Mães e filhos gays

Não é regra, mas muitos gays tem uma conexão forte com suas mães

Em maio o Minha Vida Gay completará 6 anos e, somado a isso, existe a minha vivência há mais de 16 anos como homossexual. Um fato que não é nem determinante e nem definitivo, mas que é bastante comum entre gays é uma conexão com suas mães. Como disse e reforço, não é uma regra, mas nestes anos todos percebi que muitos conhecidos e leitores possuem algum tipo diferenciado de relação com a figura materna.

Tal figura materna, pode ser companheira e amiga, pode oferecer uma relação suave, ou, também provável, controladora e possessiva. Seja em termos mais amenos ou mais intensos, é estabelecido essa conexão entre mães e filhos gays.

Por consequência, a figura do pai ou é ausente, ou nula ou inesistente. Quando não se comenta, aparentemente não há importância e, nos casos mais extremos, há até a repulsa.

Se para um filho vindo do contexto heteronormativo mais tradicional, onde subentende-se a existência de um pai e uma mãe, a identidade do feminino é traçado inicialmente pela mãe, para onde vai parar a referência do masculino, quando um filho gay tem o pai como ausente, nulo ou inexistente?

É curiosa essa abordagem. O mundo hoje, as vistas do filho, tem aos poucos produzido “pai e pai”, “mãe e mãe”, “pai solteiro”, “mãe solteira”, “dois pais e uma mãe”, “uma mãe e dois pais” e assim por diante. Mas o normativo ainda se estabelece pela ideia de “uma pai e uma mãe”. O que será que falta, se é que falta, quando o filho gay anula – em diversas medidas – o arquétipo do pai? Como isso nos influencia, nós gays, se que é nos influencia? Como este fato contribuirá para a formação de nossa identidade como homossexual, se é que contribui?

O quanto procuraremos em nossos parceiros ou referências no “universo gay” esta figura emblemática do pai/homem que, do ponto de vista de segurança e autoconfiança, preenchem lacunas dentro da gente?

Será que o encontro realmente está em um terceiro? Ou será que o encontro está no momento em que, nós gays, conseguimos colocar o pai em outro lugar? Quando, com ou sem esforço, ressignificamos a ideia de pai dentro da gente para, enfim, abarcar, abraçar e afagar o homem que também somos, sem perder o positivo atribuído pelo feminino?

Onde você coloca seu pai em sua vida? Pergunto, lembrando que este fato não caracteriza propriamente a homossexualidade.


coach-de-vida-gay

Flávio Yukio Motonaga
www.lifecoachmvg.com.br

1 comentário Adicione o seu

  1. Oliveira Santos disse:

    Toda mãe sabe que o filho é ou tem tendência gay, por mais enrustido que seja.

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