LGBTQIA+ para quê?

LGBTQIA+: os prós e contras dos valores identitários

Os valores identitários LGBTQIA+ são altamente bem-vindos quando o assunto é a busca pela identidade. Antes mesmo da formação dessa sigla atual, o Blog Minha Vida Gay já ia me sinalizando que a sexualidade, a identidade de gênero e a expressão de gênero formam uma matiz de cores, muito além da relação heterossexual e gay.

Organicamente, embora munido de aspectos de marketing e impulsos políticos, o valor identitário LGBTQIA+ enveredou para o discurso de esquerda. Mas o fato é que esses conceitos – sociológicos e psicológicos – transcendem a política partidária e, muito mais, a polarização social estabelecida em nosso cotidiano.

São temas que, quando com um pouco mais de racionalidade, compreende-se que são separados e, assim, exercem uma autonomia cultural e social.

LGBTQIA+: matiz de cores

Nessa matiz de cores, compreendendo-se que o ser humano clama (por sua natureza) por identificação e pertencimento, trazer à tona ou à superfície cada parte da sigla, definí-las, contextualizá-las e, ainda, multiplicá-la por meio do símbolo “+”, pode garantir ao indivíduo uma certa tranquilidade; a certeza de que não se é um patinho feio, o peixe fora d’água ou a ovelha negra e, sim, alguém que pode dividir com outros semelhantes suas sensações, vontades, autoafirmações e sentido de identificação. É a afirmação social positiva da existência e aceitação.

Do ponto de vista político, é o direito do indivíduo de ser, estar e ser respeitado em sociedade, por suas nuances de expressão, identidade e sexualidade que não dizem respeito aos padrões mais óbvios.

LGBTQIA+: o outro lado da moeda

Ontem, furtivamente, assisti uma entrevista do Thammy Miranda no programa comandado pelo Pedro Bial (nem sei o nome; já desconheço programas da tevê comum).

Thammy deixou expresso uma afirmação que, notoriamente, eu concordo: “vou falar uma coisa que as pessoas não vão gostar muito, mas o público LGBTQIA+ é muito desunido”.

Notório: não tem exemplo melhor, que traduz essa realidade, do que os comportamentos do famoso grupo do Facebook “LGBTQI+ Resistência pela Democracia!”. Embora a ênfase dos temas, de quem dirige a página, seja relacionada à críticas ao atual governo, a postura de quem se presta a fazer comentários nos posts materializa o abismo que há nas relações entre nós, LGBTQIA+.

Fatalmente, a fragmentação dessa sigla traduz (também) o estado apartado que é muito comum entre nós. O jogo de ego humano é um grande problema e não deixaria de infectar a nós, os LGBTQIA+. Não estamos isentos dessa autocentralização no ego, pelo contrário, o que nos distancia muito – no final – de nossos próprios direitos.

Como centro-esquerda, nada mais justo e sensato do que ser o maior crítico a “minha família”. Como integrante do grupo LGBTQIA+, o mesmo. É muito fácil, oportuno, conveniente e confortável falar do sujo, daquela outra família.

2 comentários Adicione o seu

  1. lebeadle disse:

    Oi, MVG

    Realmente são muitos os desencontros entre as pessoas, acredito que temos de focar naquilo que une e respeitar as diferenças. A emissão de opinião em redes sociais deve ser precedida de uma reflexão pois muitas vezes não passa de uma projeção da nossa alma e seus temores e não algo objetivo da realidade comum, acho que a crítica deve ser inteligente, se for para promover ódio deveria ser evitada.

    Precisamos pensar a vida mas com muita compaixão, tentando sempre escapar dos turbilhões que nos querem arrastar para uma postura de violência.

    Por isso sempre espero seus textos pois me parecem ter essa intenção de refletir e acolher.

    Abraços

    1. minhavidagay disse:

      Oi Le Beadle, tudo bom?
      As redes sociais, no geral, são meios massivos para o escapismo, para estimular a fantasia e tirar o indivíduo da realidade.

      O vício é de receber curtidas, comentários, ver e ser visto por aquele grupo que é de interesse ter a afirmativa.

      Esse dias, em um evento coletivo (quase 100 pessoas) que se conheceram a partir de uma rede social, me deparei com os “radicais”. Estejam “encolhidos”, de canto, ressabiados, assumindo na realidade um comportamento oposto a expressividade enérgica na redes. De canto e em mesas opostas rs.

      Taí a projeção da alma e seus temores, sem visar o objetivo comum, mas sim o próprio ego. Para complementar, a telinha do celular, nos enche de “coragem”.

      Abraço!

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