Grana para que te quero

Papo de homem hoje, que pode ter a ver ou não com nuances gays. O leitor Artur lançou seu belo relato no post “Falando sobre amor”, sua vida de casado, os anos de convívio com seu parceiro, o relacionamento que se abriu, dentre outras situações de quem vive um namoro/casamento há sete anos.

Grana pode virar questão num relacionamento?

Saindo do plano da Disney ou da novela mexicana, quando “o amor supera todas as barreiras e dificuldades”, na vida real eu diria que o companheirismo e uma parceria ajudam bastante quando grana vira uma questão. Se o mundo das fadas fosse realmente uma realidade, tal tema nem entraria em nossas vidas e nos contentaríamos a viver num contexto simplório, sem apegos. O fato é que, vira e mexe, e agora em um cenário de economia enfraquecida e inflação de volta, uma grande maioria tem restrições por questões financeiras. Cada um tentando se virar (ou não) da melhor maneira possível.

Nos anos de meus relacionamentos afetivos, por ter preferência por caras mais novos do que eu, lidei com alguns aspectos da diferença de “tempo produtivo na vida”, de trabalho e, invariavelmente, nos quesitos relacionados a dinheiro.

Com os primeiros namorados, Leonardo e Binho, a minha situação financeira era deveras precária! Estava nos primeiros tempos da minha empresa, entre os 22 e os 25 anos. Meu pai não quis saber de ajudar em absolutamente nada embora pudesse e, minha mãe, mesmo podendo com pouco, ajudava com o que tinha. O fator “dinheiro” era muito menos relevante naqueles contextos. As vontades eram outras: era o desejo de ser feliz com um namorado, construir alguma história, me autoafirmar como gay, me provar que dois caras poderiam ser felizes num envolvimento afetivo e, convenhamos, o mundo a volta exigia muito menos necessidades financeiras e materiais; vivia confortavelmente com meus pais e não existia conta de água, luz, telefone, IPTU ou aluguel, IPVA e, acima de tudo, tinha a minha ingenuidade (junto com uma coragem) de achar que eu “conquistaria o mundo” em poucos anos. Dinheiro seria uma óbvia consequência do meu trabalho. Quando a gente é novo se dá ao luxo pois ainda vivemos de potencialidades.

Depois encontrei o Felipe na Bubu Lounge. Casamos. Naquele mesmo ano, meu sócio foi embora do país e sai da casa dos meus pais contra a vontade de papai. Ele resolveu ficar sem falar comigo por um ano! Meus amigos que acompanharam aquele período diziam: “eu achava que você não ia dar conta”. E claro, quando se referiam a “não dar conta”, além do aspecto psico-emocional, sugeriam, novamente, as condições financeiras. Casei com um cara que, apesar de mais velho que os namorados anteriores, não tinha uma formação, “sofria” porque tinha que trabalhar e com isso não conseguia se estabilizar em nenhum emprego. Naquela época indiquei alguns bons, pagavam bem e ele deixou escapar pelos dedos. Brigava com os chefes, faltava.

Minha empresa começava seu terceiro e ano e, finalmente, sinalizava algum retorno. Consegui trocar um KA que mantinha há sete anos (já tinha zerado o contador) por um Idea zero, embora financiado. Resolvi pagar a faculdade do marido que, na época, quis fazer psicologia. Botei uma empregada para trabalhar porque o Felipe não “aguentava” dividir as rotinas super heteronormativas de casa. Mas aí, ele encasquetou com a mulher e resolveu dispensá-la depois de um mês. Nisso, a grana ia embora, naquela batalha diária para manter ou melhorar o padrão que havia conquistado. Nesse contexto começava a entender e sentir na pele o significado de “querer manter um padrão conquistado”.

O Felipe não conseguia se fixar num emprego. Até que “desistimos” e ele veio trabalhar na minha empresa. Ao mesmo tempo que, finalmente, ele se fixou, não imaginávamos que a frequência 24 horas acabaria com a nossa relação. Pela natureza da mesma e pelo nível de maturidade de ambos naquela época, tudo era intenso, com altos extremos e baixos profundos. Pedro Almodóvar, de novo, teria muita inspiração naquele contexto que hoje é risível, quase hilário, mas no olho do furacão era trágico!

Conflitos de ego e grana. Taí dois pontos definitivos que fizeram meu casamento ruir. Chegou uma hora, depois de quase dois anos e meio, em que aquela situação de eu ser o provedor material e financeiro de tudo que adquiríamos, me deixava cansado. Cansado e estressado, eu acabava implicante. Quando a gente saia para um bar ou alguma balada e a comanda dele saia mais alta que a minha eu brigava. Brigava feio mesmo porque achava uma falta de consideração e respeito ele não ter uma noção do contexto em que estava. As vezes parecia que era uma obrigação eu ter que financiar tudo por viver uma situação melhor. Realmente, tal pensamento seria bastante razoável se o Felipe não tivesse atirado nas oportunidades as quais passaram entre seus dedos. Ai que nessas horas, queridos leitores, o castelinho de cristal vai para o chão e grana, definitivamente, vira questão.

Tão “mundano” ou “profano” pensar em dinheiro em um relacionamento, não é? Nada… é razoável.

Depois que o casamento acabou, veio um suspiro profundo e uma necessidade de tempo para resignificar as relações e redescobrir minha vida social que, até então, havia se fechado ao casamento. Eu começava a ter dinheiro guardado, embora não fosse um exímio controlador das finanças da minha empresa. Ainda era “moleque” tinha em torno dos 28, 29 anos. E foi naquele contexto em que conheci o Pedra, ex do Leonardo, meu primeiro namorado.

O Pedra era empregado, da área de design, mas precisava ajudar em casa. Seu pai, no passado remoto, foi um dos grandes mecânicos de tunning no ABC, na época que turbinar o carro era mania nacional dos “boys” e não tão boys assim. Mas os carros nacionais foram ganhando potência e, assim como qualquer moda no Brasil é altamente transitória, o mercado de tunning caiu. Seu pai foi junto por não inovar e a vida de “filhinho de papai” que o Pedra tinha na adolescência mudou bastante quando o conheci.

Meu ex trabalhava e a gente conseguia manter uma rotina saudável de vida. Sem grandes luxos e, vez ou outra bancava algum esquema pra ele: o Pedra teve um tipo de ginecomastia adquirida por ter usado bomba (pra crescer) e não ter cuidado direito. Pena que eu não cheguei a conhece-lo na época que era gostoso (RS). Vivia com complexo por ter “peitinhos”. Foi aí que resolvi entrar em contato com alguns clientes que são cirurgiões plásticos e fiz uma permuta com um deles.

Quando terminei com o Pedra, veio uma das fases mais turbulentas da minha vida que durou mais ou menos um ano. Troquei o investimento em “namorados e namoros bonitinhos” para investir em mim. Naquele tempo, aí sim, eu já estava com um poder aquisitivo mais legal. Foi em torno de 2008 e 2009 e, mesmo com a crise econômica mundial (que fechou a porta de muitas empresas) eu vivi uma das fases mais perdulárias da minha história: estava com um Pajero TR4 (que logo virou um Corsa na crise), comprava muita roupa e ia para a balada de quarta a domingo. Estava com 32 anos, não precisava ainda de dieta e um pouco que eu fazia de musculação já ficava com o corpo nos trinques. Era vodka Absolut ou Red Label de quarta a domingo. Adquiri uma resistência para bebida que tenho até hoje. A grana corria solta: festa da DJ Gláucia++ na D-Edge nas quartas, A Lôca na quinta, Freak Chic na D-Edge na sexta. No sábado, pausa para “descanso” no Bar da Dida, madrugada a dentro, quando depois não ia para a The Week e, para completar o expediente, matinê “Café com Vodka” no Sonique aos domingos. Contabilizando muitos estacionamentos e jantares.

O amigo Beto, também outro perdulário, me acompanhava nessa rotina quando o bolso (ou o físico) dele aguentava.

Foi naquele contexto que conheci a sauna 269, ainda na Bela Cintra. Foi naquele tempo que tive as primeiras experiências com michês. Mais dinheiro “investido” em diversão. Foda-se, era a minha grana.

Naquela turbulência toda conheci o outro Beto, meu ex, também designer que trabalhava numa das revistas da Abril. O namoro com ele foi bastante importante para eu dar um “salto” em meus controles financeiros. Ele foi e é um puta mão de vaca (rs) e, na toada de nosso envolvimento, vi com admiração aquela estilo, muito mais controlado e organizado com a grana.

Até então eu tinha uma maior preguiça (ou insegurança) de fazer viagens estrangeiras. Mas com ele aprendi a guardar dinheiro para tais aventuras. Viajamos para Patagônia Argentina de ponta a ponta. Fomos para Buenos Aires, Santiago do Chile e Nova Iorque. A grana que eu gastava em cachaça, balada e putaria passou a ser acumulada e destinada para viagens. Em contrapartida, o Beto cansou da Abril. Brincava com ele e dizia: “também, você trabalha na editora como fosse funcionário público! Tá na hora de tirar a bunda do conforto”. E aí, estimulado pelo meu perfil empreendedor, resolveu abandonar os “séculos” de Editora Abril. Não tinha mais como crescer por lá e partiu para o empreendedorismo. Fui meio que consultor, namorado e amigo e, nas horas difíceis que ele passava, não me objetivava a segurar o bolso para ficar tranquilo, em casa e juntos. Mesmo porque, estaria guardando dinheiro, no modelo de relação que havíamos criado. Hoje ele está no terceiro ano de sua empresa, feliz e trabalhando bastante!

Tenho que dar uma boa dica aqui: viagens é uma saída da rotina definitiva para a qualidade de um relacionamento e, claro, tem um custo.

Por longos anos fui provedor financeiro de meus namorados. Apesar de jovem, assumia certo perfil “daddy”, caixinha e modelo que passo ao lado, com educação, mas não adentro mais. Hoje, parto do princípio que se bastar com trabalho (e consequentemente grana) é uma das responsabilidades e deveres individuais. Dinheiro, bem ou mal, conta para mantermos os diversos aspectos da vida e, só elevando patamares que a gente entende, com lucidez, o sentido de preservar um nível.

Eu sai do “zero absoluto”. Não tive parentes empreededores para me apadrinharem. Meu pai, que era alguém que teria total tranquilidade financeira para me ajudar, virou as costas porque morria de medo de eu sair do trilho o qual ele havia idealizado a mim, na mais autêntica manifestação impositiva e infantil: “não vai seguir do jeito que estou falando? Então esqueça qualquer tipo de ajuda”. E mamãe colaborou com uns trocados, mas foi fundamental com suas orações e com o apoio moral.

Dinheiro conta na vida de um par? Não tenho dúvidas que também e o post de hoje foi bem focado nessas questões. Talvez conte menos para aqueles que ainda vivam com os pais e tenham todo conforto e benesses do modelo. Quem está sustentado tem ainda certo “luxo” de acreditar na Disneylândia. Quem vem de família com maior poder aquisitivo, a mesma coisa. No começo a gente se contenta com um cinema meia entrada, com carteira de estudante e um lanche na praça de alimentação. Só que aí a gente vai crescendo e prefere conhecer restaurantes, quer viajar para além do modelo “bate e volta no busão”. Quer alugar ou comprar um canto, ter um bicho de estimação e assim assumimos contas e mais contas. Esses apetrechos, depois que entram em nossas vidas, ficam difíceis de tirar. A gente vai percebendo que grana é definitiva para a nossa autonomia.

Por outro lado, quem se apega a ideia de ser sustentado por um namorado, na caixinha “Daddy”, atenção: pessoas que compram outras por dinheiro, presentes e regalias, normalmente tratam as outras tal qual objetos. E não são propriamente malvados pois muitas vezes fazem sem consciência. Mas o intento de descarte, a qualquer hora ou na hora que encher, costuma ser maior. Se você lida bem com essa condição, ótimo. Existem centenas de “daddies” por aí, assim como centenas de “filhos” querendo ser “adotados”. Brasil varonil, é o que também tem pra hoje.

Assim, se a ideia é não cair na desconfortável situação de ter que jogar na mesa questões relacionadas a dinheiro, corram atrás do seu. Isso pode ser muito gay ou não, mas acredito que seja bastante cultural e não estou aqui, hoje, para fazer a linha espiritualizada e sem apegos. Grana conta sim, no seu bolso e no do outro. No mais é Disneylândia que, inclusive, se paga caro para estar de corpo presente.

12 comentários Adicione o seu

  1. Leandro disse:

    Passei aqui pra me despedir. Essa é a última vez que comento no blog. Acredito que meus comentários cheios de reclamações e problemas geraram tédio e chatice aos leitores e comentaristas do blog. Além disso, eu nem tenho muito o que colaborar nas discussões. Minha vida amorosa é um fracasso, não sou bonito e muito menos atraente, não sou bom em pegação. Enfim, sou um gay por acidente. Lamento ter enchido o saco de todo mundo. Até nunca mais!

    1. minhavidagay disse:

      Nossa Leandro! O que foi que aconteceu?

  2. Leandro disse:

    O que aconteceu é que eu tô cansado de só falar de problemas. Ninguém aguenta mais, nem eu me aguento mais! Pra q ficar prestando atenção em meus comentários, se tem outros mto mais interessantes no blog? O pessoal namora, curte, faz pegação, noiva, casa, descasa, casa de novo, ascende na vida, ganha dinheiro, consegue o corpo dos sonhos, vai pro exterior, mas eu não consigo nada disso. Minha única experiência é me frustrar, só isso. Desde q eu me assumi, minha vida virou um inferno! Não tem como competir com ninguém e já carrego tanta frustração que eu fechei de vez meu coração. Enfim, nem sei pra q estou dizendo isso, não sei se alguém terá paciência para ler isso. Se eu morresse hj, acho q nem faria falta. Enfim, fazer o q? Tem gente que nasce com sorte. E eu que nasci com azar? Só me resta sentar e chorar mesmo!

    1. minhavidagay disse:

      Oi Leandro,
      Tudo bem?

      Fases tristes assim já passei aos montes, principalmente quando era adolescente até meus 20 e poucos anos.

      A gente as vezes tende a querer ver ou acreditar apenas no “lado vazio do copo” e isso é normal, que inclusive nos humaniza.

      Os gays, no geral, vivem de carências pela repressão social conhecida e, acima de tudo, um autopreconceito que não diz respeito a apenas a sexualidade, mas a beleza, condições financeiras, entre outros.

      Eis a vida, meu querido. E ela invariavelmente passa por fases. Tenha força e coragem para superar seu momento. Ninguém, mais que você, sabe pelo que você mesmo está passando. Mas tenha certeza que depois das tempestades há sempre espaço para dias ensolarados.

      Não espere depender do outro para ser feliz. Embora seja difícil pensar diferente disso, tal realidade nos ajuda a elevar nossa própria autonomia.

      Um abraço,
      Flávio

  3. Lucas disse:

    Flavio estava digitando um comentário no iPhone e no meio veio uma chamada então não sei ao certo de o mesmo foi enviado ou não. Sendo assim caso esteja mandando outro comentário por favor desconsidere o primeiro ok? rs, brigado..

    Leandro
    Fiquei deveras triste em perceber tamanha tristeza em suas palavras.
    Sabe não há desespero tão absoluto como aquele que vem com os primeiros momentos de nossa primeira grande tristeza. Quando ainda não sabemos o que é ter sofrido e ter se curado. Ter se desesperado e recuperado a sensatez.

    Acredite, a maioria das pessoas são mais fortes do que pensam … elas só esquecem de acreditar algumas vezes.

    Tente não “comparar” sua vida com as dos outros. As vidas são diferentes, as histórias pessoais são diferentes.

    Sei que as vezes é foda olhar pra “grama” do vizinho e ao alhar pra sua pensar assim: Caralho! Mas que droga!!… normal, mas não se baseie na “aparente” felicidade estampadas nas fotos dos “instas” da vida. Não se baseei ou compare sua vivencia com as histórias aqui do blog prq cada um tem sua própria história. E vc, cedo ou tarde, vai encontrar a sua ..

    Contudo qnd as coisas ficam muito pesadas é ok pedir ajuda! Procure um familiar querido, procure um templo budista, arrume um animal de estimação, procure ate mesmo ajuda profissional. Mas tente.

    Infelizmente não posso te ajudar além desse simples comentário, mas posso indicar algumas coisas. Primeiro desvie seu foco das coisas que geram esses pensamentos nocivos a você. De um tempo no conteúdo externo em que seu ego está mirando. Troque suas leituras, não veja as mesmas coisas, entenda seu pensamento por detrás do seu pensamento.

    Existe um site de EXTREMA grandeza chamado Papo de Homem (www.papodehomem.com.br) os cara lá produzem material classe AA tudo voltado para o desenvolvimento do pensar e evolução nos nossos atos e atitudes. Vale MUITO a pena conhecer. Lendo seu comentário me lembrei de uns posts que já passaram por lá e acredito que vale a pena vc dar uma olhada

    http://www.papodehomem.com.br/sou-rejeitado-porque-sou-feio-id-24

    http://www.papodehomem.com.br/relato-de-um-gay-que-queria-ser-hetero

    http://www.papodehomem.com.br/suicidio-sem-justificativa

    http://www.papodehomem.com.br/da-felicidade-como-nao-constante

    por fim como indicação (além de todo o vasto conteúdo do site PdH) assista ao documentário EU MAIOR. Com tanta gente bacana lá alguma coisa vc tira pra vc
    http://www.eumaior.com.br/

    Você só descobre quem realmente é, quando é testado. E você descobre quem pode ser, quando é testado. A pessoa que você quer ser, existe. No lado oposto de fé, crença e trabalho pesado.

    Apenas tenha calma sim :)
    Coragem

    1. minhavidagay disse:

      Belas palavras, Lucas! Está um apoio de outro leitor, Leandro :)

  4. Vinni disse:

    Gente, eu casaria com esse Lucas hahahaha – sério ! Rs

  5. andre Luiz disse:

    Leandro o qud o Lucas falou tem muito e tudo a ver o que eu te disse no chat do Facebook… esse d o caminho Quetido. Boa leituras , se espiritualize mais , foque no bem e no que bom … mergulhe dentre de voce ese trate com mais carinho com mais generosidade e paciência… outra cousa ouça todos dias o audio q mandei o link vai te ajudar!!!!!! E veja a dicas do Lucas parecem muito boas !!! ;)

  6. André Galvão disse:

    Na boa amo esse blog, e mais uma vez amei esse novo post!

    Ao Leandro que postou acima, gostaria de lhe ajudar em algo, porém, não sei como, e acho que talvez com o que eu escreva abaixo possa lhe servir de alguma forma.

    Leh (olha eu já me achando intimo rs, vou te chamar assim tah?), venho de uma família simples, fui criado pela minha avó materna, não tive pai e nem mãe que ajudaram na minha criação. Minha avó graças a Deus pode cuidar de mim, ela era aposentada e para complementar a renda da casa ela fazia salgados para vender, pois, cuidar de uma criança não era facíl, ela fazia de tudo para não me faltar nada, mesmo que faltasse para a mesma.
    Passamos por diversas dificuldades, mas ela sempre ali firme e forte cuidando de mim, e assim foi até os meus quase 12 anos, pois, faltando um mês para meu aniversário ela veio á falecer. Você(s), não imaginam como o meu mundo desabou, fiquei sem chão, sem nada. No entanto, havia uma tia (filha da minha avó) a qual não tínha uma bom relacionamento afetivo com minha avó, que me acolheu em sua casa.
    Minha vida mudou muitoooooo, ela não tinha lá muito a me oferecer, todo o foco dela como uma boa mãe, era para o meu primo e meu tio (nada mais que justo né?), na época eu não entendia muito bem. Pra mim, era tudo controlado, tudo que ia comer eu tinha que pedir, não tinha liberdade para abrir uma geladeira, e enquanto ela lava as roupas da familia na maquina, eu tinha que lavar na mão (eu tive que aprender muita coisa cedo e agradeço hj por isso), dormia em um colchão no chão e blá blá blá….
    Tive que amadurecer muito cedo, e tudo que eu queria ter eu tive que buscar por conta própria, portanto, o que fiz? Tive muitas ofertas faceis da vida, as quais poderia aceitar, porém, sempre tive a conciência que não eram coisas boas, então o que me restava era focar em estudar e trabalhar para ter o meu crescimento e minha independencia.
    Detalhe, era que ela era homofóbica ao extremo, ai já devem imaginar que até eu me assumir demorou e muitooooooooo.
    Enfim, sempre soube que seria eu por mim msm, não poderia contar com ngm e nada cairia do céu, até hoje não sei de onde tirei forças para superar tanta coisa.
    Com meus 16 anos comecei a trabalhar, porém, nunca parei de estudar, fiz mecânica no senai, depois resolvi e passei em um curso técnico de química na etec, mudei de área e emprego e comecei a ganhar um pouquinho mais, fazia o que gostava? Nãooooo, eu fazia o que eu via que teria um retorno financeiro mais rápido, para alcançar o que eu buscava, terminando meu curso técnico, logo entrei na faculdade, de química? Não comecei á fazer ADM, e mais uma vez mudei de área e emprego, e ganhava até menos do que antes, porém, sabia que o retorno seria melhor…
    Só um adendo… Não tenho o mais belo dos corpos (digamos que sou meio barrigudinho rsrs, 1.78 e 86kg, ou seja, meio gordinho rsrs), mas e daí? Já liguei muito para isso hj não mais….
    Entrei em uma empresa, depois fui convidado pelo meu gestor que estava em transição para uma outra a ir junto e fui sem medo de ser feliz,e hoje já formado estou em uma outra empresa, multinacional holandesa e meu salário bem melhor.
    Sai de casa aos 22 anos, logo quando terminei meu namoro de três anos com um homem, e sai de casa não porque eu quis, mas porque fui expulso por ser gay, parte da minha família virou a cara para mim….
    E agora pra onde vou? O que fazer? Graças á Deus tive amigos que me ajudaram um pouco como podia, durante um mês, fiquei uma semana na casa de um, uam na casa de outro…Até eu alugar um apto e começar a ser de fato independente!

    Resumindo meu amigo Leandro, lendo tudo isso, pode ver que não tive uma vida muito facil né? O que quero mostrar com isso para você?
    Querido, primeiro nunca me coloquei para baixo, sempre me mantive através dos meus sonhos e objetivos. Nunca me apoiei em ngm, porém, sempre olhei pessoas como referência para de alguma foram aprender. Nunca me coloquei como vítima, corri atrás e fui em busca do que eu queria, e não pense você que essa corrida acabou não heim? Tenho muito ainda á conquistar e sonho muito e me guio através dos meus sonhos.

    Hoje tenho uma vida ainda não como eu queria estabilizada financeiramente, porém, moro em um bairro bacana, num apto/condominio legal, um emprego bom que me proporciona isso, tenho ótimos amigos, viajo, vou á bares, baladas, restaurantes. E sabe como consegui isso?

    Acreditando unica e exclusivamente em mim e na minha capacidade e focalizando somente coisas boas, pois, pensamento positivo sim ele atrai coisas boas e positivas, assim como as negativas, portanto, cuidado.

    Nossa mente é muito poderosa, nós somos poderosos, acredite em você e no seu pontencial, sim…. vc tem potencial, basta olhar para você. Ame-se primeiramente.

    Busque viver, acredite, tenha fé. Não tenho uma religão, apesar de ter sido criado no meio católico, mas acredito que tenha uma força que nos rege. Acredite em você, não desista de você, afinal, somente você é quem pode mudar sua história, sua vida.
    Busque ajuda se preciso, não se envergonhe de pedir ajuda á amigos, pedir conselhos, olhe para o mundo de uma forma diferente, mude sua forma de pensar, agir, como os amigos ai em cima já disseram isso.

    Enfim, o texto é sobre um tema do MVG é sobre um tema e me disvirtuei dele, mas precisava esscrever isso para o Leandro, me vi um pouco há muitos anos atrás em suas palavras, e como alguém um dia me ajudou com palavras, espero um pouco ter lhe ajudado Leandro. Sei chegou até essa parte aqui, quero que saiba que se quiser conversar mais, deixe seu e-mail aqui e falamos, mas lhe peço, não desista de você..

    Grande Abraço….. André Galvão

  7. André Galvão disse:

    Agora falando sobre o post do blog… (eu falo demais né gente rsrs) Escrevi meio que correndo o primeiro e não revisei antes de postar, então algumas coisinhas sairam erradas (sim, detesto isso rsrs)

    Enfim, no caso eu tive um namorado que fiquei por três anos, ele era mais velho uns sete anos, sempre tive preferência por caras mais experientes que eu digamos assim.
    Eu tinha 21, e ele 28 anos, ai é de se imaginar que em alguns momentos eu dependeria dele ne? Afinal mais novo, universitario, salário não era lá grandes coisas, porém, amigos não era bem assim que a banda tocava.
    Alguns amigos até me achavam um trouxa, afinal, quem muitas vezes bancava as contas era eu, ou no máximo rachavamos, raramente ele pagava algo para mim. Na realidade sempre detestei isso e detesto até hoje ser bancado por alguém, quando não tenho dinheiro de fato nem saio, não gosto de passar vontade rsrsrs. E olha que saio muito heim….

    Hoje mais maduro (tenho 27 anos e muito ainda que aprender), vejo que sim, o dinheiro ele interfere de certa forma em um relacionamento e não estou disposto á viver novamente um relacionamento sanguessuga.
    Sou independente e um dos meus critérios (não são poucos) é conhecer alguém que seja também. Hoje até tenho uma vida legal (não perfeita financeiramente), e posso fazer muita coisa que gosto, viajar, sair e etc…
    Ao meu lado quero alguém que me acompanhe, que esteja na mesma linha digamos assim, não sou de requintes, mas não dispenso um bom restaurante, um bom barzinho e se a pessoa não pode se proporciona á isso, Sorry baby não serei eu que irá proporcionar.

    Quero alguém para somar, não diminuir. Sou solteiro, trabalho e muitooo e quero cada dia mais conquistar mais coisas, porém, busco por conta própria, não acho digno querer estar com alguém, ou até mesmo estar com alguém pelo que ela pode lhe porporcionar!

    Enfim penso assim, afinal, só quem já viveu algo parecido sabe como é.

    Bye people!!!

  8. San disse:

    Boa noite.

    Muito bom o conteúdo, parabéns.

  9. Leandro disse:

    Pessoal,
    li todos os comentários ontem e fiquei surpreso e feliz com o apoio de vcs. Muito obrigado mesmo! Me senti um pouco melhor ao ler as palavras de vcs. Tô triste ainda, mas tô deixando que o tempo faça sua parte, curando as feridas. Aconteceram muitas coisas ruins nos últimos meses e eu fui carregando isso até chegar no meu limite. Nesse momento, tô justamente dando uma desacelerada, para ver se eu consigo me acalmar e pensar com mais clareza no que eu quero.
    Desde a adolescência eu tenho vontade de namorar, mas sempre tinha alguma coisa pra atrapalhar. Eu sofri muito pq houve um tempo em que o medo me paralisava e eu não conseguia pensar na possibilidade de namorar alguém. Quando eu finalmente pude “ir à caça”, só levei ferro! Eu já tentei mais de 10 vezes iniciar um relacionamento com alguém, mas nunca dá certo. Acho q eu tô traumatizado de tanto tentar e fracassar. Pois agora eu tranquei de vez meu coração, estou numa fase completamente celibatária e não penso em sair dela tão cedo. Não quero saber de homem, nem pra paquera, nem pra namoro. Já que a ferida ainda está bem aberta, eu não vou sair fazendo coisas que podem abri-la ainda mais! Como eu sei que a aparência é a prioridade nº 1 na vida de boa parte dos gays, eu vou ficar uns 3 ou 4 anos cuidando de mim. Depois disso, posso pensar em dar uma chance a alguém, isto é, se aparecer algum interessado, já que eu não vou correr atrás de mais ninguém!

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