Highsexual: piração na Internet ou fato a ser respeitado?

Quase como num movimento premonitório, comentei por aqui nos últimos posts de 2014 que outras “categorias” e subgrupos viriam à tona para determinar a sexualidade de indivíduos. Não bastou um ano e cá estamos, no começo de 2015, falando dos highsexuais.

O que é um highsexual?

Nos últimos dias, surgiu na net e se espalhou num efeito buzz esse novo conceito do highsexual. Trata-se do indivíduo que se sente atraído por outro do mesmo sexo somente quando está sob o efeito da maconha. É isso: definição rápida e objetiva.

Fui consumidor da cannabis por um longo período de tempo, na época da faculdade. Fumava pelo menos um beck todos os dias e, hoje, me tornei um usuário bastante “desleixado”, me agradando com as sensações da cannabis sativa ou melhor, do thc, em casos muito específicos. Em outras palavras, se no ano passado fumei dez vezes foi muito. Dez vezes e no máximo três tragos.

Mas, sim, como comentado, usei maconha com frequência e tive das melhores sensações às famosas “bad trips”, termo comum quando usamos alguma droga e o efeito não cai bem.

Quando não se vira um hábito por décadas, raras são as vezes que utilizamos sozinhos. Assim, estava sempre acompanhado de amigos heterossexuais que também se deliciavam com os efeitos do thc.

Fatos vividos e experiências realizadas, devo ter alguma propriedade para analisar o tema da highsexualidade, por me atrair por indivíduos do mesmo sexo e por já ter sido usuário da maconha. É certo que o efeito da cannabis, na maioria das vezes e dos casos, leva o indivíduo a ficar mais alegre, amoroso e simpático. Também frequente é a vontade de tocar o outro com menos parcimônia. Se gay, na tradução literal é “feliz” e “alegre”, maconha e gay podem até ter algum sentido teórico e, quem sabe, um sentido prático para quem se identifica com esse novo conceito.

Agora surgem algumas dúvidas:

1 – É possível estarmos gays sob o efeito da maconha?;

2 – É possível nos permitirmos exercer a homossexualidade somente sobre o efeito do thc e, quando o efeito passa, deixamos de ser homossexuais?

Fico imaginando algo como a Cinderela: como num passe de mágica nos tornamos uma princesa para envolver o príncipe. Levamos ele para cama, transamos, curtimos o beijo, as pegadas e o sexo, mas antes que se vire abóbora (e o efeito da maconha cesse) fugimos rapidinho para não ter que deparar com um outro macho (no caso dos homens) e outra mina (no caso das mulheres) na cama!

Ainda não sei bem o que vai dar com a highsexualidade, se daqui um tempo se tornará algo normativo, corriqueiro. Mas algumas decorrências desse fato são possíveis de se imaginar:

– É um ótimo mote para os machistas e os homofóbicos se apropriarem contra o uso da maconha: “Cuidado. Além de ser uma droga, você pode acabar dando seu cú”;

– “Quero ver se fulano de tal é gay mesmo. Vou fazê-lo comer um bolo de maconha”;

– “Quero beijar um cara. Vou fumar maconha. Mas será que o efeito depois passa?”.

E ai, queridos leitores? Opiniões formadas?

7 comentários Adicione o seu

  1. Jorge disse:

    Eu não gosto de julgar sem conhecer, mas isso eu já considero baboseira, por que passa a impressão de que sexualidade é apenas um comportamento, algo que pode ser mudado com a maconha, por exemplo. Sem falar que isso me parece desculpa para gay enrustido não ter que se assumir. Vai dar essa bunda gente e para de usar as drogas como desculpa por que SEXUALIDADE NÃO COMPORTAMENTO!!!!

    1. caiorj26 disse:

      Pensei em comentar a mesma coisa! Desculpa para “macho”… é rola (rssss). Quando eu comecei a fumar cigarro (não fumo mais), sempre favala “só fumo quando bebo”… E me parece agora que virá por ai “só dou quando fumo”.

  2. E pra quem aceita todo buraco quando está em estado de porre, (Eu), como é que fica? Entra na classificação?

    Tenho uma experiência bem louca com o porre, Rs… Pelo menos foi o que a Ana me disse, porque não me lembro de quase nada, flashs apenas.

    Mas sabe o que eu acho? Minha experiência é pouca, mas percebo que quando estamos nesses estados mais alegrinhos geralmente damos mais liberdade aos nossos anseios e curiosidades que guardamos tão profundamente por diversos motivos.

    Abraços do CR!!

  3. Ruan Bernardo disse:

    Complicado viu? Mas confesso que já tive momentos bêbados ao qual a bebida me mudava, não em sentido pleno, mas me passava vontade de ficar com meninas e etc…e olha q eu não me considero nenhum pouco bi, sou muito bem assumido e resolvido! Estranho não? Pra mim que cresci olhando meninos, desejando eles e depois de um tempo ficando e beijando, é complicado imaginar que um “back” vá mudar o gosto sexual de alguém. Complexo, mas legal!

    PS: todos já fumaram maconha menos eu. È isso mesmo ? kkkkkk

    Abraços MVG!

    1. Garoto!
      Porre = Bebida

      Ainda não fumei maconha.

      Abraços do CR!!

  4. lebeadle disse:

    Mais uma tribo na Polinésia gay e, talvez seja essa mesmo a tendência do mundo atual, quebrar com o perfil capitalista do mundo gay, isto é, balada, moda, academia, sauna e objetos caros e construir outros perfis possíveis que não deixam de ser gays também, como os nerds, os místicos, os do blog MVG, etc.
    Esse negócio que CR e Ruan Bernardo falaram de despertar um lado hétero mesmo sendo gays acho que é possível, afinal em que lei está escrito que uma pessoa homoafetiva nunca possa se interessar por alguém de outra orientação que não a sua, e, na verdade, acredito mesmo é na capacidade do amor construído entre duas pessoas – acima de orientação sexual -, com paciência, percebendo os defeitos e focando nas qualidades positivas do relacionamento. Sou contra esse idealismo que o MVG chama de ‘caixinhas’ de acreditar que tudo deve ser enquadrado em um conceito “bonitinho, cheirosinho, arrumadinho e danadin de bom”, quem luta com as palavras sabe que elas tem seu limite, que o discurso do dever ser, da teoria, é algo essencial mas pertence ao reino do pensamento, da consciência e deve entrar em contato com o mundo prático para se superar e melhorar.

    Abraços a todos!

  5. Ruan Bernardo disse:

    OPA! Uma exceção aqui Carlos Rodrigues! HAHAHAH! Brincadeiras! Abraços!

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