Glenn Greenwald e Augusto Nunes

A treta entre Glenn Greenwald e Augusto Nunes

A mim é uma ironia pois ambos, Glenn Greenwald e Augusto Nunes eram duas representações midiáticas que tinham respeito. Por um lado, Glenn Greenwald havia construído minha admiração a partir de suas entrevistas filmadas e realizadas ao representantes em época de eleições.

O Intercept em si, no meu ponto de vista e na maior parte do tempo, sempre carregou uma carga mais polarizada, pendendo fortemente a esquerda. Então, não foi uma admiração advinda da mídia a que comanda, mas a qualidade dessas entrevistas e, posteriormente, pela coragem de enfrentar, nada mais, nada menos que um dos “queridinhos”, um dos heróis do outro pólo, o senhor Moro.

Acompanho o Augusto Nunes de longa data, antes e durante o período em que era âncora do Roda Viva. Por acompanhá-lo por tanto tempo, sempre soube que ele era um dos porta-vozes anti-polarização. Inclusive, um dos motivos de ter se afastado do programa Roda Viva foi por, justamente, a diretoria da Cultura pedir para que ele incentivasse climas mais acirrados entre jornalistas e entrevistados.

A grande verdade é que, do ponto de vista de quem é ou trabalha na mídia, a polarização garante mais audiência. Como digo e reforço, o ser latino tem predileções pelas tretas do tipo BBB (e suas variações).

Um choque

De tal maneira, a treta de ontem entre Glenn Greenwald e Augusto Nunes foi um choque de frente a minha admiração intelectual por eles. Mais um. Não exclusivamente pelas formas pois, num contexto social declaradamente polarizado, se ontem o deputado Jean Wyllys cuspiu no até então deputado Jair Bolsonaro, se hoje preferem lançar bofetes e, manhã, puxar cabelo, acaba sendo mais do mesmo do que pode vir da polarização nacional.

O choque se deu por ser o estrangeiro e culto Glenn Greenwald e o respeitoso e culto Augusto Nunes. Decepção intelectual.

Quem alvejou o primeiro bofete, a mim, pouco importa pois esse tipo de preferência acaba vindo da parte mais rasa da polarização. Ontem defenderam o merecido primeiro e único cuspe de Jean e hoje defendem o Glenn por ter recebido o primeiro e único tapa. Ontem defenderam Bolsonaro por ter sido alvo do cuspe e hoje defendem o Nunes por ter conferido o primeiro e único tapa. As batatas residem no mesmo saco. Embora não se conversem e embora estejam se aprodrecendo.

A velha opinião formada sobre tudo

Enquanto a grande parte da boiada nacional – desde o jovem que pode se considerar algum crítico sobre política até a senhora de 70 anos – tecem uma óbvia opinião entre o preto e o branco, do outro lado desse mesmo mundinho chamado Brasil, daqueles que não vão colar, imprimir e conclamar uma rasteira opinião sobre o caso, despontam novas e produtivas formas de incômodo, do desconforto pelo estranho. Do estranhamento, termo bastante empregado na Psicologia.

Casos como de Jean Wyllys X Jair Bolsonaro e, agora, Glenn Greenwald e Augusto Nunes não nos trazem novidade nenhuma, não inspira o construtivismo (famigerado conceito solfejado pela suposta esquerda), não soma. A não ser à audiência que tanto a mídia deseja. Somos, assim, os velhos e bons puppets. A maltratada boiada em, algum nível, fazendo jus aos chifres que carregamos, ao esterco ao nosso redor.

Me disseram, esses dias, que eu sou excessivamente ponderado. Como se a ausência de ponderação para o momento fosse realmente justificável devido as nossas dores e diante as dores do mundo. Então, usando a vestimenta do excessivamente ponderado, trago dois outros vídeos que materializam essa minha carapuça, assumida:

Que o meu excesso de ponderação continue, enquanto a maioria da boiada se acha pertencida e relevante por tem uma opinião óbvia na equação Gleen Greenwald e Augusto Nunes, por exemplo. E quem estiver cansado dessa mesmice, estão aí dois vídeos para inspiração.

O MVG adverte: as situações nesses vídeos podem gerar algum desconforto. Ou muito. Se não aguenta, bebe leite. Ou melhor, continue fazendo parte do time do Glenn Grewald ou Augusto Nunes que está tudo bem também. Pelo menos, você está aí, em uma maioria que acha que tem razão, inclusive também porque se sente maioria. :)

14 comentários Adicione o seu

  1. Diego Rbor disse:

    Glenn é um dos maiores jornalistas do mundo. Augusto Nunes é um desserviço.

    1. Exato, um vendido da mídia CORPORATIVA.

  2. Acredito que ambos são excelentes jornalistas com posicionamentos ideológicos diferentes. Sempre gostei da atuação do Augusto Nunes no Roda Viva, mas nunca pesquisei a história dele e não sabia que ele era mais ligado à direita, ou contra a polarização como aborda o Flávio, no seu texto. Sempre vi o trabalho independente da ideologia política pessoal. O Glen é fantástico nem precisa dizer e como sou um cara que tendo à esquerda me filio muito às ideias dele. O que precisamos levar em conta é que como o Flávio vem discutindo no seu blog através de um teórico se não me engano o Sérgio Buarque de Holanda que diz que o brasileiro é cordial (e cordial, de cor, de coração) acredito que ambos agiram com o coração. O Glen ao saber que seria o Augusto Nunes, poderia ter recusado a dar a entrevista com ele. Como a resistência ou seja a luta ideológica às vezes vai até as últimas consequências deu no que deu. Se é pra eleger um certo e o errado então os dois foram errados. Quanto a situação em si acredito que seres humanos são movidos por paixões, porém pessoas que são figuras públicas nos dois casos citados Augusto x Glen e Jean x Bolsonaro (e olha que sou fã do Jean) também acho que precisam conter um pouco desse pathos (paixão) porque senão daqui um dia o Brasil será um circo explícito. Já é né? Mas ainda resta um pouco de civilidade…

    1. minhavidagay disse:

      Olás!
      Bem, Augusto Nunes nunca foi de direita. Ele mais se posicionou contra a corrupção do que para um viés partidário nítido. Mas agora, sob a ótica estreita da polarização, das redes, da ignorância de quem polariza, claro que ele se tornou de direita (rs). Mas é óbvio que não vou entrar nesse debate se ele é ou não é, caso algum leitor resolva colocar em conteste… cada qual cuida de suas crenças, contas, faturas, estilo de vida, entorno social… porque outra realidade do ser cordial-latino é “cada um por si e Deus por todos”, por mais que o indivíduo diga passar longe de um âmbito Cristão… outro vídeo que recomendo sobre “ego atômico” e “ego em rede”, para você entender o centro individualista que impera no ocidente: https://youtu.be/23X9jhwH2pU

      1. Nick disse:

        1-“Bem, Augusto Nunes nunca foi de direita. Ele mais se posicionou contra a corrupção do que para um viés partidário nítido” Então me mostra uma opinião/artigo/texto do Agusto Nunes contra os laranjais do PSL ou contra o arquivamento do Toffoli em relação a um dos filhos do Bolsonaro, ou contra a Vale e suas conexões políticas q fizeram o desastre ambiental em Minas acontecer, ou contra o óleo da Amazônia chamando a atenção do ministro do meio AMBIENTE. Se tiver algum texto dele contra o PSL, Bozo ou contra o governo atual, aí sim acredito q ele não é de direita.
        2-“O Intercept em si, no meu ponto de vista e na maior parte do tempo, sempre carregou uma carga mais polarizada, pendendo fortemente a esquerda” Já vi textos críticos do Intercept em relação a esquerda: https://theintercept.com/2018/01/24/tarso-genro-lula-amoral-crime/
        3- Então pra mim a figura q TEM um lado é o Augusto, se não tiver me mostre um texto dele criticando algo do governo…

      2. minhavidagay disse:

        Em que dimensão a ausência de crítica quer dizer ser favorável? Desculpe Nick, mas essa sua lógica é simplesmente imersa no “preto e branco”… e, claro, uma maioria carrega esse raciocínio…

      3. minhavidagay disse:

        E eu também não entendo porque um indivíduo crítica ou defende mídias. O nosso espírito crítico deveria ser suficiente para fazer o filtro. Mas não foi esse nível de Educação que o brasileiro recebeu nos últimos anos…

      4. minhavidagay disse:

        Aliás, eu entendo… em nossa necessidade de pertencimento, até as mídias entram no jogo. E está tudo bem assim, mas eu não tenho mídia de estimação rs

      5. Nick disse:

        1-“Em que dimensão a ausência de crítica quer dizer ser favorável? ” Não disse isso! Mas se ele é contra corrupção e não tem lado e é jornalista, algum texto dele contra algo do atual governo deveria ter… Veja esse texto de um jornalista que trabalhou na abril e veja que a polarização começou de certos jornalistas e certo jornalismo, veja q o q a Jovem Pan faz NÃO é jornalismo, apear de quererem vender como tal:
        nexojornal.com.br/colunistas/2018/Abril-e-o-Brasil
        2-“mas essa sua lógica é simplesmente imersa no “preto e branco”… e, claro, uma maioria carrega esse raciocínio…” Não, eu analiso o todo e sei q essa polarização começou nos EUA e no mundo após a crise financeira de 2008. E o partido q polarizou primeiro nos EUA foi o Republicano (direita) e ensinou sua “tática” a vários partidos de direita pelo mundo. Só que agora q o povo viu a merda q se meteu votando neles a “alternativa” está sendo votar nas alas mais a esquerda do Partido Democrata, pois para a maioria da população o “centrismo” do Partido Democrata só beneficiou os bancos e seguradoras q foram os responsáveis pela crise e quem “pagou a conta” da crise foi a classe média. Esse descontentamento fizeram a classe média votar na ala mais a direita dos republicanos, mas agora q viram o serviço dessa ala, querem mudança mais a esquerda dos democratas. E a polarização se acirrando nos EUA vai se espalhar pro mundo todo, afinal eles são a potência mundial.

      6. NIck disse:

        Então isso invalida sua visão q polarização é coisa de latino, pois o partido que se polarizou primeiro lá foi o republicano q representa o “americano padrão” não latino!
        1-https://www.vox.com/2018/10/29/18037654/strikethrough-republicans-have-broken-politics-polarization
        “Over the past few decades, both Democrats and Republicans in Congress have moved away from the center. But the Republican Party has moved toward the extreme much more quickly — a trend that political scientists’ call “asymmetrical polarization.”
        2- Texto interessante: medium.com/@rafapoco/polarização-não-é-problema-polarizar-é-76d833c2434a

      7. minhavidagay disse:

        Oi Nick! A polarização é mundial e raros países ou culturas se isentam desse movimento hoje. E esse fenômeno acontece por diversos fracassos e falhas de sistemas vigentes, como a UE, comandados, até então, por representantes mais de esquerda.

        Em nenhum momento disse que a polarização é coisa de latino. Mas a maneira, formas passionais-cordiais que lidamos com tudo, inclusive inseridos na polarização, é o que eu coloco. Estar polarizado não quer dizer cuspir um no outro, dar bofetadas ou puxar cabelo. Mas essa estética é a nossa, na polarização. Dentre outras estéticas e formas tipicamente latinas. Dramáticas, com jeitão de Almodóvar, com o Cristianismo internalizado mesmo quando se passa longe de uma igreja.

        Refletidos em todos os países da América Latina, Espanha, França, Itália… não tem como negar as estéticas latinas que, inclusive, fazem nosso país ser exatamente o que é… olhar fora da caixinha é difícil, principalmente quando somos passionais-cordiais, com sede de pertencimento de um jeito, igualmente e predominantemente latino. Clamando por autocratas como Bolsonaro ou Lula que, a mim, são as duas faces da mesma moeda.

        Se este país ainda é dos potenciais por ainda ser subdesenvolvido, não se justifica pelos representantes que temos, mas pelo tipo de cultura, bases, valores, expressões de nossa própria sociedade.

      8. Nick disse:

        Sua visão de “polarização” ser algo de latino tbm não explicam as Revoluções Chinesa, Russa e Vietnamita. Isso, claro, se vc colocar o comunismo em pólo extremo no espectro político. Pois esses países não são “latinos”. E eu não sou anti-comunista, só estou dizendo se vc é uma pessoa q vé comunismo como um extremo, então esses países se polarizaram em certo momento e eles não são latinos!

  3. ”Como digo e reforço, o ser latino tem predileções pelas tretas do tipo BBB (e suas variações).”

    Bem, por outro lado, o ser nipônico tem uma tendência exagerada para a subserviência ou conformidade…

  4. Engraçado como que a sua suposta ponderação faz com que distorça os fatos dessa situação, diga-se, lamentável, entre dois adultos porque Glenn está certo se foi o Augusto ou Gugu, quem ”sugeriu” uma ”vistoria” do conselho tutelar em relação à sua família em um twitti estúpido, e sim, pode-se dizer sem dúvidas que foi um ato de HOMOFOBIA, não sei se vc conhece. No mais, seria bom também perceber que essas besteiras de polarização entre dois tipos de idiotas úteis está acontecendo em todo ocidente mais no oriente, mas de uma maneira um pouco diferente… Não é apenas uma coisa de latrino mas de BRANCO OCIDENTAL.. uma das raças mais irracionais da espécie humana. Séculos chafurdando na mais espumosa estupidez {mitologia, capitalismo, monarquia, escravidão, etc etc etc]. As conquistas absolutas que já ”conseguiu”, diga-se, uma minoria de indivíduos geniais e bem estruturados em torno de objetivos em comum, são ”apesar de” e não consequências absolutamente naturais.

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