Grãos de areia

Depoimento de um leitor do Blog, sobre a primeira parte da entrevista com o Beto:

MGV, acompanho o blog há um bom tempo, nunca comentei, mas sempre estou aqui na espreita. Escrevo para que você se sinta motivado a continuar com esse trabalho, embora em surdina, estamos aqui. Continue, pois o conteúdo aqui é muito bom. Gosto muito desses podcasts, termino de ouvir e fico ouvindo de novo, várias vezes.

Se numa cidade com 100 mil habitantes é difícil ser gay, imagina eu, cá em minha província paulistana de 20 mil habitantes (estou me sentindo sitiante).

Pude me identificar muito com esse relato: tenho 23 anos e ainda não me declarei gay, também não me envolvi com ninguém ainda. Minha precaução é meu núcleo familiar, os outros quatro membros que compõem minha família estão na dicotomia opinião pública: “ser gay é uma questão individual que não diz respeito a mais ninguém”  VERSUS opinião privada “ser gay é uma conduta vergonhosa”. Pelo que conheço deles, esse é um tema que prefeririam conduzir no sistema: “não pergunto, não contas”.

Esse fim de ano colo grau (2016 promete!), pretendo mudar de cidade na metade do próximo ano. Meu plano era contar para minha família após essa mudança, assim eles decidiriam se preservariam essa informação (ao menos no curto prazo, já que pretendo exercer minha condição, o que inevitavelmente trará a questão à tona) ou se permitiriam que ela se disseminasse, afinal de contas eles serão os principais afetados, uma vez que já não estarei mais na cidade.

Porém, após ouvir um podcast da entrevista com o Beto eu percebi que não era uma estratégia assertiva, não gostaria que eles ficassem remoendo suas dúvidas a respeita da minha sexualidade e conduta sem poder me consultar. Decidi contar seis meses antes de me mudar.

Só para esclarecer: não estou de mudança para esconder/fugir da minha sexualidade, nem para ir atrás de homem (não só por isso rs rs); quero quebrar a dependência psicológica da cidade onde nasci e cresci, pasmem, sem nunca ter saído dela, nem mesmo para uma viagem. Quero provar experiências que ela não pode me fornecer.

É engraçado como as histórias individuais em um macro-paradigma se assemelham…

Tudo isso para dizer que gosto muito do seu blog, mesmo tendo opiniões que divergem das suas em determinados assuntos (natural, né? Cada cabeça uma sentença). Que se sinta sempre motivado a escrever, porque as percepções diferenciadas, suas e de seus convidados, tem o poder de promover a reflexão benéfica a toda sociedade.

Bem, percebeu que eu sou muito prolixo, defeito que tento curar a anos. Melhor eu ficar por aqui.

Até.

Breve resposta do MVG:

Oi Ivan, tudo bem?

Não achei nada prolixo, muito pelo contrário: de clareza para o entendimento. Fora a parte das nuances da vida de jovem gay nas cidades pequenas ou do interior, achei importante um ponto que vem de encontro com meus pensamentos: a divergência de opiniões é algo importante para o enriquecimento de uma sociedade.

Além da própria divergência, engrandecedor também é o respeito que se exerce quando nos deparamos com divergências. Essas que inclusive, permeiam entre a sua homossexualidade e as possíveis percepções de sua família.

Achei muito válido transformar seu comentário num post pois traduz de maneira simples e objetiva como entendo o Blog MVG para as pessoas que o seguem, lêem e que – na espreita, como você mesmo sugeriu – envolvem-se com os conteúdos aqui apresentados.

Boa sorte em sua jornada! :)

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