Y” nem “Z”. A primeira coisa que me veio a cabeça foi: “ele não mudou nada depois de todos esses anos. Continua fazendo as associações mais ‘malucas’ para justificar uma simples vontade (rs)”.

O “Pedra”, ex-namorado em questão, foi aquele que eu demorei anos a frente do término para (efetivamente) poder superar. Recebendo sua mensagem, percebi que comprovadamente eu tinha superado.

Ontem ele deixou um post na minha timeline, me felicitando pelo aniversário. Respondi tirando um sarro e ele retribuiu com um “código” da época em que éramos namorados.

Fiquei pensando, depois, sobre o acontecimento na casa dos meus pais, como relatei no post “Life in the box”. Foi a manifestação, na prática, de uma grande mudança nos modelos comportamentais entre eu e eles. Depois, o ressurgimento do Pedra e a maneira serena de como lidei com a sutil reaproximação e, por fim, os dois clientes que estavam pendentes comigo, num mesmo dia, voltarem com a intenção de resolução. Será que existiria uma conexão entre esses fatos tão inesperados?

É como se essas últimas semanas que antecederam meu aniversário estivessem destinadas para que as pessoas que tivessem alguma pendência comigo a resolvessem. Meu pai, assumindo de vez uma postura infantilizada na minha frente (o que mostrou que o filho o superou), meu ex retomando contato, quando outrora dizia que eu não estava preparado para ser seu amigo e, de fato, ambos não estavam e, por fim, e de maneira mais clara, os únicos clientes inadimplentes resolvendo suas pendências no mesmo dia.

As vezes andamos com pressa e achamos que temos um grande controle das coisas, das pessoas e da vida. Mas é ela mesmo que nos ensina que a autonomia que é possível adquirir é de nós por nós mesmos, apenas. Apenas e depois de muito esforço para isso. No mais, acredito que exista uma força maior que faz um tipo de compensação e faz isso em ciclos. Dar atenção a esses sinais (ou não) depende basicamente de quanto nos colocamos atentos as pequenas sutilezas, aceitamos a nossa intuição e não deixamos que nem razão nem a emoção nos confundam.

Será que se eu não tivesse tomado todos os baques, quase tombado, durante o segundo semestre de 2015 eu teria olhos para perceber o mundo como eu vejo hoje? Será, inclusive, que não foi a maturidade adquirida naqueles meses depressivos e difíceis que não fizeram com que essa energia maior me compensasse de alguma forma, trazendo resoluções para essas pendências?

O post de hoje é bastante abstrato. Mas, as vezes, é na abstração que se concentram os elementos mais concretos. O que sei, e afirmo cada vez mais, é que a gente aprende mais nas dificuldades. Não durante as mesmas, mas depois que elas passam.

Acreditem: sempre passam.

2 comentários Adicione o seu

  1. Rothuzs disse:

    Estas reflexões pessoais são maravilhosas. Duas coisas breves:
    1 – Desde a Grécia antiga já se dizia que nunca se banha em um mesmo rio duas vezes: tanto ele corre como o próprio sujeito muda;
    2 – até com as crianças está na moda utilizar-se das situações problemas, para saber como elas lidam com o que já sabem e como se desenvolvem a partir daí…

    1. minhavidagay disse:

      É por aí, Rothuzs… A gente até pode repetir alguns mesmos erros algumas vezes. Mas outros acabam por ser apenas uma vez.

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